Editorial

«Inabalável confiança na luta dos trabalhadores e do povo por um Portugal com futuro»

INICIATIVA E LUTA<br> PELA ALTERNATIVA

Promovendo a celebração do 25.º aniversário da chamada «queda do muro de Berlim», as forças do capital desenvolveram, nestes dias, uma operação ideológica em larga escala, procurando desviar as atenções da crise estrutural do capitalismo, desvalorizar a luta dos trabalhadores e dos povos e, sobretudo, atingir o Partido e a luta dos comunistas. Anticomunismo, sublinhe-se, componente indissociável da política de direita, que, no entanto, não demove os comunistas, juntamente com os trabalhadores e o povo, de continuar o seu combate.

O Governo prossegue a sua política de classe, agravada na proposta de Orçamento do Estado para 2015, apostado na extorsão e no confisco dos trabalhadores e do povo em favor do grande capital. O PS procura iludir os portugueses com um aparente distanciamento da política de direita de que é responsável, conjuntamente com o PSD e o CDS. E, à medida que avança na preparação do seu congresso com a moção «agenda para a década», vão-se tornando mais claros os seus compromissos com a continuidade, no essencial, dessa política. Sem alternativa ao actual rumo da governação PSD/CDS, vai simulando oposição, mas não consegue esconder o silêncio comprometedor sobre questões fundamentais (dívida, política europeia, política económica e direitos laborais) ou o claro alinhamento com os objectivos do Governo, nomeadamente, a privatização da TAP.

A entrevista recente do PR a um semanário, apesar de não conter nenhuma novidade, sublinha a sua postura de arrogância e prepotência e evidencia, mais uma vez, o seu empenhamento na salvação da política de direita, quer apoiando o Governo, quer apelando ao consenso dos partidos (PS, PSD e CDS) para salvar essa política.

O PCP continua o seu combate pela demissão do Governo, pela ruptura com a política de direita e pela alternativa patriótica e de esquerda. Alternativa impossível de alcançar sem o PCP e, muito menos, contra o PCP. PCP que, no quadro da construção desta alternativa, continua a manifestar-se disponível para assumir todas as responsabilidades políticas que os trabalhadores e o povo lhe entendam confiar.

Num quadro de intensa e diversificada iniciativa do Partido (assembleias de organização, acções em torno das comemorações da Revolução de Outubro, apresentação de propostas de alteração ao OE na AR), realizou-se no passado fim-de-semana o Congresso da Organização da Região Autónoma da Madeira do PCP com boa participação, significativas intervenções e um claro sublinhado à unidade, coesão e afirmação da linha política fundamental da nossa acção e do reforço do Partido. Reforço que prossegue com a acção de contactos, que deve ser assumida pelas organizações como a grande prioridade de acção, com a tomada das medidas necessárias à sua total concretização. Prossegue também a Campanha Nacional de Fundos sendo necessário avançar no estabelecimento de compromissos. No próximo dia 15, realizaremos uma reunião de quadros na Quinta da Atalaia dando início a um debate alargado, participado e construtivo sobre a Festa do Avante!.

Prossegue também a acção «com a força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda», que entrou na sua quarta semana temática – «a opção por uma política orçamental baseada numa política fiscal de aumento da tributação sobre os rendimentos do grande capital» – e incluirá encontros do PCP, com a participação do Secretário-geral, com a Comissão Nacional Justiça e Paz e com a ARESP e um debate no Porto sobre «Política orçamental e uma justa política fiscal».

Prossegue igualmente, com boa receptividade pelos trabalhadores, a jornada de propaganda. Realizou-se a sessão pública de comemoração do 101.º aniversário do nascimento de Álvaro Cunhal e, no âmbito das comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril, de apresentação da obra «Contribuição para o Estudo da Questão Agrária» escrita por Álvaro Cunhal e agora reeditada no quadro dos 40 anos da Reforma Agrária, que ocorre em 2015. Uma iniciativa que contou com a participação do Secretário-geral do PCP.

Assinalámos também o 35.º aniversário da JCP com diversas iniciativas e acções de contacto com a juventude, por todo o País.

No plano da luta de massas, realiza-se hoje o Dia Nacional de Indignação, Acção e Luta decidido pela CGTP-IN, com greves e paralisações em muitas empresas e sectores. De 21 a 25 de Novembro, realizar-se-á a Marcha Nacional descentralizada. Prossegue, entretanto, a dinamização da acção reivindicativa em torno das questões concretas, ao nível dos sectores, empresas e locais de trabalho.

Registo ainda para a acção convergente da Administração Local, envolvendo trabalhadores e eleitos, marcada pelo STAL para 4 de Dezembro em torno da luta pelas 35h de trabalho e a luta dos trabalhadores e das populações, designadamente, contra o encerramento da extensão de Saúde em Alcantarilha, a vigília dos trabalhadores da Segurança Social em Coimbra, a greve dos motoristas de passageiros no distrito de Braga, a greve dos trabalhadores da empresa de limpeza que opera no Hospital de Abrantes, as lutas na Empresa do Parque Autoeuropa e Lisnave conseguindo aumentos salariais, entre muitas outras.

Como afirmou o Secretário-geral do PCP, na sessão pública da passada 2.ª feira, «o País não pode continuar sujeito à acção corrosiva e destruidora de uma política que bloqueia e hipoteca o seu desenvolvimento. O País não pode adiar por mais tempo uma mudança de rumo, uma verdadeira mudança e afirmar e concretizar uma verdadeira alternativa, pondo fim às situações de mera alternância como as que têm sido protagonizadas por PS, PSD e CDS».

 


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