Editorial

«É tempo de dar força a quem tem como o PCP propostas e soluções para o País»

A LUTA CONTINUA

Faleceu o camarada José Casanova que foi, entre 1997 e Fevereiro deste ano, Director do Avante! e a quem o Partido, num funeral com grande participação de camaradas e amigos, prestou a justa e devida homenagem. José Casanova foi militante e dirigente comunista, combatente da causa da emancipação social e humana numa luta incansável, com a classe operária, os trabalhadores e o povo português, à qual cedo se entregou. Pelas leis da vida, o camarada José Casanova acabou de nos deixar, mas connosco permanecem o seu exemplo, o ideal e o projecto comunistas que abraçou, o seu Partido de sempre e uma luta que continua.

A continuação da política de direita pelo Governo PSD/CDS, com o apoio activo do Presidente da República, está a empurrar o País para uma grave crise política e institucional. Multiplicam-se os escândalos. Depois do BES/GES e da PT, surge agora o caso dos «Vistos Dourados» evidenciando o poder do capital para gerar e alargar estes casos de corrupção. Casos que, depois, vai gerindo à medida das suas necessidades, apagando uns com os outros, criando cortinas de silêncio ou desviando as atenções de importantes questões da vida nacional como é o caso da discussão do Orçamento do Estado para 2015, em que se procura apagar sobretudo as centenas de propostas do PCP, a sua acção de denúncia e de combate a este novo instrumento de exploração, empobrecimento e injustiça social da política de direita. Sucessivos casos de corrupção que, perante um Presidente da República que não toma medidas, geram também a indignação e o conformismo dos que se resignam à ideia de que não há solução para a pantanosa situação que vivemos. Lançando o descrédito sobre o regime democrático e as instituições, o grande capital vai, assim, abrindo caminho ao aparecimento de ideias populistas, que, em última instância, salvem a política de direita.

O caso dos «Vistos Dourados», não deixando de ser também um problema de Justiça, é, antes de mais, um problema político. Perante mais este escândalo, impõe-se acabar desde já com os «Vistos Dourados» e demitir o Governo responsável por mais este escândalo. Dizer que os «Vistos Dourados» são importantes para a nossa economia porque potenciam um investimento produtivo, é tapar o sol com a peneira e querer enganar os portugueses. Eles promovem e potenciam, isso sim, esquemas de corrupção e já nem é a primeira vez que saem membros da equipa do Ministério da Administração Interna devido a esquemas pouco claros. Este caso traz, por outro lado, ao de cima, disputas no seio do Governo e nem a recente demissão do ministro da Administração Interna resolve o problema. Impõe-se a demissão do Governo no seu todo, tanto mais que Paulo Portas (que criou os «Vistos Dourados») e Passos Coelho (que tutela o SIS) são corresponsáveis por esta situação. É caso para perguntar de quantos mais escândalos precisa o PR para demitir o Governo que há muito perdeu a legitimidade política. O PS, sem alternativa política, e comprometido com o essencial da política de direita, vai avançando propostas em torno do SMN, subsídio de desemprego, abono de família, complementos de reforma no Metro e na Carris, que, mexendo em alguma coisa, não toquem no que é essencial, como é notório, por exemplo, no processo em curso com vista à privatização da TAP, a que o PS não se opõe.

O PCP prossegue a acção «A força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda», que entrou agora na sua quinta semana temática. No passado domingo realizou-se a 8.ª Assembleia da Organização Regional de Beja do Partido, que representou um importante avanço no plano do reforço da organização e reflectiu um ambiente de unidade e coesão. Igualmente importante para a valorização da Festa do Avante! foi, pela participação e conteúdos das diversas intervenções, a reunião nacional de quadros do passado dia 15. De grande significado foram também as iniciativas comemorativas do aniversário da JCP, pela diversidade, participação alargada e conteúdos.

No plano do reforço do Partido, prossegue a acção de contactos que deve continuar a ser a grande prioridade das organizações.

Foi grande a luta no dia 13 de Novembro – Dia de Indignação, Acção e Luta com paralisações e greves em muitas empresas e sectores, por todo o País. Grande foi também a acção de luta dos estudantes do Ensino Superior em Lisboa e prossegue a recolha de assinaturas para o abaixo-assinado dos estudantes do Ensino Secundário em torno das suas reivindicações concretas. Vai agora seguir-se, de 21 a 25 de Novembro, a Marcha Nacional (descentralizada) convocada pela CGTP-IN.

Multiplicam-se acções de luta contra o despedimento de trabalhadores da Segurança Social que o Governo pôs em marcha.

Registo ainda para a acção convergente da Administração Local, envolvendo trabalhadores e eleitos, marcada pelo STAL para 4 de Dezembro em torno da luta pelas 35h de trabalho.

Como referiu o Secretário-geral do Partido, camarada Jerónimo de Sousa, na sua intervenção na 8.ª Assembleia da Organização Regional de Beja, «é tempo de dizer que já chega, de não voltar a cair em falsas soluções e de optar por dar força a quem não falta na hora de defender os interesses e direitos, de quem tem, como o PCP tem, propostas e soluções para o País, de quem, como ao PCP a vida deu e dá razão».



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