Editorial

«Com a força do povo e o reforço do PCP e da CDU não há desafios invencíveis nem mudanças impossíveis»

REFORÇAR A LUTA<br>O PCP E A CDU

Transformado em máquina de propaganda eleitoral do PSD e CDS-PP, o Governo prossegue a sua acção. Propaganda enganosa, no essencial, idêntica à que antecedeu as eleições para o Parlamento Europeu de 2014 e que, no entanto, não logrou impedir a histórica derrota eleitoral destes partidos. Uma derrota eleitoral antecedida pela derrota social que os trabalhadores e o povo há muito lhe haviam infligido, nos locais de trabalho e nas ruas. Devem, por isso, ser vistos como tentativas de condicionamento e grosseira manipulação, por um lado, o silenciamento por parte da comunicação social dominante da actividade do PCP e das suas soluções para o País e, por outro, algumas sondagens que, fingindo ignorar o enorme desgaste social dos partidos do Governo, projectam um conveniente empate técnico entre estes partidos e o PS, para assim, recorrendo a medos e novas ilusões, induzirem ao «voto útil» no PS e, por essa via, ao prosseguimento da política de direita.

Para lá da propaganda e deste jogo de ilusões, vai-se aprofundando a situação pantanosa do País, onde germinam os escândalos com que somos confrontados: privatizações escandalosas, casos de corrupção, evasão e fraude fiscal, negócios obscuros e, agora, a situação contributiva do primeiro-ministro perante a Segurança Social. Situação que o PCP denunciou e condena, exigindo, mais uma vez, ao Presidente da República a demissão do Governo e a convocação de eleições antecipadas, sem deixar de se bater pela questão central que é a ruptura com esta política e a concretização duma alternativa patriótica e de esquerda.

Situação contributiva que o PS aproveitou para disfarçar a ausência de propostas e compromissos com a ruptura e a mudança necessárias e o Presidente da República, para reafirmar o seu alinhamento activo com a política de direita e o Governo. Presidente da República que, como actor da política de direita, não tem autoridade para definir, como o fez recentemente, o perfil do próximo Presidente.

O Governo prossegue também a sua política de extorsão e de confisco com a brutal subida do IMI, prevista no OE 2015. Subida que o PCP oportunamente denunciou e continua a combater. Sobe igualmente a tarifa de energia em três por cento, ao mesmo tempo que a EDP apresentou lucros em 2014, pelo 9.º ano consecutivo, de mais de mil milhões de euros e os CTT de 77 milhões. O que vem mostrar, de novo, o grave prejuízo para a economia nacional que foi a privatização destas empresas estratégicas, que urge devolver ao controlo público.

E quando se comemora o 40.º aniversário da nacionalização da Banca, prossegue também o processo de fusões, extinções e compras de bancos, visando a concentração do capital e uma posição preponderante do capital estrangeiro na nossa economia, colocando na ordem do dia a necessidade do controlo público da banca comercial, como preconiza o PCP.

Contra esta política e por uma «política soberana e de esquerda», manifestaram-se, no passado sábado, muitos milhares de portugueses, de Norte a Sul do País e, na véspera, nas Regiões Autónomas. Luta que vai prosseguir amanhã com a greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública, com a Marcha da Interjovem a finalizar em manifestação no próximo dia 28 de Março, com as lutas dos estudantes dos ensinos Secundário e Superior e dos residentes nos bairros sociais confrontados com aumentos brutais das suas rendas e a precarização dos seus contratos.

O Partido, ainda sob o impacto positivo do grande Encontro Nacional de 28 de Fevereiro, intensifica a sua acção, a pensar na nova batalha eleitoral, em ligação à luta de massas, factor determinante e decisivo para a ruptura com a política de direita e para a construção da alternativa. Alternativa só possível com o reforço do PCP e da expressão eleitoral da CDU, com a criação de uma ampla frente social e da unidade e convergência de democratas e patriotas.

Intensa acção em que se destaca as muitas iniciativas de comemorações do 94.º aniversário do Partido e, em especial, o comício da passada 6.ª feira em Lisboa e o almoço de domingo no Seixal, com a participação do camarada Jerónimo de Sousa, a acção nacional de contactos com importantes avanços, a campanha nacional de fundos e a campanha de recrutamento de dois mil novos militantes. Acção e iniciativa que contou com importantes participações e contributos na audição sobre o TTIP (Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio com os EUA) do passado dia 3 e na audição sobre o Programa Eleitoral do PCP da passada 3.ª feira e continua, agora, na acção «Com a força do povo, construir soluções para o País», que hoje mesmo tem início.

Seguem-se as iniciativas de aniversário do Partido no Porto, Funchal (que marcará também o início da campanha eleitoral da CDU para as eleições regionais da Madeira) e Alentejo, com a participação do Secretário-geral do Partido e a 15.ª Conferência Nacional do Ensino Superior da JCP do próximo sábado, em Coimbra.

Destaque ainda para o diversificado leque de iniciativas levadas a cabo pelo PCP e organizações unitárias das mulheres de comemoração do Dia Internacional da Mulher um pouco por todo o País. Uma luta para efectivar direitos, na lei e na vida e assegurar a participação em igualdade, o que não é possível sem a ruptura com a política de direita e o apoio das mulheres a uma política patriótica e de esquerda.

Grandes são os desafios que temos pela frente. Mas com a força do povo e o reforço do PCP e da CDU, não há desafios invencíveis nem mudanças impossíveis.

 


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