O serviço público
deve ser prestado
por empresas públicas
Manifestação rejeita privatizações em Lisboa
Cerrar fileiras pelos transportes

Trabalhadores no activo e reformados e muitos utentes da Carris, do Metropolitano de Lisboa, da Transtejo e da Soflusa mostraram na rua os argumentos contra a privatização e a determinação de manter a luta pelos transportes públicos.

A marcha de dia 22, quarta-feira, contou com perto de dois mil participantes (estimativa da DOR Lisboa do PCP), incluindo trabalhadores da TAP e da SPdH, que começaram por se concentrar no Cais do Sodré, desde as dez horas, e depois subiram a Rua do Alecrim, até à Praça Luís de Camões.

Aqui intervieram dirigentes das organizações de trabalhadores, o Secretário-geral da CGTP-IN, representantes do Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos, deputados e vereadores do PCP (Rita Rato, João Ferreira e camaradas do Barreiro, Seixal e Oeiras) e outros. Entretanto, uma delegação das organizações promotoras da marcha entrou no Ministério da Economia, num gesto simbólico de ocupação do edifício que alberga a secretaria de Estado dos Transportes, instrumento do Governo para aplicar a política de entrega deste serviço público aos grandes grupos privados.

Na Assembleia Municipal de Lisboa foi aprovada, dia 14, uma moção de apoio aos objectivos desta marcha, por proposta do PCP, também aprovada pelos eleitos do PEV, PS, BE, PAN e PNPN. O documento foi publicado no sítio da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, realçando a Fectrans/CGTP-IN que o seu conteúdo corresponde às reivindicações dos trabalhadores que motivaram a convocação da marcha.

Foi exigido do Governo o cancelamento imediato da reestruturação em curso nas quatro empresas (com administração e marca comum, assumindo o objectivo de privatização do serviço) e também da concessão da Carris e do Metro (cujos concursos já estão abertos, prevendo uma parceria público-privada que garante rendas ao capital privado e deixa ao Estado o pagamento dessas rendas e as despesas de investimento e de juros) e dos transportes fluviais.

Nas medidas contestadas, inclui-se a retirada de elevadores, ascensores e eléctricos do âmbito do serviço público, para os dedicar ao turismo e vender junto com a CarrisTur; a divisão do Metro em três empresas, para privatizar a manutenção e a exploração comercial; a redução brutal da oferta e aumento de preços, em simultâneo com o envelhecimento das frotas, como decorre dos cadernos de encargos já conhecidos.

Na véspera da marcha, a Comissão de Trabalhadores do Metropolitano de Lisboa divulgou uma detalhada análise das cerca de dez mil páginas do Caderno de Encargos da subconcessão da exploração do sistema de transporte desta empresa, demonstrando como tal opção lesa os que trabalham no Metro, os utentes e o próprio Estado.

O Sitava/CGTP-IN voltou a apelar, no dia 23, à unidade dos trabalhadores na luta contra a privatização da TAP, que classificou como «crime de lesa-pátria e autêntica operação de espionagem industrial». Indignação acrescida suscitou a anunciada intenção de «roubar cinco anos de antiguidade na empresa, perpetuando assim o roubo nos salários» e «entregando esse dinheiro como mais um prémio ao capital privado».

«Estamos fartos das empresas privadas de transporte» foi a mensagem principal transmitida por delegações sindicais da Scotturb e da Vimeca, que no dia 24, sexta-feira, realizaram uma caravana «Pela liberdade e pela mobilidade», apontando estas empresas do universo Jacob Barata como «tristes exemplos» de como os utentes pagam bem para serem mal servidos e os trabalhadores recebem mal e são tratados ainda pior. Para defender «intervenção firme» dos municípios, a caravana transmitiu estas posições ao presidente da CM de Cascais e a um vereador da CDU, e a vereadores em Sintra (CDU e MC) e na Amadora (CDU).

 



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