Cabe ao governo reforçar a perspectiva de novas conquistas
Ameaça antidemocrática no Brasil
Apelo ao golpe e à ditadura

A pretexto do combate à corrupção, a direita brasileira, arrastando incautos descontentes com problemas reais, saiu à rua no domingo, 15, e apelou impeachment da presidente Dilma, ao golpe militar e ao regresso da ditadura.

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«O grande aparato mediático e económico em campanha há mais de dois meses inchou a manifestação deste domingo contra o governo Dilma. Grupos das camadas da população que desde a campanha de 2014 se colocaram raivosamente contra o ciclo aberto por Lula e continuado por Dilma vieram às ruas destilando o ódio, o preconceito e a intolerância fascizante». As palavras são do presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Renato Rabelo, que em declarações ao Portal Vermelho sublinhou a necessidade de «unir todas as forças possíveis interessadas em continuar o avanço das conquistas sociais e em defesa do Brasil». Para o dirigente comunista, «cabe ao governo Dilma aplicar mais ainda o projecto de governo por meio de constante diálogo que una e amplie a base social que a elegeu e reforce a perspectiva de novas conquistas».

Convocadas por grupos de direita e extrema-direita, por partidos neoliberais e conservadores, centenas de milhares de pessoas saíram à rua em cerca de 20 capitais de estados, com particular destaque para São Paulo, onde a manifestação reuniu, segundo as agências, cerca de 200 mil pessoas. De acordo com o Vermelho, as manifestações contaram com «financiamento empresarial, a infraestrutura de uma central sindical que traiu os trabalhadores brasileiros, e tiveram ao seu serviço uma ampla, massiva e nauseante agitação política e propagandística realizada durante mais de um mês e desde as primeiras horas do dia pela Rede Globo de Televisão, estações de rádio e as edições on line dos principais jornais monopolistas».

A escolha da data para as manifestações não terá sido inocente, como de resto evidenciam as palavras de ordem que as caracterizaram: a 15 de Março de 1985 tomava posse o primeiro presidente civil depois de 21 anos de ditadura militar; 30 anos depois, os «protestos», que pretensamente seriam contra a corrupção, apelaram abertamente ao golpe e ao regresso da ditadura.

Aprofundar a democracia

A campanha da direita contra o governo de Dilma Rousseff, se não pode ser desligada da ofensiva mais geral que está em desenvolvimento no continente americano, resulta igualmente de debilidades e problemas internos. Como afirmava em finais de Fevereiro João Pedro Stedile, coordenador do MST, em entrevista ao Carta Capital, o segundo mandato de Dilma «começou mal, pois deu sinais de aceitar as pressões da direita e a agenda neoliberal». Para o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, a direita está agora a tentar «acuar o governo» para que ele «tenha medo de fazer as mudanças que o povo votou e quer no segundo mandato». Trata-se de «sangrar o governo, desgastá-lo para colher os frutos em 2018», afirma Stedile, que acredita que a «sociedade não aceitará nenhuma aventura golpista, via Congresso ou Poder Judicial», mas adverte que cabe ao governo «honrar o programa que o elegeu».

Os milhares de pessoas que nos dias 12 e 13 se manifestaram contra o golpe em diversas cidades brasileiras não mereceram a atenção dos media dominantes. Nessas manifestações não se exigiu o regresso à ditadura nem o impeachment da presidente. Exigiu-se, sim, o aprofundamento da democracia, o avanço das conquistas sociais, a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e do Brasil.




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