Contestação social alarga-se na Bélgica
Grande Parada junta milhares em Bruxelas
Desfile festivo por justiça social

Apesar do frio, do vento e da chuva, cerca de 20 mil pessoas participaram, dia 29, na marcha de protesto, convocada pelos movimentos belgas Tout autre Chose e Hart boven Hard.

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O desfile, apoiado por sindicatos e pelo Partido do Trabalho da Bélgica, mobilizou gente de todas as regiões do país, de todas as idades, origens e culturas.

Expressando-se das mais diversas formas, os manifestantes vieram sobretudo afirmar que existem alternativas às políticas de austeridade seguidas pelo governo.

Dez temas, «dez horizontes diferentes», propostos pelos organizadores, serviram de mote à criatividade de cada um, numa manifestação que se queria de protesto contras a austeridade, mas também de festa e de humor.

E embora as condições meteorológicas tivessem limitado as possibilidades da indumentária, não faltaram cores garridas, viaturas alegóricas, gigantões, bandas de sopro e brigadas de percussão, cartazes e dísticos, versando sobre as candentes questões sociais que dominam a actualidade belga.

Pugnando por uma outra sociedade em que a investigação científica, o ensino, a saúde, a cultura ou o desporto sejam encarados como «bens comuns», os promotores da jornada incluíram igualmente na sua proclamação exigências como justiça fiscal, emprego digno, solidariedade entre gerações e contra a pobreza, direito ao lazer, renovação industrial respeitadora do ambiente, afirmação da diversidade cultural, religiosa, sem xenofobia e racismo, mas também o aprofundamento da democracia, com a rejeição de tratados internacionais que limitam o direito dos povos a escolher o seu destino.

Aderindo a estes objectivos gerais, ao protesto juntaram-se associações de luta contra a pobreza, nomeadamente a Oxfam, a Rede pela Justiça Fiscal, o movimento da paz, associações juvenis, de reformados e pré-reformados.

Mas também estiveram milhares de pessoas anónimas, famílias inteiras, que quiseram participar no animado desfile.

Segundo afirmou Wouter Hillaert, porta-voz do movimento Hart boven Hard, «uma coisa nos une a todos: o facto de não podermos aceitar mais a lógica da austeridade dos governos. Os nossos simpatizantes não querem que a Bélgica se torne num país que apenas aspira a satisfazer friamente o lucro financeiro e que permanece surdo às necessidades humanas.

Luta sem pausas

Logo no dia seguinte, cerca de sete mil dirigentes e activistas das três maiores centrais sindicais (FGTB, CSC e CGSLB) manifestaram-se em Bruxelas contra as políticas do governo, exigindo a manutenção do sistema automático de actualização salarial e a suspensão da subida da idade de reforma para os 67 anos.

A acção juntou trabalhadores de todos os sectores da capital belga, e das províncias de Brabante Valão e Brabante Flamengo.

Logo de manhã, brigadas de activistas sindicais distribuíram comunicados à população nas estações ferroviárias de Bruxelas. Durante o desfile ouviu-se a palavra de ordem: «Não há solução, greve geral». 




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