Editorial

«A prioridade das prioridades é neste momento a marcha nacional»

EM FORÇA PARA A MARCHA

A situação do País continua a ser marcada por uma profunda crise económica e social que afecta largas massas da população. Situação que todos os dias se agrava pela insistência do Governo em levar tão longe quanto possível as medidas de exploração e empobrecimento.

A semana que passou foi igualmente marcada pela agenda mediática do PS numa avassaladora operação de propaganda em torno do programa eleitoral. Tentou, deste modo, ultrapassar dificuldades criadas com a apresentação do cenário macro-económico e criar uma imagem de um programa diferente e alternativo à política do Governo. Centrando o debate político nas suas propostas, procurou sobretudo ocultar as suas responsabilidades na execução da política de direita.

No mesmo sentido, foi grande o esforço deste partido para, depois da farsa do ano passado em torno da escolha do candidato a primeiro-ministro, acentuar agora a bipolarização, procurando instalar a ideia de que nas próximas eleições legislativas vamos eleger o primeiro-ministro e não os deputados da Assembleia da República. Em simultâneo, vai chantageando os portugueses com a ideia de que, nestas eleições, são necessárias maiorias absolutas e que, se o PS a não tiver, o Presidente da República poderá prolongar a vida deste Governo até Abril de 2016. Procura, desta forma, assustar muitos eleitores para os levar a aceitar a teoria do chamado «mal menor».

Neste jogo, conta com os favores da comunicação social dominante que não se poupa a esforços para mediatizar esta agenda, valorizar falsas alternativas e promover umas forças políticas enquanto vai silenciando outras, como é o caso do PCP e da CDU e da alternativa patriótica e de esquerda que defendem.

No entanto, por mais que o tentem esconder, a realidade continua a mostrar a grande identidade de políticas entre PS, PSD e CDS, com divergências em aspectos secundários, nomeadamente, no ritmo e no grau de execução dessas medidas. Assim está a ser com o processo de privatização da TAP, as medidas preconizadas para a Segurança Social, a revisão da legislação laboral com novo abate de direitos dos trabalhadores, os cortes nos salários e reformas, a extinção de serviços públicos e destruição do aparelho produtivo e o comprometimento com o processo de integração capitalista da União Europeia e o aprofundamento da submissão à União Económica e Monetária e aos seus instrumentos de domínio (euro, Tratado Orçamental, Governação Económica, etc.).

Falando verdade ao povo português e apresentando-se como intransigente defensor dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País, o PCP apresentou na passada terça-feira os objectivos e eixos essenciais do seu programa eleitoral. Um programa com uma real alternativa patriótica e de esquerda com soluções para o País e para uma vida melhor.

Em consonância com estes objectivos, PCP e CDU realizaram na última semana um vasto conjunto de iniciativas que evidenciaram uma intensa e diversificada actividade e um ambiente de unidade, coesão e confiança, como foi o caso, com a participação do Secretário-geral do PCP, do jantar da CDU na Madeira na passada sexta-feira; do almoço da CDU em Ponte de Sor, que contou também com a participação da dirigente nacional do PEV, Manuela Cunha, no sábado passado; e da 10.ª Assembleia da Organização Regional de Viseu do PCP no passado domingo. Realizaram-se também as audições «melhor Segurança Social, um direito de todos», «novas gerações presente e futuro», «uma escola pública ao serviço do desenvolvimento do País», numerosos encontros concelhios e tribunas públicas, entre outras iniciativas e, amanhã, terá lugar a audição «defender a pequena e média agricultura valorizar a produção e o mundo rural».

Mantém-se e intensifica-se uma forte torrente de luta de massas, mesmo num quadro de pressões do patronato e do Governo contra o direito à greve de que foi mais recente exemplo o caso Petrogal. O 20.º piquenicão nacional promovido pelo MURPI no passado domingo, em Benavente, contou com uma participação de cerca de quatro mil pessoas. Amanhã, realiza-se o encontro nacional da CGTP-IN «Intensificar a luta reivindicativa, reforçar a organização. Mais força aos trabalhadores». Desenvolvem-se processos de luta no Metropolitano de Lisboa e na Atlantic Ferrys, com bons resultados; dos trabalhadores da Universidade de Coimbra pelo horário das 35 horas; dos trabalhadores da Câmara Municipal de Coimbra, que conseguiram uma importante vitória. Boas foram também a concentração dos trabalhadores do Aeroporto de Faro e a concentração contra a privatização dos transportes públicos em Lisboa, na passada quinta-feira.

Importa agora insistir na divulgação da Festa do Avante! e na colocação da propaganda já existente, promover a venda antecipada da EP e avançar com a campanha nacional de fundos para a compra da Quinta do Cabo. Importa também prosseguir, com as medidas de direcção que se revelem necessárias, à finalização da acção nacional de contactos.

Mas a prioridade das prioridades é a marcha nacional «A força do povo», todos à rua por um Portugal com futuro, no dia 6 de Junho, para a qual já só falta pouco mais de uma semana. Há que dinamizar a mobilização de forma descentralizada, por freguesia, bairro, empresa, local de trabalho, escola ou sector e cuidar das questões de organização que façam dela uma grandiosa marcha nacional por um Portugal com futuro. Uma marcha que, convocada pela CDU, está aberta à participação de todos os homens, mulheres e jovens que não aceitam o rumo de empobrecimento e declínio nacional, que não se resignam e reclamam uma política de liberdade e democracia, de progresso e justiça social, de soberania e de paz.

 


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