Editorial

«Construir uma sociedade que recupere os valores de Abril e os projecte no futuro de Portugal»

MAIO DE LUTA<br>E CONFIANÇA

As comemorações do 25 de Abril deste ano decorreram num ambiente de grande participação popular e ficaram assinaladas por um leque diversificado de iniciativas por todo o País. Destaca-se o desfile na Avenida da Liberdade, em Lisboa, com a participação de muitos milhares de pessoas (com forte participação de jovens) e a sessão solene na Assembleia da República. Na Assembleia da República assinalou-se o significado da Revolução de Abril, como sublinhou a camarada Carla Cruz na sua intervenção em representação do Grupo Parlamentar do PCP: «Celebramos o 41.º aniversário da Revolução de Abril conscientes das dificuldades que o País atravessa mas imbuídos de uma grande esperança e confiança de que, num futuro próximo, o nosso País retomará o projecto de construir uma sociedade melhor, mais justa e mais fraterna, uma sociedade que recupere os valores de Abril e os projecte no futuro».

Na sessão destacou-se, pela negativa, o discurso do Presidente da República, que preferiu aproveitar esta data para, em frontal contraste com o espírito e significado do 25 de Abril, repetir os elogios à acção anti-Abril do Governo e insistir no apelo ao consenso para salvar a política de direita.

As comemorações deste ano ficam também associadas ao 40.º aniversário das eleições para a Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição da República Portuguesa de 1976. Constituição que consagrou as grandes conquistas da Revolução e que, apesar de amputada e empobrecida por sete revisões constitucionais e violada pelas práticas inconstitucionais dos sucessivos governos da política de direita, continua a ser referencial das grandes transformações democráticas deste período.

Foram comemorações de festa e de luta contra a política de direita responsável pela desastrosa situação de declínio nacional que estamos a viver e por uma real alternativa. Comemorações que se projectam no 1.º de Maio e nas muitas lutas já em curso: greve nos hipermercados, amanhã, levada a cabo pelo CESP, na Atlantic Ferry, Gráfica Coimbra, Transportes Nogueira (de 8 a 11 de Maio). Lutas dos trabalhadores da Portway/Faro, dos estudantes do Ensino Secundário e pela reposição das freguesias (encontro distrital de Setúbal da ANAFRE).

Os partidos da troika (PS, PSD e CDS) mostram-se apostados em continuar a política de direita, como ficou evidente nas novas medidas e programas há pouco anunciados: o Governo PSD/CDS, com o Programa de Estabilidade e o Programa Nacional de Reformas e o PS, com o cenário de enquadramento programático «Uma década para Portugal», novos instrumentos de aprofundamento da política de exploração e empobrecimento, que vem sendo prosseguida. «Uns e outros – como declarou Jerónimo de Sousa na passada terça-feira – produtos das mesmas opções políticas e económicas determinadas pela mesma subordinação aos interesses dos grupos económicos e dos centros do capital financeiro que têm justificado o saque dos recursos nacionais que, de PEC em PEC até ao “memorando de entendimento” (esse verdadeiro pacto de agressão), têm unido PS, PSD e CDS».

Os mesmos PSD e CDS decidiram anunciar a formalização da coligação e prosseguir a rota de destruição das condições de vida dos portugueses e que, como afirma o PCP, «separados ou juntos não escaparão à derrota e a uma pesada condenação de todos quantos se viram roubados nos seus rendimentos, direitos e dignidade».

Quanto ao PS, sob o novo embuste de uma falsa alternativa, procura fazer passar a ideia de estarmos perante um programa de ruptura e de esquerda com diferenças de fundo face às propostas do Governo. Mas parte, na verdade, da mesma matriz do PSD/CDS e assume os mesmos constrangimentos e amarras (Pacto Orçamental, orientações da União Europeia, subordinação aos interesses do capital transnacional, dívida) e os mesmos objectivos nas questões essenciais. Particularmente inquietante é a sua proposta em relação à Segurança Social e aos direitos dos trabalhadores.

Na linha da frente dos combates de Abril e por Abril, nas lutas deste Maio prenhe de futuro está o PCP e a CDU que realizaram na última semana uma intensa acção, de que se destaca, pela sua dimensão, o almoço do passado domingo em Loures, com a participação do Secretário-geral do PCP e a iniciativa da CDU na Madeira. Destaca-se também conjunto amplo e diverso de iniciativas de comemoração do 25 de Abril e de contacto com os trabalhadores e as populações demonstrativas do bom ambiente em torno do Partido (acção em torno das rendas apoiadas em Almada com a participação do camarada Jerónimo de Sousa, contacto com os trabalhadores da EMEF, CP Carga, entre outras). Avança também o processo de preparação do programa eleitoral do PCP em que se integram numerosas audições e debates, como aquela que se realizou na passada terça-feira sobre o tema «Valorizar o Trabalho e os Trabalhadores» ou ainda a preparação da marcha «a força do povo» todos à rua por um Portugal com futuro, do próximo dia 6 de Junho, em crescimento, mas que continua a exigir um grande esforço de organização e mobilização. Destaca-se também a acção de reforço do Partido com o recrutamento de quase dois mil novos militantes e a acção nacional de contactos a aproximar-se do fim. Acção em que se integra também a campanha nacional de fundos, a preparação e divulgação da Festa do Avante! e a venda antecipada da EP.

Grandes são os combates que temos pela frente com destaque para a batalha eleitoral. A estratégia comum de exploração, empobrecimento e declínio nacional continua a unir PS, PSD e CDS. Contrariando o silenciamento pela comunicação social dominante, é preciso demonstrar e convencer que a CDU tem soluções para uma vida melhor e é, com confiança, a alternativa de futuro.

 


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