Para os pequenos e médios agricultores são só migalhas
Mais de três mil agricultores manifestam-se
em Braga
Em defesa <br>da produção nacional

Milhares de agricultores e compartes de baldios marcaram presença, no dia 26, em Braga, na manifestação nacional organizada pela Confederação Nacional da Agricultura e pelas suas associadas. Na data que assinalou a abertura da Feira AGRO, nas ruas exigiu-se uma outra política agrícola com preços justos à produção nacional.

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De todo o País, deslocaram-se a Braga mais de três mil pequenos e médios agricultores, produtores de gado e compartes de baldios, num imenso grito em defesa da agricultura familiar e do mundo rural.

Frente à antiga Direcção Regional de Agricultura foram chegando dezenas de autocarros, de onde saíam os manifestantes, que, numa hora, enchiam já as estradas.

Dali, Pedro Santos, do Executivo da CNA, saudou aquela acção, bem como os homens e mulheres que ali se juntaram para defender uma política agrícola com preços justos à produção. Dirigiu ainda duras críticas ao Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020 e à Política Agrícola Comum, feitos para os grandes proprietários e para o grande agro-negócio, afastando os jovens agricultores da agricultura familiar, impossibilitados de aceder aos novos projectos devido ao grande aumento das exigências financeiras que o PDR impõe, prova de que a esmagadora maioria das ajudas e de outros apoios oficiais – tanto da União Europeia como do Governo – não chegam aos pequenos e médios agricultores.

Na faixa que encabeçava o desfile podia inclusive ler-se: «PAC e PDR 2020 são para os grandes e o agro-negócio! Para os pequenos e médios agricultores são só migalhas!»

Presente esteve também a insatisfação com os baixos rendimentos das explorações agrícolas familiares – muito devido aos custos especulativos de factores de produção como o gasóleo agrícola, a electricidade, as rações, e devido à baixa generalizada dos preços à produção nacional – e com a «ditadura» comercial imposta pelos hipermercados, que promove as importações e contribui para a falta de escoamento, a melhores preços, da nossa produção.

Fim das quotas

A manifestação rumou ao centro da cidade, onde foi feita uma distribuição de leite nacional à população, enquanto Albino Silva, da Associação de Lavoura do Distrito de Aveiro, sublinhou a necessidade de defender as quotas de leite pós 2015, que acabam esta semana (ver página 19), e a correcção das regras do sistema do «esverdeamento» da PAC.

No final, já em frente à entrada do Parque de Exposições, onde anualmente se realiza a Feira AGRO, Armando Carvalho, dirigente da BALADI – Federação Nacional dos Baldios, saudou a entrega no Tribunal Constitucional de um pedido de apreciação da constitucionalidade das alterações à Lei dos Baldios, processo que, promovido pelo PCP, juntou o Partido Ecologista «Os Verdes» e o BE na denúncia de uma ofensiva legislativa que atenta contra a propriedade comunitária e dos direitos dos povos e compartes dos baldios.

Neste protesto ouviram ainda Berta Santos, dirigente da AVIDOURO, em defesa da Casa do Douro e do património da Lavoura Duriense, e António Ferraria, dirigente de Leiria, que lembrou a acção desgraçada do Governo que, através da Bolsa de Terras – Lei da Florestação e Reflorestação – e da Lei dos Solos, põe em causa a propriedade dos pequenos e médios agricultores e produtores florestais.

Determinação e luta

Coube a João Dinis, do Executivo da CNA, a leitura da proposta de resolução que encerrava as principais reivindicações referidas, bem como indemnizações justas e pagas a tempo e horas pelos prejuízos causados pelos lobos; a anulação da nova Lei dos Baldios e respeito pela posse e gestão dos mesmos pelos povos e compartes; contra os cortes nas ajudas às pastagens e o fim da eucaliptização sem freios e combate eficaz às doenças e pragas da floresta.

A fechar a acção, José Lobato sublinhou a determinação dos presentes em lutar por uma outra política agrícola.




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