No dia 31 de Outubro, milhares de trabalhadores da Administração Pública manifestaram-se em Lisboa, contra a proposta de Orçamento do Estado que os deputados do PSD e do CDS-PP tinham aprovado na generalidade poucas horas antes. Outras lutas, por estes dias, mostram que há razões fortes e determinação crescente para intensificar e alargar a luta contra esta política e o Governo que a executa. No dia 13, a acção vai centrar-se nas empresas e serviços.


Na tarde da passada sexta-feira, desde o Marquês de Pombal ao Palácio de São Bento, fizeram-se ver e ouvir os motivos que têm estado na origem de inúmeras batalhas em defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, em defesa dos postos de trabalho, dos salários e dos direitos dos trabalhadores da administração central, regional e local, aqui se incluindo a Saúde, a Educação, a Justiça, a Defesa, o Ambiente, câmaras municipais e juntas de freguesia... Vindos de praticamente todos os distritos, milhares de trabalhadores fizeram questão de gritar na rua a indignação e a revolta que lhes vai na alma, reclamando a demissão do Governo e a realização de eleições, para romper com o curso das últimas décadas, agravado com a «ajuda» da troika, e para abrir caminho a uma política de esquerda e soberana, como a CGTP-IN defende.
A manifestação nacional foi convocada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, cuja coordenadora, Ana Avoila, a concluir as intervenções de dirigentes no palco móvel instalado junto à escadaria do Parlamento, voltou a lembrar o rol de malfeitorias impostas a quem trabalha no Estado, com prejuízo para a população e para o País, e garantiu que a luta não vai ficar por aqui.
Uma expressão forte da disponibilidade dos trabalhadores para este combate foi o facto de, nesse dia, dezenas de escolas e alguns museus terem encerrado, porque uma grande parte do pessoal aderiu à greve que os sindicatos convocaram para permitir a participação na manifestação. Nas intervenções sindicais, foram saudados também os muitos trabalhadores que não estavam ali presentes, mas que estão solidários com os objectivos desta jornada e prontos para participarem em próximas acções.

Quem não sofre?

O Secretário-geral da CGTP-IN salientou que «o Governo PSD-CDS, ao atacar os trabalhadores da Administração Pública, está também a pôr em causa os direitos da população, por via da degradação e esvaziamento das funções sociais do Estado». Do palco das intervenções sindicais, Arménio Carlos lançou perguntas pertinentes sobre os efeitos da política de direita e das medidas dos últimos anos:

Acaso os serviços públicos melhoraram com o roubo de salários e direitos aos trabalhadores da Administração Pública ou com a redução de pessoal?
Acaso a população tem hoje uma escola pública com mais qualidade, melhores cuidados de saúde, maior protecção social, melhor acesso à Justiça, ou o País está mais desenvolvido, depois do corte de mais 9,8 mil milhões de euros no poder de compra dos trabalhadores da Administração Pública nos últimos quatro anos?
Acaso os trabalhadores do sector privado ganharam alguma coisa com tudo isto, quando também eles foram espoliados em mais de sete mil milhões de euros nos seus rendimentos neste mesmo período?

Como «esta é uma política que arruína os trabalhadores, os reformados e o País», é necessário que haja «mais esclarecimento e mobilização, mais unidade e coesão de todos quantos, trabalhadores e população, são afectados por esta política».
Após as intervenções dos dirigentes sindicais, foi aprovada uma resolução, com as principais reivindicações dos trabalhadores e das mais de três dezenas de estruturas que integram a Frente Comum de Sindicatos, documento a que damos destaque nas páginas centrais desta edição.

Jornada geral

«Vamos estar todos no dia 13 de Novembro, numa grande jornada nacional de indignação, acção e luta, com greves e paralisações, nos sectores público e privado, em cada empresa e local de trabalho, pelo aumento geral dos salários e o emprego com direitos, por uma política de esquerda e soberana», apelou o Secretário-geral da Intersindical.
Nos vários sectores, o movimento sindical unitário empenha-se em que, na próxima quinta-feira, confluam iniciativas que os próprios trabalhadores decidam levar a cabo, muitas delas no seguimento de lutas que já estão em curso. Foram apresentados pré-avisos de greve.

Nos dias 21 a 25 de Novembro, a CGTP-IN vai realizar uma grande marcha, com acções de impacto público em todos os distritos. A 25, dia em que decorrerá a votação final global da proposta de Orçamento, vai realizar-se junto à Assembleia da República uma concentração de trabalhadores dos distritos de Lisboa e Setúbal.

O Secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, que saudou a passagem da manifestação acompanhado por outros dirigentes do Partido, reafirmou a solidariedade dos comunistas para com a luta dos trabalhadores da Administração Pública. Em declarações aos jornalistas, lembrou que o sector público é o mais fustigado pela política deste Governo e que a proposta de OE 2015, constituindo uma nova ameaça, vem acrescentar razões a todos os que não estão de braços caídos e exigem uma nova política e um novo Governo




Edição Nº 2136
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