A junta fascista da Ucrânia nunca esteve interessada na paz
Guerra na Ucrânia
Kiev intensifica ofensiva

A junta fascista ucraniana agravou a ofensiva contra o Leste do país, fragilizando mais o precário cessar-fogo em vigor desde Setembro de 2014 e a possibilidade da resolução pacífica do conflito.

Se bem que a trégua nunca tenha sido cabalmente observada desde a assinatura dos acordos de Minsk, em Setembro do ano passado, os quais abriram caminho a uma trégua na guerra desencadeada desde Abril por Kiev, os relatos dos últimos dias nas autodenominadas repúblicas populares indicam um recrudescimento dos combates no Donbass.

A longo destes meses o cessar-fogo foi sempre precário, sobretudo em torno do aeroporto internacional de Donetsk, alvo de uma intensa disputa militar. As forças antigolpistas reclamam agora o controlo da infra-estrutura em ruínas e a expulsão do exército ucraniano de uma localidade que lhe fica vizinha, tida como vital para a campanha violenta de Kiev. A junta fascista nega ter perdido o aeroporto e a vila de Peski, mas o facto é que tudo indica ser verdadeiro o relato das autoridades insurrectas, que garantem ter repelido as investidas de colunas de blindados do exército ucraniano, incluindo uma efectuada no domingo, 18, a coberto de persistente fogo de artilharia.

Os bombardeamentos foram ordenados pelo presidente golpista, que justamente no domingo, perante uma multidão reunida na capital da Ucrânia, reiterou que «não vamos ceder um palmo de território» e anunciou «o regresso ao Donbass».

Petro Poroshenko só sublinhou na ocasião a ofensiva já desencadeada no terreno com todos os meios disponíveis. Raides aéreos, mísseis de longo alcance, granadas de morteiro, bombas de até meia tonelada, têm sido lançados sobre as cidades de Donetsk, Makivka e Horlivka, estas últimas pontos nodais de ligação da primeira com a República Popular de Lugansk.

Em Horlivka, os observadores internacionais da Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE) estiveram, domingo, sob assédio durante os bombardeamentos ininterruptos, os quais, segundo o presidente da Câmara, não pouparam escolas e outras estruturas públicas e habitações. Em Donestk, as autoridades também afirmam que as áreas residenciais estão a ser visadas. Segunda-feira, 19, falavam em pelo menos 30 mortos, entre os quais crianças, resultado de mais de meia centena de bombardeamentos, incluindo contra um hospital.

Na quinta-feira, 15, a Human Rights Watch (HRW) repetiu a acusação de que as forças golpistas alvejam áreas civis indiscriminadamente. O líder da HRW voltou mesmo a desmentir o primeiro-ministro ucraniano sobre o uso de bombas de fragmentação e lançadores múltiplos de roquetes.

Kenneth Roth, citado pela Ria-Novosti, referia-se às declarações de Arseny Yatsenyuk, proferidas durante uma recente visita à Alemanha. Questionado por um jornal germânico, Yatsenyuk negou os factos amplamente documentados pela organização e, aliás, apresentados pela HRW a Kiev em reuniões realizadas em Novembro e Dezembro.

As autoridades da República Popular de Donetsk asseguram que nos bombardeamentos de dia 15 sobre o aeroporto o exército ucraniano usou fósforo branco e desafia observadores internacionais a atestarem no local o uso de armamento proibido.

Escalada imparável

Esta segunda-feira, Vladimir Putin reiterou a disponibilidade de Moscovo para, com a OSCE, monitorizar o cumprimento do cessar-fogo subscrito em Misnk. Reiterou porque o presidente russo endereçou ao homólogo da Ucrânia, faz hoje uma semana, uma carta na qual propunha a retirada da artilharia pesada por ambas as partes. «Lamentavelmente, a parte ucraniana não só recusou o plano sugerido e adiantou as suas próprias propostas, como iniciou novamente as acções militares”, explicou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

A demarcação da linha da frente é um elemento de discórdia entre Kiev e os responsáveis das repúblicas populares do Donbass, particularmente no que diz respeito ao aeroporto internacional de Donetsk. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa lembra, no entanto, que de acordo com o documento assinado em Minsk, este «deve ser colocado sob controlo dos “rebeldes”».

A diplomacia russa tem reiterado a sua preocupação com a degradação da situação e realçado a necessidade da resolução pacífica do conflito. O presidente e a junta fascista ucraniana, porém, nunca estiveram interessados na paz. Apenas cederam em Minsk para reagrupar tropas e relançar a ofensiva, nota igualmente a diplomacia russa, para quem um dos argumentos de Kiev para o recrudescimento da guerra é o bombardeamento de um autocarro, terça-feira, 13, em Volnovakha, no qual morreram 12 civis.

A equipa da OSCE não ousa atribuir a autoria daquele ataque às forças antigolpistas do Donbass e estas negam qualquer responsabilidade. Kiev, por seu lado, diz ter sido uma milícia de Donetsk a perpetrar o atentado, regressando a uma linha de «provocação» semelhante à operada a propósito do derrube do avião das linhas aéreas malaias, concluiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.




 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: