Editorial

«Um Partido que, falando verdade ao povo, já mostrou ser de confiança»

PARTIDO DE CONFIANÇA

Os indicadores económicos e sociais continuam a desmentir a propaganda do Governo. Os resultados do inquérito do INE às condições de vida e rendimento dos portugueses não deixam margem para dúvidas sobre a trágica situação a que chegámos: nos últimos quatro anos, 808 mil portugueses foram arrastados para a pobreza, que atinge hoje um total de 2,7 milhões (25,9 por cento). A evolução do PIB, no último trimestre de 2014, mostra um crescimento económico anémico ou de estagnação.

No final do 3.º trimestre de 2014, a dívida pública, que equivalia a 131,4 por cento do PIB, excedia em muito qualquer limiar de sustentabilidade. Os juros e outros encargos desta dívida ultrapassarão em 2015 os 8000 milhões de euros, o que restringe brutalmente a capacidade de investimento do País e a capacidade do Estado em cumprir as funções e competências constitucionalmente atribuídas.

O desemprego alastra como mancha de óleo, à medida que novas empresas são privatizadas (entre as quais empresas de sectores estratégicos como a PT e a TAP) ou encerradas e avançam os processos de despedimento, ditos de «requalificação», na Administração Pública.

As micro, pequenas e médias empresas vivem momentos de grande aflição, sufocadas pelo peso duma enorme e injusta carga fiscal ou dos custos insustentáveis dos factores de produção. A agricultura definha,  exposta a uma política de deliberada desprotecção (fim das quotas leiteiras, extinção da Casa do Douro, criação de condições para o roubo dos baldios, exposição da produção nacional à concorrência dos produtos estrangeiros).

Sujeitos aos sucessivos cortes e desvalorizações dos seus salários, os trabalhadores do sector privado e os do sector público perderam, entre 2011 e 2014, respectivamente, 12 e 22 por cento do seu poder de compra.

As funções sociais do Estado, nas áreas da Saúde, Educação e Justiça mergulharam numa situação que oscila entre a crescente inacessibilidade e o caos.

Perante esta situação de catástrofe, e enquanto o Governo, a pensar nas eleições, insiste na sua propaganda enganosa da recuperação económica e do crescente bem-estar social, o PS, sem real alternativa, ora se vai distanciando do PASOK, na Grécia, clamorosamente derrotado nas últimas eleições, ora procura simular diferenças de fundo com a política do Governo, em Portugal. Não consegue, no entanto, iludir o facto de, em questões tão determinantes como a dívida, o euro, a soberania, o Tratado Orçamental, a política de privatizações, o favorecimento do grande capital no processo de integração europeia, a centralização administrativa, entre tantos outros aspectos, manter uma indisfarçável identidade com os eixos estruturantes da política de direita.

No combate a esta política, por uma real alternativa, está o PCP, que realizou na última semana um diversificado conjunto de iniciativas: as Jornadas temáticas sobre «Investigação, Inovação e criação de empregos na Economia do Mar» levadas a cabo pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu, nos dias 30 e 31 de Janeiro, que traduzem a sua firme posição de combate em defesa e pelo desenvolvimento dos sectores ligados a actividades económicas associadas ao mar; as Jornadas Parlamentares que os deputados do PCP na Assembleia da República realizaram, dias 2 e 3, no distrito de Aveiro, onde, a par do contacto com a realidade sócio-económica daquele distrito, o PCP apontou soluções para os problemas e anunciou a apresentação na AR de um conjunto de projectos e propostas para o desenvolvimento da Região e do País; a realização em Coimbra, na passada sexta-feira, de um jantar com muitas centenas de participantes; os contactos realizados com membros do Partido; os compromissos assumidos para a Campanha Nacional de Fundos; as visitas, com a participação do Secretário-geral, a importantes estruturas de apoio social; a audição pública sobre a situação no Serviço Nacional de Saúde. De grande significado se revestiu também a participação e intervenção do Secretário-geral do PCP, camarada Jerónimo de Sousa, a convite da embaixadora da África do Sul, na celebração em homenagem aos Activistas Anti-Apartheid realizada naquela embaixada, há uma semana.

No plano da luta de massas, realizaram-se importantes acções, como foi a semana de luta do STAL, a manifestação nacional da Função Pública e a greve dos trabalhadores dos granitos de Alpalhão. Mantém-se a greve dos docentes à realização da PACC. De 6 a 18 de Fevereiro, vai realizar-se a greve de 2 horas por turno dos trabalhadores da Efacec; a 12, a dos trabalhadores dos TST; a 20, a dos trabalhadores não docentes das escolas e, a 13 de Março, a greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública. Significativa foi também a reunião do Conselho Nacional da CGTP-IN que decidiu convocar uma Jornada Nacional de Luta para o dia 7 de Março, com manifestações e concentrações nos distritos do Continente e nas Regiões Autónomas.

A luta dos trabalhadores e dos povos, por essa Europa fora, faz soprar ventos de mudança. O grande capital, temendo a inevitável derrota, agita o velho espantalho do medo e da chantagem. Os três partidos do arco da política de direita em Portugal reagem, nervosos, procurando afivelar as máscaras que melhor sirvam à continuação desta política de exploração e empobrecimento.

Incomoda-os, sobretudo, que os trabalhadores e o povo, na sua luta pelo futuro, possam contar sempre com o PCP. Um Partido de luta e de protesto, mas também de propostas e soluções. Um Partido de real alternativa que, falando verdade ao povo, já mostrou ser de confiança.



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