Editorial

«Servir os interesses e aspirações dos trabalhadores, do povo e do País»

PARTIDO DE CONFIANÇA

Apesar de uma agenda mediática centrada nos casos jurídicos e de corrupção, a situação nacional continua marcada pelo impacto negativo da aprovação do OE. OE que, como o PCP denunciou e preveniu, vai provocar mais recessão, mais desemprego, maiores assimetrias regionais, mais exploração, empobrecimento e retrocesso social. Novo instrumento da política de direita para a recuperação e restauração monopolista que os três partidos da troika nacional – PS, PSD e CDS - há 38 anos vêm prosseguindo, este OE representa também um novo passo na ofensiva contra os valores de Abril.

Política de direita de que faz parte a sucessão de escândalos, actos ilícitos e de corrupção, que abalam a opinião pública e comportam consequências perigosas para o próprio regime democrático. Casos que o grande capital vai gerindo para desviar as atenções das verdadeiras causas dos problemas do País ou para desresponsabilizar o próprio sistema capitalista, parasitário e decadente, pela sua ocorrência. Reafirmando a declaração do camarada Jerónimo de Sousa sobre «a necessidade do apuramento de toda a verdade, do funcionamento da investigação e da justiça, sem apressar julgamentos ou condenações precipitadas», sublinha-se que estes casos são indissociáveis da própria natureza exploradora e opressora da política de direita e continuam a colocar na ordem do dia a necessidade da luta pela demissão do Governo, pela ruptura com essa política e por um alternativa patriótica e de esquerda que lhes ponha termo, abra caminho à melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo e ao desenvolvimento do País.

O Congresso do PS constituiu sobretudo uma grande operação de propaganda concebida para limpar as suas responsabilidades pela política de direita e solidificar a ideia de que vai formar um governo de esquerda, alternativo ao Governo PSD/CDS. A verdade, porém, é que, independentemente de propostas em torno de algumas questões concretas e parcelares, a linha política do PS não revela qualquer inflexão no que toca a questões estruturantes e de ruptura com a política de direita (direitos dos trabalhadores, renegociação da dívida, privatizações, tratado orçamental, recuperação de salários e pensões). Pelo contrário, aponta para uma linha de continuidade, presente, aliás, na afirmada proposta de acordo estratégico com todas as forças sociais e políticas ou numa falsa neutralidade relativamente aos direitos dos trabalhadores, remetendo a sua discussão para a concertação social.

PS que vai pedindo uma maioria absoluta que o deixe de mãos livres para prosseguir a política de direita e para isolar eleitoralmente o PCP, tentando acantonar a sua acção ao protesto, ao mesmo tempo que finge ignorar ou oculta as inúmeras propostas do Partido para uma política patriótica e de esquerda.

De facto, confirmando uma grande dinâmica e um bom ambiente em torno do Partido registaram-se boas iniciativas no passado fim-de-semana com a participação do Secretário-geral, nomeadamente, a reunião com independentes em Coimbra - que demonstra o valor desta linha de trabalho e a importância do trabalho unitário –, a Assembleia de Organização Regional do Algarve – cujos conteúdos, iniciativas e votações afirmaram a unidade e coesão no Partido, a iniciativa em Alenquer e, na passada 3.ª feira, o comício na Baixa da Banheira.

Em todas elas foram reafirmadas as inúmeras propostas e soluções políticas concretas que temos apresentado para a ruptura com a política de direita e para a alternativa. Importa, agora, persistir no trabalho unitário e no contacto com forças, organizações, sectores e personalidades genuinamente interessadas na ruptura com a política de direita e na construção de uma política alternativa e num governo que a concretize.

Encontra-se em bom desenvolvimento a acção de contactos, prioridade central do trabalho do Partido neste momento e que obriga à tomada das medidas necessárias à sua total concretização.

Ontem, realizou-se com elevada participação a sessão evocativa do 100.º aniversário do nascimento do camarada Sérgio Vilarigues, que contou com a intervenção do Secretário-geral do PCP.

Amanhã, terá lugar o debate sobre «a assumpção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais» e, no dia 13, será encerrada a acção «a força do povo, por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda». Avança também a Campanha Nacional de Fundos.

No plano da luta, desenvolve-se uma forte acção reivindicativa em muitas empresas e sectores e importantes acções de convergência, como foi a Marcha Nacional da CGTP-IN com grande mobilização.

Merecem destaque também as lutas travadas pelos trabalhadores dos aeroportos (Portway, SDpH), na EMEF, nos transportes (ontem e hoje, na TRANSDEV e ARRIBA e, na próxima 3.ª feira, nos STCP), dos polícias municipais e da judiciária, e na Soporcel, ou as que hoje se estão a travar na Administração Local, na PT e na Segurança Social e, amanhã, na Casa Pia.

Muito expressivas foram igualmente as acções de solidariedade com a Palestina.

Merece destaque, pelo seu significado, a importante vitória para o cante alentejano, para os alentejanos e para Portugal que representou a inscrição do cante – expressão da vida, do trabalho e da luta dos alentejanos – na lista representativa do património cultural imaterial da humanidade da UNESCO, objectivo a que, desde a primeiro momento, o PCP se associou com empenhada intervenção.

Pelo seu projecto e pela forma como está na vida política, resgatando o que ela tem de mais exaltante – servir os interesses e aspirações dos trabalhadores, do povo e do País – o PCP é, de facto, um Partido de confiança e de futuro.



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