Desfazer nós górdios

«Não é possível discutir as saídas do desastre nacional a que nos conduziram» sem «desatar as amarras» que nos prendem «ao desemprego, aos baixos salários, à emigração, à angústia e desespero de vidas que não enxergam futuro», começou por afirmar Agostinho Lopes, do Comité Central do PCP, no debate sobre a assumpção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais.

«Os principais défices e estrangulamentos do País, responsáveis pelo seu brutal endividamento, pela sua brutal dívida externa, do Estado, das empresas e das famílias, são os filhos acarinhados da política de direita, casada pelo cartório de Bruxelas com a UE!», acusou, em seguida, antes de lembrar que «a opção pela soberania e a independência nacional do PCP ganha uma relevância política máxima no contexto dramático vivido pelo nosso povo desde 2011, sujeito a uma intervenção externa e submetido a um pacto de agressão, pela UE e FMI, por apelo e inteira cumplicidade das classes dominantes indígenas e dos seus partidos».

Intervenção, continuou Agostinho Lopes abordando o conteúdo e consequências do chamado período tutelar da troika, «que não teve pejo em afrontar o cerne de competências e atribuições soberanas do Estado português, de se confrontar com a própria Constituição da República e as decisões do Tribunal Constitucional». Porém, garantiu, ainda, que «o rasto do terrorismo semeado pela intervenção da troika é conhecido», e «o rol imenso de destruição e miséria não será esquecido».

Agostinho Lopes acrescentou, depois, que «como era previsível e antecipadamente prevenimos, a intervenção da troika não só não resolveu – também não era para resolver, mas para salvar bancos alemães e franceses, e segurar o “castelo de cartas” do euro – nenhum dos nossos problemas estruturais, antes os agravando a todos.»

«Estão no centro das amarras da dependência de Portugal a dívida, o euro, o poder monopolista associado e dominado pelo capital financeiro multinacional no comando de empresas e sectores estratégicos», sintetizou ainda o dirigente do Partido, para quem «sem cortar estes nós górdios, o País não sobrevirá!»

 



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