Editorial

«Nos combates de Abril e por Abril está a importante batalha das eleições legislativas»

COMBATES POR ABRIL

O Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas, anunciados pelo Governo, confirmam as análises e alertas do PCP sobre a verdadeira natureza da política de direita e a imperativa necessidade de lhe pôr fim. São programas que visam prolongar e perpetuar cortes nos salários, reformas e pensões; exigir novos sacrifícios aos trabalhadores e ao povo; manter uma pesada carga fiscal sobre o trabalho; consumar novo ataque aos serviços públicos e às funções sociais do Estado e, ao mesmo tempo, beneficiar o grande capital com novos privilégios (baixa gradual do IRC, fim da taxa extraordinária do sector energético, baixa da TSU para os patrões).

São programas de aprofundamento da exploração e empobrecimento, que desmentem a propaganda do Governo em torno da retoma, do crescimento e do emprego. E que também mostram que, sem ruptura com a política de direita, não é possível a alternativa ao actual rumo do País. Política de direita responsável pelos PEC dos governos PS/José Sócrates (três dos quais aprovados com os votos do PS, PSD e CDS), o pacto de agressão da troika e todos os instrumentos políticos da União Europeia e do euro aprovados pelos mesmos três partidos.

O PS, usando como pretexto a prioridade da preparação do seu programa eleitoral, procura não se comprometer com qualquer ideia de alternativa que signifique mudança a sério. Vai «reagindo» ora pelo silêncio, ora pelo anúncio de medidas de «cosmética social» que não atacam as verdadeiras causas da pobreza, ora enfatizando as dificuldades para esconder a falta de soluções para o País. E, como ficou visível na mediática viagem de comboio ao Porto, do passado fim-de-semana, vai criando cenários, que a comunicação social dominante se esforça por ampliar, para projectar uma falsa ideia de mudança que não rompa com o ciclo da política de direita.

Assumindo as eleições legislativas como a grande prioridade política do momento, o PCP e a CDU continuam a bater-se, nos combates de Abril e por Abril, participando e dinamizando as comemorações do 41.º aniversário da Revolução e avançando soluções para uma vida melhor, que o programa eleitoral, em preparação, há-de vir a consagrar.

Desenvolve-se a luta de massas, nos sectores, empresas, locais de trabalho e nas ruas, em torno das reivindicações concretas, pela ruptura com a política de direita e pela alternativa necessária.

Regista-se, entre outras, as greves no sector ferroviário, que contou com elevada adesão; na Efacec, onde os trabalhadores obtiveram uma importante vitória; no Hotel da Praia da Rocha, uma luta vitoriosa pelo pagamento de salários em atraso; na Misericórdia de Lisboa, onde foi conseguido aumento dos salários. Ontem, realizou-se a marcha contra a privatização da Carris, Metro de Lisboa, Soflusa e Transtejo e a manifestação dos trabalhadores da Administração Local. Luta que vai agora prosseguir nas comemorações do 25 de Abril e nas acções de grande convergência que vão ser as comemorações do 1.º de Maio.

O Governo mantém o seu plano de privatização da TAP, empresa de valor estratégico para o País. Processo que é preciso derrotar e que é a verdadeira causa da desestabilização que ali se vive. Processo que, no entanto, responsabiliza também o PS, subscritor do pacto de agressão da troika, que incluía, nos seus objectivos, esta privatização.

Confirmando o clima de coesão, unidade e confiança que se vive no Partido, realizou-se a Assembleia da Organização Regional de Lisboa, significativo momento de afirmação e reforço do PCP, pelo nível de participação, pelos conteúdos das numerosas intervenções e pela unidade nas votações. No Porto, realizou-se o almoço regional comemorativo do 25 de Abril com a participação do Secretário-geral do Partido, que ali reafirmou o significado da Revolução de Abril, sublinhando que, «se podemos afirmar que a Revolução de Abril é um momento maior da nossa história, devemos também afirmar com toda a confiança que o melhor do caminho histórico de Abril ainda está para vir e que, mais tarde ou mais cedo, a luta dos trabalhadores e do povo, a luta dos democratas, a luta de todos os que sabem que a história está longe de ter chegado ao fim concretizará finalmente o que ficou entretanto inacabado».

Igualmente importante foi a realização de numerosas audições sobre a dívida (Lisboa, Covilhã e Coimbra), a reunião com independentes em Évora ou o encontro do PCP com a Ordem dos Advogados.

Prossegue o reforço do Partido com a acção de contactos em cuja conclusão se deve continuar a insistir; a campanha de recrutamento que se aproxima dos dois mil novos militantes; a campanha nacional de fundos e a preparação e divulgação da Festa do Avante! e venda antecipada da EP.

Importante foi também a inauguração da exposição evocativa do centenário do nascimento da camarada Virgínia Moura, na cidade do Porto, no sábado passado, tal como vão ser as audições/debate no âmbito da elaboração do programa eleitoral do PCP, como é o caso, já na próxima terça-feira, em Lisboa, da audição «Valorizar o Trabalho e os Trabalhadores».

Prossegue, entretanto, de forma dinâmica e a bom ritmo, a preparação da Marcha Nacional de 6 de Junho.

Na semana em que comemoramos mais um aniversário da Revolução de Abril, o PCP e a CDU reafirmam que nos combates de Abril e por Abril está a importante batalha das eleições legislativas que temos pela frente. Está o reforço do Partido, a luta de massas e a construção da unidade e convergência com democratas e patriotas, pela ruptura com a política de direita e pela alternativa patriótica e de esquerda. Por uma democracia avançada vinculada aos valores de Abril. Pelo socialismo e o comunismo.

 


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