Editorial

«PCP, força portadora de um projecto de ruptura e de mudança»

2015 DE LUTA E CONFIANÇA

À beirinha da rotação de mais um ano, importa fazer uma recensão retrospectiva a alguns dos acontecimentos que marcaram 2014 e reafirmar linhas de acção para 2015.



No plano político, pelas mãos do Governo PSD-CDS, prosseguiu e aprofundou-se a política de direita, responsável pela situação de calamidade social que estamos a viver com mais desemprego, pobreza, emigração e exclusão social. A exploração e concentração da riqueza atingiram níveis verdadeiramente ultrajantes: cresceram as desigualdades e injustiças sociais e concentrou-se ainda mais o capital nas mãos dos grupos monopolistas, que capturaram o poder político, através do qual hoje controlam e comandam as grandes alavancas da economia nacional e estão na base da pantanosa sucessão de casos de corrupção. Responsabilidade que PSD e CDS partilham com o PS, os três partidos da troika, que aprovaram o pacto de agressão, o Tratado Orçamental e, nas questões estruturantes da política de direita, manifestam identidade de pontos de vista e de prática política (privatizações, direitos dos trabalhadores e legislação laboral, cortes nas funções sociais do Estado e nos serviços públicos, dívida, PEC, euro, entre outros).



Por outro lado, em 2014, afirmou-se uma ampla frente social de resistência à política de direita, combatendo os seus efeitos concretos, em defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores e do povo, de que são exemplos elucidativos as muitas lutas travadas nas empresas e locais de trabalho e as lutas de convergência, que juntaram a acção reivindicativa ao combate pela demissão do Governo, pela ruptura com a política de direita e por uma real alternativa. Luta de massas, que conseguiu importantes vitórias e conquistas cujo significado importa realçar: a devolução dos subsídios de férias e de Natal, a extinção da CES aos reformados, o horário das 35 horas em grande parte da Administração Local, a defesa da contratação colectiva, aumentos de salários em muitas empresas e, embora irrisório, o aumento de 20 euros no Salário Mínimo Nacional. Lutas que contribuíram decisivamente para desgastar e retirar legitimidade e força ao Governo, que sem o apoio do Presidente da República há muito estaria demitido.



Luta de massas, acompanhada, noutro plano, pelo reforço do Partido e a afirmação do seu ideal e projecto, pela dinâmica acção da CDU nas eleições para o Parlamento Europeu, importante batalha política de que resultou o reforço eleitoral que se materializou na eleição do terceiro deputado do PCP, reforço, aliás, que se traduziu, de imediato, na intensificação da acção em defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Marcantes foram também as comemorações do 93.º aniversário do PCP, do 40.º aniversário da Revolução de Abril, a realização da 38.ª edição da Festa do Avante, que este ano foi acompanhada do anúncio da compra da Quinta do Cabo, logo seguida do lançamento da Campanha Nacional de Fundos para a sua aquisição. Merecem ainda destaque a acção «A força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda», o processo de «Diálogo e acção para uma política patriótica e de esquerda», que permitiu o debate com democratas e patriotas, em reuniões, contactos e encontros com entidades diversas para avaliar a situação e expressar a posição do PCP, as jornadas nacionais de propaganda, a realização de numerosas assembleias das organizações, a acção de contacto com os membros do Partido e o recrutamento de novos militantes.



Quinta-feira iniciaremos um novo ano, um 2015 repleto de luta e confiança. Luta que vai continuar por melhores salários e pensões, contra a exploração e o empobrecimento, pelo trabalho com direitos. Ano novo que vai contar também com a luta dos pequenos e médios agricultores; dos micro, pequenos e médios empresários; das mulheres, dos jovens e das pessoas com deficiência; com a luta das populações em defesa dos Serviços Públicos; com a luta pela paz. Em suma, uma verdadeira maré de luta em defesa dos valores de Abril, pela demissão do Governo, pela ruptura com a política de direita e por uma política patriótica e de esquerda. Ruptura e mudança indissociáveis do reforço da CDU nas eleições de 2015, importantes batalhas políticas que, articuladas com a luta de massas como factor determinante e decisivo, contribuirão para a necessária e urgente alternativa.



Impõe-se, por isso, desenvolver um trabalho articulado que inclui: a preparação e concretização, em 28 de Fevereiro, do Encontro Nacional do PCP «Não ao declínio nacional. Soluções para o País»; o prosseguimento da acção «A força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda»; a continuidade da acção de reforço do PCP, finalizando a acção de contacto com os membros do Partido e desenvolvendo a campanha de recrutamento, a Campanha Nacional de Fundos, o reforço do trabalho político unitário, a realização das comemorações do 94.º aniversário do Partido e da 39.ª edição da Festa do Avante!, e a participação nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, do Dia Nacional da Juventude, do 25 de Abril e do 1.º de Maio, entre muitas outras iniciativas e acções.



Como sublinhou o Comité Central, na sua reunião de 14 de Dezembro, «o PCP afirma-se – pelo seu percurso e intervenção – como força portadora de um projecto de ruptura e de mudança na vida nacional, capaz de pôr fim a décadas de política de direita e abrir caminho a uma política patriótica e de esquerda» que se integra na luta pela democracia avançada e pelo socialismo. Com a força do povo, 2015 será um ano de luta e confiança no futuro.

 


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: