Editorial

«Luta que os trabalhadores e o povo saberão
levar ao apoio e ao voto na CDU pela ruptura e a alternativa»

LUTA, VOTO E ALTERNATIVA

O Comité Central do PCP reuniu no passado domingo, abordou aspectos da situação política, económica e social; destacou a importância da Marcha Nacional «A força do povo»; debateu e fixou as principais direcções de trabalho com vista às eleições legislativas, para a luta dos trabalhadores e do povo e para o reforço do Partido.

Por mais que a propaganda do Governo diga o contrário, a situação política, económica e social do País continua a agravar-se: O PIB recua; a dívida todos os dias cresce; continua a viver-se um período de estagnação-recessão; o mercado interno permanece em estado anémico; o poder político, à medida que avança o processo de reconfiguração do Estado, é subordinado ao poder económico e colocado ao seu serviço; privatiza-se importantes empresas do sector público da nossa economia e a própria água; desorganiza-se o Serviço Nacional de Saúde; degrada-se a escola pública; ataca-se a autonomia do poder local democrático com a municipalização de importantes funções sociais do Estado; nos últimos quatro anos, meio milhão de pessoas (dez por cento da população activa) viu-se forçada a abandonar o País à procura de futuro por esse mundo fora; o desemprego cresce na razão directa da ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e da destruição do nosso aparelho produtivo; a pobreza alastra e condena a uma vida sub-humana mais de um quarto dos portugueses.

É neste quadro, em que se multiplicam os dramas sociais provocados pela política de direita, que nos aproximamos das eleições legislativas. Eleições de uma grande importância para romper com esta política de exploração e empobrecimento e abrir caminho a uma alternativa patriótica e de esquerda vinculada aos valores de Abril e ao cumprimento da Constituição da República Portuguesa.

É por terem consciência do que verdadeiramente está em causa nestas eleições e das reais possibilidades de o povo, com a sua força, a sua luta e o seu voto, virar a página a este ciclo de quase trinta e nove anos de política de direita que os partidos do Governo (PSD e CDS) com a cumplicidade activa do Presidente da República, tudo fazem para dar a ideia de que o pior já passou, que estamos agora no bom caminho da recuperação, de que valeram a pena os sacrifícios. Ao mesmo tempo, temendo uma pesada derrota eleitoral, aceleram o seu calendário de medidas (privatizações, degradação do regime democrático, reconfiguração do Estado) colocando o País e o futuro perante uma situação de facto consumado.

Por seu lado, o PS, corresponsável pela mesma política de direita, divergindo em questões meramente secundárias, de grau e de ritmo, tenta dissimular os grandes objectivos do seu programa eleitoral para fazer passar por alternativa aquilo que não passa de mera alternância.

Mas é também a consciência da sua força e a confiança na possibilidade de dar a volta à complexa situação que estamos a viver que levou mais de 100 mil pessoas a participarem, de forma organizada e combativa, na marcha nacional de 6 de Junho promovida pela CDU, gritando o seu «basta!» à política que tem vindo a desgraçar as suas vidas e exigindo um outro rumo com soluções para um Portugal com futuro.

É neste clima de grande confiança que se desenvolve no seio do PCP e da CDU um intenso trabalho em várias direcções: a campanha de reforço do Partido que, depois dos êxitos já alcançados na acção nacional de contactos (que importa finalizar), na responsabilização de quadros e no recrutamento de novos militantes, deve prosseguir com uma atenção particular à organização do Partido nas empresas e locais de trabalho. Trabalho que se reflecte também na preparação da Festa do Avante! com a implantação, a divulgação e a venda antecipada da EP; na finalização do programa eleitoral do PCP cuja apresentação pública está marcada para a próxima terça-feira; nas diversas iniciativas da CDU por todo o País; nas sessões públicas da CDU que tiveram importantes momentos de afirmação com a participação do Secretário-geral do Partido e do primeiro candidato pelos respectivos círculos eleitorais, em Lisboa, Porto, Algarve, Beja e, hoje, em Coimbra. Significativa foi também a participação e o entusiasmo no almoço de dirigentes, delegados sindicais, membros de CT e de representantes dos trabalhadores em Saúde e Segurança no Trabalho no passado sábado no Seixal, onde o camarada Jerónimo de Sousa apelou aos cerca de 500 participantes para que «pelo seu conhecimento directo da situação dos trabalhadores em cada empresa e local de trabalho, pelo conhecimento das suas aspirações e reivindicações» desempenhem o seu papel esclarecendo e mobilizando para levar a luta ao voto!


Também a luta de massas continua a desenvolver-se em muitas empresas e locais de trabalho em torno de reivindicações concretas. E, no próximo dia 22 de Julho, por decisão do Conselho Nacional da CGTP-IN, vai ter lugar um importante momento de convergência na concentração de trabalhadores junto à Assembleia da República em repúdio pelo pacote legislativo que PSD e CDS ali querem aprovar naquele dia.

Luta que os trabalhadores e o povo saberão levar ao apoio e ao voto na CDU pela ruptura com a política de direita e por uma política alternativa patriótica e de esquerda. A única capaz de assegurar os seus direitos num Portugal desenvolvido, solidário, de justiça e de progresso.



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