Editorial

«Portugal não está condenado nem à política de direita nem ao rotativismo entre PS e PSD com ou sem o CDS»

A MUDANÇA É POSSÍVEL!

O Comité Central, reunido no dia 9 de Fevereiro de 2015, analisou aspectos recentes da situação nacional e internacional, bem como da evolução na União Europeia e da crise que a envolve; procedeu a uma avaliação da situação do País e às causas e responsáveis associados ao rumo de declínio nacional; debateu e fixou os elementos centrais da luta pela ruptura com a política de direita e a afirmação da política patriótica e de esquerda. O Comité Central debateu ainda as ideias centrais com vista à intervenção nas eleições legislativas deste ano que, articulada com a luta de massas, constitui um importante momento de luta por uma política alternativa; e identificou as direcções de trabalho com vista ao reforço da organização do Partido e da sua iniciativa política.

A 15 de Fevereiro de 1931, publicava-se o primeiro número do Avante!, quando, após o golpe militar de 28 de Maio de 1926, avançava a passos largos a estruturação do Estado fascista em Portugal. Como órgão central do PCP, o Avante! seria durante 43 anos o porta-voz dum Partido que decidira enfrentar a ditadura fascista e lutar pelo seu derrube. Com a Revolução de Abril, o Avante! afirma-se como porta-voz das massas, a voz da aliança povo-MFA, o órgão central de um Partido em luta pelas transformações revolucionárias. Com a contra-revolução, iniciada com a tomada de posse do I Governo Constitucional (PS/Mário Soares), o Avante! dá expressão ao papel decisivo do PCP e da luta organizada das massas na resistência à política de direita prosseguida por PS, PSD e CDS, ao longo dos últimos 38 anos e responsável pela actual situação de desastre nacional. Hoje, o Avante! continua a cumprir o seu papel de porta-voz da luta organizada dos trabalhadores e do povo, contribuindo, como organizador colectivo, para o reforço do PCP, para a construção da unidade e convergência com democratas e patriotas, pela ruptura com a política de direita, por uma alternativa patriótica e de esquerda, componente indissociável da luta por uma democracia avançada – os valores de Abril no futuro de Portugal, pelo socialismo e o comunismo.

Com o aproximar das eleições, o Governo tudo faz para, enganando o povo, se mostrar como verdadeiro salvador de um País que o PS deixara à beira da bancarrota. Afirmam que tomaram as medidas difíceis e impopulares, mas que valeu a pena porque, agora, estamos num momento de viragem, numa fase de recuperação económica, com o povo a respirar de alívio e Portugal a gozar de renovada confiança nos mercados.

O PS, por sua vez, aponta o dedo acusador ao Governo e, simulando oposição à esquerda, tudo faz para que os portugueses esqueçam os seus anos de governo (de que António Costa fez parte), os PEC, verdadeiros percursores do pacto de agressão da troika, que também negociou e subscreveu, a política de exploração e empobrecimento, a subordinação aos mecanismos da União Económica e Monetária com as graves limitações à soberania e independência nacionais que estamos a viver.

O PCP, pela sua parte, tudo continua a fazer pela ruptura com a política de direita e pela construção da alternativa política que, na sua concretização, exige um governo patriótico e de esquerda. PCP que realizou, no passado sábado, em Évora, com a participação do Secretário-geral, um grande comício quer pela participação, quer pelo seu profundo significado, ao evocar a Reforma Agrária como grande conquista da Revolução Portuguesa, cuja consigna «a terra a quem a trabalha» se projecta como valor no futuro de Portugal. Comício onde o camarada Jerónimo de Sousa sublinhou que «é necessário agir sobre as causas que conduziram à situação de crise e dependência para onde o País foi empurrado. É necessário atacar e resolver os problemas que estiveram na origem do galopante endividamento público: a desindustrialização, a desvalorização da agricultura e das pescas, o abandono do aparelho produtivo nacional e dos nossos recursos, e são muitos, a especulação financeira, a submissão às imposições da União Europeia e dos grandes grupos económicos nacionais e estrangeiros, a perda da soberania monetária.»

Como sublinha o comunicado da reunião do CC, «está nas mãos dos trabalhadores e do povo com a sua acção, a sua luta e o seu voto dar suporte e viabilidade» a uma outra política. Afirmação confiante que, certamente, vai sair reforçada do Encontro Nacional do Partido «Não ao declínio nacional. Soluções para o País», que terá lugar no dia 28 de Fevereiro, no Pavilhão Paz e Amizade, no concelho de Loures. E se vai igualmente continuar a aprofundar na acção de reforço do Partido em curso, em que se destaca como grande prioridade, neste momento, a conclusão da acção de contactos.

Intensifica-se também a luta de massas com a greve dos trabalhadores não docentes das escolas, a 20 de Fevereiro; a jornada nacional com manifestações em todo o País decidida pela CGTP-IN para o dia 7 de Março; as comemorações do 8 de Março, Dia Internacional da Mulher; a greve dos trabalhadores da AP, a 13 de Março; a Marcha Nacional da Juventude, com acções localizadas, a culminar com uma manifestação nacional, no dia 28 de Março em Lisboa; as comemorações do 25 de Abril e a grande jornada de luta e de festa do 1.º de Maio.

O PCP e a CDU têm soluções para o País. Com o seu reforço, com a luta dos trabalhadores e do povo, com a unidade e convergência de democratas e patriotas, a mudança é possível. É possível, necessária e urgente.



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