Os dividendos
da Galp subiram
20 por cento ao ano
Salários, horários, trabalho extra e outros direitos
Lutas de hoje e de sempre

Operários da Petrogal e da Efacec, guardas prisionais, trabalhadores das autarquias locais e das cantinas hospitalares concessionadas estão em luta, hoje e nos próximos dias, por objectivos que marcam há muito a luta contra a exploração.

Os representantes dos trabalhadores da Petrogal vão hoje, de manhã, marcar presença junto das Torres de Lisboa, onde se vai reunir a Assembleia-Geral do Grupo Galp Energia. Realizar esta «tribuna pública» foi uma iniciativa da comissão sindical negociadora (constituída pela Fiequimetal/CGTP-IN e pelo Sicop), e uma proposta de greve vai ser discutida em plenários na próxima semana.
Em causa está a exigência de aumentos salariais e a negociação do Acordo de Empresa. Num abaixo-assinado, que circulou nos últimos dias e que será entregue hoje à administração, considera-se «totalmente inaceitável» a falta de aumentos salariais nos últimos anos, que constitui «mais um factor de empobrecimento dos trabalhadores». Aí se previne que «uma administração que assume uma política de aumento de 20 por cento ao ano, na distribuição de dividendos aos accionistas, como acontece desde 2011, e no mesmo período impõe aos trabalhadores cortes salariais de cerca de oito por cento, não pode esperar diferente posicionamento por parte dos trabalhadores, além da revolta e da luta pelo que é justo».

Falhadas as negociações com a administração da Efacec, os trabalhadores decidiram em plenário retomar a greve por aumentos salariais, com paralisações de duas horas no horário normal e nos turnos, a partir de ontem, informou o SITE Norte, da Fiequimetal/CGTP-IN.

Os guardas prisionais, que não vêem aplicado o Estatuto Profissional em vigor há mais de um ano, lutam pela regulamentação do horário de trabalho, pela transição do pessoal para a nova tabela remuneratória, pela equiparação à PSP no direito a férias, pelo cumprimento das promoções na carreira e pelo pagamento do subsídio de turno.
No seguimento das greves e vigílias realizadas, com muito forte adesão, ao longo do mês de Março e na primeira semana de Abril, o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional convocou para hoje uma vigília, das 11 às 14 horas, frente ao Ministério das Finanças. Também hoje iniciou-se um novo conjunto de greves: de 16 a 19 e de 23 a 25 de Abril, e de 27 de Abril a 1 de Maio.

Contra o roubo no pagamento do trabalho em dias feriados, por aumentos salariais e pela negociação do contrato colectivo, o Sindicato da Hotelaria do Norte convocou greves em cantinas dos hospitais e de outras empresas com laboração permanente. No dia 22, paralisam os trabalhadores da Gertal (cantinas dos hospitais de Famalicão e Guimarães), no dia 23 os trabalhadores da Itau (hospitais de Santo António, Pedro Hispano, Prelada e Maternidade Júlio Dinis) e no dia 27 os da Gertal (cantinas dos hospitais de Viana do Castelo e Ponte de Lima).
O sindicato da Fesaht/CGTP-IN, ao anunciar a luta, explicou que os patrões «sempre pagaram bem o trabalho em dia feriado», com o acréscimo previsto no contrato, mas «lembraram-se agora» de pagar apenas metade desse valor. De aumento dos salários «as empresas nem querem ouvir falar há cinco anos».
 

STAL chama para dia 22

Uma manifestação nacional de trabalhadores da Administração Local vai ter lugar em Lisboa, no dia 22, quarta-feira, às 10h30 horas, do Rossio para o Ministério das Finanças. Convocada pelo STAL/CGTP-IN, esta jornada tem como objectivos exigir a redução dos impostos (particularmente, a sobretaxa extraordinária no IRS), o aumento geral dos salários (colocando o salário mínimo em 540 euros), a generalização da semana de 35 horas de trabalho e a publicação dos acordos ACEP que a consagram.
No comunicado a mobilizar os trabalhadores para esta jornada, o sindicato condena a ingerência do Governo nas competências das autarquias e reclama o respeito pela autonomia do Poder Local, consagrada na Constituição.
Desde 2009, recorda o STAL, os trabalhadores da Administração Local e dos demais sectores da Administração Pública não têm actualizações salariais. Sofreram o congelamento das carreiras, cortes salariais anunciados como «provisórios», mas que perduram, e a subida abrupta dos impostos. O poder de compra caiu mais de 25 por cento nestes últimos anos.
Como «uma das principais conquistas da Revolução dos Cravos», é preciso defender o Poder Local democrático e, em especial, a sua autonomia, apelando o STAL a que «eleitos, trabalhadores e populações se levantem em prol dos seus interesses e direitos; se envolvam crescentemente no combate às privatizações e exijam serviços públicos de qualidade, dotados dos meios humanos e materiais capazes de satisfazer necessidades vitais das comunidades locais».

 



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