Editorial

«Uma grande confiança na possibilidade do reforço da CDU»

DAR MAIS FORÇA À CDU

As decisões anunciadas pela Cimeira do Euro sobre a Grécia continuam a marcar o debate político em Portugal em torno das eleições legislativas. Cimeira sobre a qual o PCP reafirmou a sua condenação do «processo de chantagem, de desestabilização e de asfixia financeira promovido pela União Europeia e o FMI visando impor ao povo grego a continuação do endividamento, da exploração, do empobrecimento e da submissão. Um processo de ingerência e chantagem que não deixando de tirar partido de incoerências, contradições e cedências do Governo grego, e tendo tido contornos ainda mais graves nos últimos dias, revela a natureza política e objectivos do processo de integração capitalista na Europa e a profunda crise com que se debate».

Condenação que abrange também a actuação do Governo português e do Presidente da República de alinhamento com as imposições da União Europeia e do seu directório de potências, que contou com a cumplicidade do PS e põe em causa o interesse nacional. Actuação vergonhosa que, para lá das aparentes divergências, também mostra a identidade de objectivos do PS, PSD e CDS em prosseguir, em Portugal, a política de exploração, de empobrecimento e de submissão do País aos ditames do grande capital, da União Europeia e do FMI.

Uma política verdadeiramente comprometida com os valores da justiça e progresso social, do desenvolvimento soberano e da democracia, exige a ruptura com os constrangimentos e condicionalismos do euro e da UEM e torna inevitável, em Portugal, uma política patriótica e de esquerda que, entre muitos outros objectivos, como deixou claro o PCP no seu Programa Eleitoral, exige a renegociação da dívida e o estudo e preparação para a libertação do País da submissão ao euro, de modo a resistir a processos de chantagem e a garantir a soberania monetária, orçamental e económica.

Prossegue a operação de mistificação em torno das eleições legislativas. Nestas eleições, como quer fazer crer a poderosa máquina desinformativa posta ao serviço dos partidos da política de direita, não vai estar em causa a escolha do primeiro-ministro. Nem tão pouco, como querem sugerir as sondagens que vão sendo divulgadas, a escolha entre duas candidaturas (PSD/CDS e PS) idênticas nas questões essenciais. O que vai estar em causa nestas eleições, como lembrou o camarada Jerónimo de Sousa, no almoço-comício da CDU na Foz do Arelho do passado domingo, é a escolha «entre dois caminhos: entre insistir no velho e ruinoso trajecto da política de direita ou abrir a passagem para um caminho novo, com uma política patriótica de esquerda, com a força do povo, com a CDU, com a convergência dos democratas e patriotas e, finalmente, assegurar um Portugal desenvolvido, solidário, de justiça e de progresso!».

O PCP e a CDU continuam a desenvolver uma intensa actividade em que é notório um bom ambiente demonstrativo do seu reconhecimento, prestígio e valorização pelos trabalhadores e pelo povo, como se verificou nas iniciativas realizadas na última semana em Santarém, Leiria, Aveiro e Lamego e no Encontro com a Rede Europeia Anti-Pobreza.

O Programa Eleitoral que o PCP apresentou no passado dia 7 teve um impacto muito positivo: pelas soluções para um Portugal com futuro suportadas em aprofundado estudo e reflexão, mas também pelo processo de construção que reflecte a riqueza das inúmeras contribuições de centenas e centenas de democratas, patriotas e organizações.

Merece também grande valorização a apresentação do balanço da actividade do Grupo Parlamentar do PCP na XII Legislatura. Um trabalho que, «dando expressão institucional à actividade do PCP e à luta dos trabalhadores e do povo, marcou decisivamente esta Legislatura não apenas pela qualidade, diversidade e quantidade de iniciativas parlamentares, mas principalmente porque elas corresponderam, em cada momento, à denúncia dos problemas sentidos e à necessidade de combater as políticas do governo, bem como à apresentação de propostas concretas para os problemas que atingiram os trabalhadores e o povo numa clara afirmação de que é possível uma verdadeira alternativa patriótica e de esquerda». Um trabalho de que se destaca as 30 Audições Parlamentares Temáticas, as 105 Apreciações Parlamentares, os 432 Projectos de Lei e os 472 Projectos de Resolução apresentados e as mais de 4800 Perguntas e Requerimentos.

Actividade que vai prosseguir esta semana com o Encontro do PCP com dirigentes do Teatro Nacional de S. Carlos e com os comícios de apresentação dos candidatos da CDU no Porto e Almada e na sessão pública evocativa do centenário do nascimento da camarada Virgínia Moura.

Prossegue também a preparação da Festa do Avante! com a construção, divulgação e venda da EP, que deve continuar a merecer uma atenção prioritária por parte das organizações do Partido.

No plano da luta de massas, regista-se as diversas lutas desenvolvidas ou em desenvolvimento pelos trabalhadores e as populações: Hospital de Santarém, BA Vidros em Leiria, Gadoiberia, EMEF, CP Carga, Eurospuma, Metro de Lisboa, Carris, SPdH, entre outras.

Continua a acção reivindicativa nas empresas, sectores e locais de trabalho. Importa potenciar e mobilizar para a acção nacional da CGTP-IN a 22 de Julho junto à Assembleia da República.

Partimos para esta batalha eleitoral com uma grande confiança na possibilidade do reforço da CDU com mais votos e mais deputados. Uma confiança que resulta, como ficou demonstrado na Marcha Nacional de 6 de Junho, da crescente consciência que o povo tem da sua força e do projecto e dos valores de verdade, honestidade e dignidade que transporta a CDU.



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