Editorial

«O PCP esteve, está e estará à altura das suas responsabilidades»

NATAL DE LUTA

Após mais um ano de acção dum Governo que sujeitou os trabalhadores, o povo e o País a um processo de exploração e empobrecimento de dramáticas consequências sociais e após 38 anos da política de direita, da responsabilidade do PS, PSD e CDS, chegamos ao Natal de 2014 com mais injustiça social, mais exploração e mais pobreza. E, enquanto uns –o capital monopolista, os ricos e poderosos – vão ter um Natal de abundância e desperdício, outros – os trabalhadores e o povo – terão um Natal marcado pela austeridade e incerteza no futuro. Natal e Ano Novo que vão contar, como habitualmente, com as mensagens do Primeiro-ministro e do Presidente da República carregadas de promessas num tempo melhor, que a sua política de direita todos os dias nos sonega. Mas, sobretudo, vão contar com as lutas, as muitas lutas que aí estão, que anunciam e preparam o futuro. Um futuro com uma política patriótica e de esquerda, como etapa da luta por uma democracia avançada - os valores de Abril no futuro de Portugal, indissociável da luta pelo socialismo e o comunismo.

Um Natal, quadra de festa e período em que se tem desenvolvido a luta com os trabalhadores e as populações em defesa da TAP como empresa pública estratégica, com os trabalhadores da Segurança Social em defesa dos postos de trabalho e desta função social do Estado, com os professores contra a PACC, prova que visa justificar socialmente o elevado desemprego e precariedade na profissão docente, com os trabalhadores da Administração Local em defesa do horário das 35 horas, com os trabalhadores dos transportes (CP, STCP, Transdev, Arriba, Metro) contra a precariedade, por melhores salários e em defesa do emprego com direitos, com os mineiros, por melhores salários e pensões, com os trabalhadores da Soporcel, da Refer, EP,  EMEF e de um sem-número de empresas e sectores por melhores salários, pela contratação colectiva, pelo futuro.

Bem podem vir o Primeiro-ministro e o Presidente da República com as suas mensagens hipócritas de Natal e Ano Novo. Os portugueses Mello, Espírito Santo, Belmiro de Azevedo, Américo Amorim, Soares dos Santos, entre tantos outros grandes beneficiários da política de direita, ficarão certamente reconhecidos por tamanha gentileza. Mas, os trabalhadores e o povo, que perderam a habitação ou mal a conseguem pagar, que já não têm dinheiro para alimentos e, muito menos, para medicamentos, que vão hoje, pela mão dos filhos, matar a fome nas cantinas das escolas, que calcorreiam os caminhos da emigração à procura do emprego ou da sorte, que viram as suas micro, pequenas ou médias empresas ir à falência, esses «sentirão» as palavras ocas desses responsáveis políticos como ofensa à sua dignidade pessoal e social.

Evoca-se também esta semana o 100.º aniversário do camarada Sérgio Vilarigues, que, como dirigente, integrou o núcleo central que assegurou a direcção do trabalho do Partido durante largos anos na clandestinidade e no processo da Revolução de Abril.

100.º aniversário a que o PCP dedicou a sessão evocativa do passado dia 3. Militante comunista que arrostando com enormes sacrifícios – prisões, tortura, deportações e clandestinidade - deu um destacado contributo para ajudar a erguer o PCP como grande partido nacional, vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores, força dirigente na luta contra o fascismo e pela liberdade, partido da Revolução de Abril.

Continua a acção de reforço do Partido, que, como refere o comunicado da reunião do CC de 14 de Dezembro «garantiu já o contacto com a maioria dos membros do Partido, e que em várias organizações está já completada ou próxima disso. Assinalam-se importantes resultados na entrega do cartão de membro do Partido e do Programa e Estatutos, na actualização de dados que permite um melhor e mais eficaz funcionamento do Partido, na elevação da militância com expressões na assunção de responsabilidades regulares (por organizações, pelo recebimento de quotas, pela distribuição do Avante! ou por outras tarefas), no aumento do valor das quotizações e no seu pagamento, no alargamento da venda do Avante!, no recrutamento de novos militantes, entre muitos outros aspectos». Urge, pois, superar atrasos e incompreensões que também se verificam em algumas organizações e quadros e completar esta acção e dar concretização às potencialidades e disponibilidades manifestadas.

No âmbito da campanha de recrutamento «Os valores de Abril no futuro de Portugal», regista-se pelo seu significado a adesão ao Partido, desde o início do ano, de 1500 novos militantes, 65% dos quais com menos de 50 anos, 45% com menos de 40 e em que 36% são mulheres.

Comité Central que valorizou também os resultados já conseguidos na Campanha Nacional de Fundos, que confirmam uma grande receptividade e a possibilidade real de atingir os objectivos definidos. Importa, agora, alargar a sua dinamização na organização partidária, prosseguindo o contacto com todos os membros do Partido, com os amigos do Partido e da Festa e com outros democratas, e concretizar com cada um a sua contribuição imediata e o estabelecimento de compromissos até à 40.ª Festa do Avante!

Como sublinha o Comité Central, «o Partido Comunista Português assume-se como a força da ruptura com a política de direita e da construção de uma alternativa patriótica e de esquerda, sem a qual não é possível um Portugal com futuro. O PCP, com a sua intensa acção, a sua força combativa e capacidade de intervenção, enfrentando e ultrapassando dificuldades e obstáculos, esteve, está e estará à altura das suas responsabilidades, perante os trabalhadores, o povo e o País».



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