Os últimos 30 anos foram um processo contínuo de empobrecimento
Carla Cruz encabeça a lista da CDU em Braga
Assumir responsabilidades

Centenas de pessoas participaram, sexta-feira, no primeiro acto público da candidatura da CDU às eleições para a Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Braga.

Dando um novo passo em direcção a umas eleições que constituem um momento da maior importância na luta pela ruptura com a política de direita e pela concretização de uma inadiável viragem na vida nacional, a iniciativa contou com a intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, e de Carla Cruz, primeira candidata da CDU.

No Museu dos Biscainhos, Carla Cruz, deputada na Assembleia da República no actual mandato e eleita na Assembleia Municipal de Braga, começou por sublinhar que a Coligação PCP-PEV é a única força política que cumpriu «as promessas assumidas junto da população do distrito».

Relativamente à batalha eleitoral que se aproxima, a cabeça de lista da CDU admitiu que se travará num quadro de grandes dificuldades no distrito, por força da política de direita e da aplicação do pacto de agressão, que puseram em causa as potencialidades da região e levou ao empobrecimento da sua população de forma acelerada.

A deputada acusou os governos PSD/CDS e do PS de, em alternância, levarem a cabo a execução das medidas que conduziram o distrito e o País a níveis elevados de desemprego; precariedade laboral e salários em atraso, alastramento da pobreza, abandono das actividades produtivas na indústria, na agricultura e nas pescas; falência e encerramento de inúmeras micro e pequenas empresas; degradação dos cuidados de saúde e da escola pública; encerramento de serviços públicos; aprofundamento das assimetrias entre o interior e o litoral e consequente intensificação do processo de desertificação e despovoamento dos concelhos do interior.

Confiança

Na sua intervenção, o Secretário-geral do PCP sublinhou que «estão hoje bem patentes na vida nacional as nefastas consequências de anos e anos consecutivos das políticas de direita do PS, PSD e CDS e dos seus governos, das suas opções mais recentes de enfeudamento do País às políticas ditas de “ajustamento”», e também de «três décadas de integração capitalista na União Europeia, com o seu rol de imposições e os seus instrumentos de dominação, como são o Tratado Orçamental, o Pacto de Estabilidade e a governação económica».

Foram anos marcados por um processo contínuo de «empobrecimento dos trabalhadores e das populações, de crescimento desmesurado do desemprego, de precariedade, exploração, emigração, de ataque aos serviços públicos e às funções sociais do Estado», destacou o dirigente comunista, antes de se referir à destruição dos sectores produtivos, à crescente dominação do capital estrangeiro, à limitação da democracia e ao comprometimento da soberania e da independência nacionais. Foram «anos e anos de uma política que arrastou e continua a arrastar o País para o declínio e a destruir e a degradar a vida de milhões de pessoas», disse.

Neste contexto, Jerónimo de Sousa sublinhou que a CDU, com as suas propostas e o seu projecto, com a acção e a coerência políticas demonstradas, jamais trairá a confiança daqueles que «aspiram a uma real mudança na vida nacional», tendo por isso apelado ao apoio numa força «que está pronta a assumir todas as responsabilidades que o povo português decidir atribuir-lhe na construção de uma alternativa patriótica e de esquerda e no governo do País».

Denunciar injustiças

Carla Cruz levou à Assembleia da República exemplos de serviços de saúde de proximidade que encerraram, como a extensão de saúde de Caldelas, Arnoso, Louro e Landim; de cuidados de saúde hospitalar que se degradaram (hospitais de Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Barcelos) ou que aumentaram o tempo de espera para os utentes, em especial o de Braga.

No que à escola pública diz respeito, a deputada do PCP não poupou críticas ao actual Governo, uma vez que, ao mesmo tempo que foram constituídos mega-agrupamentos, foram encerradas escolas do primeiro ciclo do Ensino Básico, como aconteceu em Vilaça (Braga), Gonça (Guimarães) e em Garfe (Póvoa de Lanhoso), e reduzidos apoios aos alunos com necessidades educativas especiais. De igual forma, o Ensino Superior vê-se a braços com sucessivos cortes no financiamento, persistindo ainda atrasos na atribuição das já magras bolsas para estudantes carenciados.

Nos últimos quatro anos, Carla Cruz denunciou ainda o desmantelamento dos serviços públicos, que atingiram também a Segurança Social, e criticou a implementação da reforma do mapa judicial.




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