Editorial

«A luta tornará possível a alternativa patriótica e de esquerda que defendemos»

INICIATIVA E CONFIANÇA

As eleições na Grécia polarizaram as atenções nas últimas semanas e, previsivelmente, vão continuar a polarizá-las nos próximos tempos. Eleições que ficaram marcadas pela derrota dos partidos que têm governado a Grécia (Nova Democracia e PASOK), ao serviço do grande capital e com o apoio da União Europeia, impondo ao povo grego uma política de desastre económico e social. E significaram também a derrota dos que, na União Europeia, apostaram na estratégia da ingerência e da chantagem sobre o povo grego.

Estes resultados, com a vitória do Syrisa, sem maioria absoluta, revelando a rejeição do rumo de empobrecimento e exploração e a profunda vontade de mudança política, garantiram ao Partido Comunista da Grécia um resultado, alcançado num quadro muito difícil, com mais votos, mais percentagem e mais eleitos do que nas últimas eleições, e que ainda que não recuperando de significativas perdas anteriores, contribuirá para o prosseguimento da sua luta.

Resultados que dão força à ideia de que é possível derrotar as forças políticas que, ao longo de décadas, promoveram a política de direita, como é o caso, em Portugal, do PS, PSD e CDS, o que implica a ruptura com essas políticas, única forma, aliás, de respeitar a vontade de mudança que o povo grego expressou.

A situação nacional, secundarizada pelas eleições na Grécia, continua a agravar-se.

Os indicadores económicos e sociais apontam para a manutenção do desemprego a níveis muito elevados e para a estagnação da actividade económica. Aprofunda-se a degradação dos serviços públicos, nomeadamente o Serviço Nacional de Saúde.

Isto, apesar de diversos traços da conjuntura externa serem hoje mais favoráveis, nomeadamente, o preço do petróleo, os juros e a cotação do euro, potenciando condições para um forte impulso à nossa economia.

Mas ao invés, as informações sobre a execução orçamental mostram que os êxitos que o Governo anuncia, e que representarão adiante novas dificuldades para a vida dos trabalhadores, do povo e do País, são alcançados à custa da brutal carga fiscal sobre estes, que pagaram mais 450 milhões de euros em IRS enquanto o capital pagou a menos em IRC um valor equivalente.

Perante este cenário, a decisão do BCE de comprar dívida pública no mercado secundário nos próximos tempos confirma, por um lado, a persistência e profundidade da crise económica e financeira na UE e na Zona Euro e representa, por outro lado, novas entregas de apoios milionários ao capital financeiro e aos grandes grupos económicos, e maioritariamente aos países mais ricos e poderosos. Medidas que o PS já veio aplaudir e que estão associadas a contrapartidas que significam mais ataques aos direitos e aos rendimentos do trabalho e a novos ataques às funções sociais do Estado.

PS que, procurando apresentar-se como um partido de esquerda, continua a não assumir qualquer compromisso de ruptura com a política de direita e aponta soluções que não resolvem e antes agravam os problemas, como é o caso das propostas avançadas sobre a mobilidade dos trabalhadores da Administração Pública.

O PCP mantém uma dinâmica iniciativa política, em que se inseriram, na semana passada, o Comício no Algarve, a iniciativa sobre o euro e a dívida em Castelo Branco e Ourém, a audição com ORT do sector ferroviário, entre outras, apesar do silenciamento a que são votadas as suas propostas concretas, com o objectivo de apresentar o PCP como um partido de protesto, sem ideias nem propostas e que, portanto, não conta para a alternativa.

Importa, por isso, levar por diante as linhas de acção definidas, nomeadamente, o reforço do Partido – finalizar a acção nacional de contactos, que constitui a prioridade em todas as organizações e o recrutamento de novos militantes –, intensificar a luta e a acção reivindicativa em torno dos problemas concretos nas empresas, locais de trabalho e sectores e em torno da defesa dos serviços públicos (26 a 30 de Janeiro – Jornada do STAL em torno das 35horas; 30 de Janeiro – manifestação nacional da Função Pública em Lisboa; 20 de Fevereiro – greve dos trabalhadores não docentes das escolas, greve dos docentes à realização da PACC durante o mês de Fevereiro, para só referir as que estão marcadas pelo movimento sindical unitário para os tempos mais próximos) e alargar a acção e diálogo para a unidade e convergência com democratas e patriotas.

Iniciativa política que vai prosseguir, acentuando o protesto face aos problemas concretos; denunciando as consequências imediatas e futuras das opções do Governo; insistindo nas propostas do Partido; incutindo confiança; aprofundando o debate em torno do Encontro Nacional do Partido, a 28 de Fevereiro, para garantir uma grande participação; levando tão longe quanto possível o contacto com os utentes dos serviços de saúde; dando centralidade às questões da alternativa. Iniciativa política em que se integram as Jornadas sobre Economia do Mar, a 30 e 31 Janeiro; o jantar em Coimbra, amanhã; as Jornadas Parlamentares a 2 e 3 de Fevereiro no distrito de Aveiro; o Comício para assinalar os 40 anos da I Conferência dos Trabalhadores Agrícolas do Sul, em Évora, a 7 de Fevereiro e, no dia 14, a Sessão Pública, no Porto. 

Temos orientação, caminho e perspectivas; vivemos um ambiente de unidade, coesão e confiança; temos propostas e soluções para os problemas; estamos disponíveis para assumir todas as responsabilidades que os trabalhadores e o povo nos queiram confiar. Mais tarde ou mais cedo, a luta tornará possível a alternativa patriótica e de esquerda que defendemos.

 


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