Produtores sem capacidade para começarem a próxima campanha
Produtores de arroz exigem medidas
Perdas de 50 por cento

Reclamando medidas compensatórias, após prejuízos de 13 milhões de euros nas culturas do Baixo Mondego, devido à praga brusone, várias dezenas de produtores de arroz manifestaram-se no dia 3 junto à Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), em Coimbra.

Ao todo serão sete mil hectares afectados no Baixo Mondego, com os produtores do Vale do Pranto a registarem as maiores perdas, entre 60 e 70 por cento.

Face à situação, Isménio Oliveira, coordenador da Associação Portuguesa dos Orizicultores (APOR), reuniu, naquele dia, com a DRAPC, que lhe referiu que a única medida possível é ser decretada calamidade natural, de forma a serem dados apoios aos produtores atingidos pela praga.

Em declarações à Lusa, o dirigente afirmou que a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, «tem que desenvolver os mecanismos necessários para que isso aconteça», uma vez que existem produtores «sem capacidade para começarem a próxima campanha». Para os orizicultores «terem algum rendimento com as culturas deste ano», acrescentou Isménio Oliveira, «teriam que vender o quilo a 45 e 50 cêntimos», estando no momento a vender «a 20 e a 25 cêntimos».

A APOR já tinha entreguado uma exposição a 2 de Outubro sobre este problema, no entanto, dois meses depois, ainda não há qualquer resposta.

Ministra foge a protestos na Guarda

Cerca de 40 agricultores e dirigentes da Associação Distrital dos Agricultores da Guarda manifestaram-se no dia 26 de Novembro junto à entrada do Teatro Municipal da Guarda, onde a ministra da Agricultura marcou presença no congresso «Política Agrícola Horizonte 2020 – Estratégia Nacional». Infelizmente, Assunção Cristas furtou-se ao encontro com aqueles agricultores, que reclamavam do Governo um regime de excepção para os pequenos produtores e para a agricultura familiar.

Em declarações à comunicação social, Mário Martins, dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), afirmou que «caminhamos para uma situação em que vamos ter que importar tudo, e ficar inteiramente dependentes da produção estrangeira de pouca qualidade».

No protesto, os agricultores exibiam cartazes onde se reclamava a «Anulação das novas imposições fiscais» e a necessidade de «Defender a agricultura familiar e o mundo rural», bem como «Direitos e garantias para quem trabalha na agricultura familiar».




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