O Governo
nada fez
para haver
uma solução
Acordo no Clube Praia da Rocha
Vitória anima novas lutas

Mais de duas semanas de vigília e várias acções de solidariedade tiveram como desfecho um acordo para pagamento da dívida aos ex-trabalhadores do Clube Praia da Rocha.

Não começou a 20 de Março a luta dos 30 trabalhadores que foram despedidos em Outubro, mas a quem o patrão da Green Stairs, que gere os apartamentos turísticos Clube Praia da Rocha, em Portimão, ficou a dever mais de dois meses de salários, bem como subsídios de férias e Natal e outros direitos.
O tempo decorrido, a situação pessoal e familiar agravada e a urgência de uma solução que os trabalhadores não viam assegurada foram factores que pesaram na decisão de se deslocarem, naquela sexta-feira, ao escritório da firma, ocupando a recepção.
Nessa manhã, quando uma trabalhadora se acorrentou no interior e os outros camaradas decidiram permanecer no exterior, não sabiam quanto tempo o combate iria durar. Contavam com a sua determinação, a sua unidade e a acção organizada do Sindicato da Hotelaria do Algarve, da Fesaht/CGTP-IN. Suportaram duas semanas de adversidades, suscitaram um amplo movimento de solidariedade e no dia 3, sexta-feira, alcançaram um acordo, para receberem um mês de salário até 15 de Abril e para que toda a dívida fique saldada até 15 de Junho.
No sábado, esta vitória e as suas ilações foram solene e alegremente comunicadas em conferência de imprensa, no local que foi palco de uma batalha decisiva.
Tiago Jacinto, coordenador do sindicato, valorizou a coragem e a determinação das trabalhadoras e dos trabalhadores, que tiveram que enfrentar «o frio, o cansaço pelas poucas horas dormidas, as manobras, pressões e chantagens do sr. Paulo Martins», o patrão. O dirigente sindical, que acompanhou este caso praticamente desde o início, sublinhou que «foi uma luta colectiva, que não teria sido possível sem a participação colectiva e a solidariedade», mas fez questão de «destacar a coragem, a determinação e a firmeza da Marilu Santana que, farta das promessas do patrão e das injustiças, farta da exploração, decidiu acorrentar-se no interior das instalações».
Assinado o acordo, só cerca das 23 horas a trabalhadora se libertou das correntes e, como relatou no dia 4 o Sul Informação, decidiu não ir ainda dormir a casa, para «dormir aqui, com os meus colegas», que «estiveram aqui ao relento, ao frio, estas noites todas, para eu não ficar sozinha do outro lado do vidro».

Alento

O PCP saudou esta «vitória da coragem, determinação e dignidade», a qual «servirá também de alento a muitas centenas de outros trabalhadores que, na região algarvia e no País, são vítimas do roubo de direitos e salários».
A luta no Clube Praia da Rocha veio dar «outra visibilidade ao dramático problema dos salários em atraso e não pagamento dos mesmos, que tem vindo a alastrar» na região, e «tornou também mais evidente a profunda contradição entre os números divulgados pelo Governo, em torno dos resultados do sector do turismo nos últimos anos, e os direitos e condições de vida dos trabalhadores da hotelaria», afirma-se na nota que o Secretariado da Direcção da Organização Regional do Algarve do Partido publicou dia 4.
O PCP regista ainda que o Governo PSD/CDS «em nenhum momento, seja neste caso, seja noutros, tomou a iniciativa de contribuir para a resolução do problema, opção essa que fala por si, quanto aos interesses de classe que defende».
Tiago Jacinto revelou, na conferência de imprensa, que as dívidas patronais, relativas a casos de salários em atraso que o sindicato acompanha directamente, ultrapassam um milhão de euros, incluindo também os actuais trabalhadores do Clube Praia da Rocha.

 



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