Editorial

«Corrente de exigência de mudança, de alternativa e de futuro»

ALARGAR O APOIO À CDU

Evoca-se esta semana o 100.º aniversário do nascimento do camarada Dias Lourenço que, como destacado dirigente comunista, integrou o núcleo central que assegurou a direcção do trabalho do Partido durante largos anos na clandestinidade e no processo da Revolução de Abril. 100.º aniversário a que o PCP dedicou a sessão evocativa de ontem e a exposição patente na Casa do Alentejo até ao próximo dia 29.

Militante e dirigente comunista que arrostando com enormes sacrifícios – 17 anos de prisão, torturas brutais, privações e clandestinidade – deu um destacado contributo para ajudar a erguer o PCP como grande partido nacional, vanguarda da classe operária e de todos os trabalhadores, força dirigente da luta contra o fascismo e pela liberdade, partido da Revolução de Abril.

Dias Lourenço desempenhou também importantes responsabilidades na criação, defesa e divulgação da imprensa comunista e, em particular, como director do Avante! legal entre 1974 e 1991. Avante!, o único jornal que se notabilizou pelo seu papel na resistência ao fascismo, que se identificou com as transformações revolucionárias de Abril, que se bateu e continua a bater contra o processo contra-revolucionário que prossegue nos dias de hoje com a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda, por uma democracia vinculada aos valores de Abril, pelo socialismo e o comunismo.

A situação social e política continua marcada por uma sucessão de casos (carreira contributiva de Passos Coelho, lista VIP, declarações da ministra das Finanças) geridos pelo grande capital como forma de secundarizar e descentrar as grandes questões políticas, em benefício do PS e PSD. Uma lógica dispersante que, tapando uns casos com outros casos, vai tentando descredibilizar a vida política e gerar sentimentos de indignação e conformismo. Situação agravada com as manobras dos que insistem na reforma do sistema político que a Constituição consagra, tentando abrir caminho à sua revisão. E, neste quadro de grande confusão, procuram baralhar ainda mais, trazendo para a ordem do dia, em grande força, as eleições presidenciais como se estas fossem a prioridade política deste momento. Tentam, deste modo, retirar centralidade às eleições legislativas e à luta pela ruptura e alternativa que o PCP e a CDU, ouvindo e acolhendo diversos contributos, avançam na sua proposta de política patriótica e de esquerda.

Foi também neste quadro, persistindo na denúncia da atitude da comunicação social dominante de silenciamento da actividade e das propostas do PCP e da CDU, dando prioridade à luta e ao seu desenvolvimento, ao reforço orgânico do Partido, às eleições legislativas e à necessidade de ruptura com este governo e esta política e por uma alternativa, que o PCP realizou um vasto conjunto de iniciativas pelo País, em que sobressai a 9.ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal, com a participação de 650 delegados que, nas suas intervenções, votações e conclusões espelharam a grande unidade, coesão e confiança que se vive no Partido. Foi assim também nos Encontros CDU da cidade de Lisboa e dos concelhos de Loures e de Coimbra e nas muitas outras iniciativas pelo País. E assim foi também no encontro com o Cardeal D. Manuel Clemente, na passada 3.ª feira, no âmbito do «Diálogo e acção por uma política patriótica e de esquerda». Encontro que o PCP reputa de grande significado e importância, que permitiu colocar questões na vertente social e naturalizar as relações do PCP com os Católicos e a Igreja. Relações que o PCP sempre valorizou e procura preservar como se depreende das palavras do camarada Álvaro Cunhal, proferidas em Braga, em 30 de Novembro de 1974: «comunistas e católicos participam no mesmo esforço criador, ao lado das forças democráticas e do Movimento das Forças Armadas, na lutas contra as injustiças sociais, na realização de uma política que tem em vista o melhoramento das condições de vida do povo trabalhador, na defesa da liberdade, na edificação de um Portugal democrático e independente». Acção que incluiu também o encontro com independentes, no Porto, no mesmo dia, o trabalho de preparação das eleições regionais da Madeira do próximo domingo e a preparação das eleições legislativas. Preparação em que se integrou o acto público da CDU da passada 2.ª feira, onde ID, PEV e PCP anunciaram a formalização política da Coligação Democrática Unitária e a realização da marcha nacional «A força do povo», todos à rua por um Portugal com futuro, do dia 6 de Junho, entre o Marquês de Pombal e a Baixa de Lisboa, pela libertação e dignidade nacionais por uma política patriótica e de esquerda.

Prossegue também a luta dos trabalhadores e das populações, esta semana, com a Marcha da Juventude, que culminará na Manifestação Nacional do próximo sábado, em Lisboa. Que teve lugar, na passada 3.ª feira, nas lutas dos estudantes do ensino superior; que vai ter hoje expressão em Braga na manifestação de agricultores promovida pela CNA; no dia 11 de Abril, na luta dos reformados promovida pelo MURPI; nas comemorações do 25 de Abril e na grande jornada de festa e de luta que vão ser as comemorações do 1.º de Maio.

A situação que vivemos é difícil para milhões de portugueses. Mas é possível um caminho de rupura e de mudança. Daí, a oportunidade e a justeza do apelo do camarada Jerónimo de Sousa no Acto Público da passada 2.ª feira: «Juntem-se à CDU, sejam parte activa desta corrente de exigência de mudança, de alternativa e de futuro».

 


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