A redução dos salários contrasta com o aumento dos lucros
Cem mil em Londres exigem aumento dos salários
Austeridade insuportável

Cerca de cem mil manifestantes em Londres e vários milhares em Glasgow e Belfast reafirmaram, no sábado, 18, a exigência de pôr fim ao congelamento salarial.

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A marcha, intitulada «Grã-Bretanha precisa de aumentos salariais», culminou uma semana marcada por uma expressiva greve no sector da Saúde, dia 13, seguida de outras paralisações nos municípios e nos serviços da administração central, dias 14 e 15, respectivamente.

No sábado, uma maré de gente inundou o centro londrino, para lembrar que os funcionários públicos sofrem perdas do poder de compra há seis anos consecutivos.

Mas também se fizeram representar trabalhadores de outros sectores como dos correios, caminhos-de-ferro, bombeiros e outros.

A marcha, apoiada pelo Congresso dos Sindicatos (TUC), foi organizada pelos sindicatos do sector público Unite, NUT (professores), Unison e PCS (serviços públicos), entre outros.

Segundo referiu a secretária-geral do TUC, desde 2008 os trabalhadores do sector público perderam o equivalente a 250 euros por mês.

Não só se trata de uma redução salarial significativa como também do período mais longo de compressão salarial. Para o TUC é algo nunca visto desde 1850.

A desvalorização dos salários é aliás confirmada pelo Banco de Inglaterra, cujo governador admitiu recentemente uma quebra do poder de compra real de dez por cento.

Mas ao mesmo tempo que os salários caem, a taxa de lucro progride, acumulando um aumento médio de 21 por cento desde 2009. É assim que o capital faz frente à crise económica.

A recuperação dos lucros da banca, salva com o dinheiro dos trabalhadores, é um exemplo elucidativo.

O Royal Bank of Scotland foi «nacionalizado» em 2008. Recebeu cerca de 55 mil milhões de euros. No primeiro semestre deste ano apresentou lucros recorde de três mil milhões de euros, depois de no ano anterior ter tido ganhos de 1,7 mil milhões de euros. O governo conservador já anunciou a sua privatização para 2015.

Em boa situação encontram-se igualmente os monopólios da energia, que desde 2009 multiplicaram por cinco os seus lucros, aumentando a facturação de 300 milhões para 1,5 mil milhões de euros.

Do trabalho para o capital

O balanço dos últimos anos mostra uma clara transferência de meios do trabalho para o capital. Assim, a generalidade dos britânicos foram penalizados com o aumento do IVA de 17 para 20 por cento. No sector público foram eliminados 700 mil empregos e os orçamentos dos serviços sofreram uma redução de 25 por cento. Ao congelamento dos salários somou-se a supressão ou redução de vários subsídios sociais.

Em contrapartida, o governo de liberais e conservadores mostra-se generoso com as empresas, sobretudo as grandes. O imposto sobre os lucros, que já tinha baixado de 28 para 24 por cento em 2010, voltou a ser reduzido para 21 por cento em Abril último, estando prevista mais uma baixa para 20 por cento em 2015.

Em paralelo prossegue a saga das privatizações dos serviços públicos, que atinge em particular o transporte ferroviário, os correios, a Educação e sobretudo o Serviço Nacional de Saúde.

É por isso que os sindicatos presentes na manifestação alertaram para a destruição em curso das conquistas sociais alcançadas após 1945.

Dave Prentis, secretário-geral do Unison, falou de «duas nações», uma de operários miseráveis e outra da burguesia financeira opulenta, evocando as descrições da Inglaterra do século XIX de Engels ou de Dickens.

Frances O'Grady frisou que «após o período mais longo da nossa história de redução salarial, é tempo de acabar com o bloqueio dos salários». E denunciou a redução de impostos para os ricos, em simultâneo com o ataque aos salários e aos serviços públicos: «Uma tal economia já não é mais suportável pela maioria», disse a secretária-geral do TUC.




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