Virgínia Moura dedicou a sua vida à luta pela liberdade
PCP evocou centenário de Virgínia Moura
Uma fonte de inspiração

A comemoração do centenário do nascimento de Virgínia Moura, promovida pelo PCP, culminou no sábado, no Porto, numa grande sessão evocativa com a presença de Jerónimo de Sousa.

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Ao longo dos últimos meses, em diversas iniciativas realizadas em vários locais do distrito do Porto, o Partido evocou o centenário do nascimento de Virgínia Moura – destacada militante comunista, corajosa resistente antifascista e empenhada construtora do Portugal de Abril. Uma exposição sobre a sua vida e luta percorreu colectividades, autarquias, bibliotecas e outros espaços públicos, dando possibilidade a muitas centenas de pessoas de conhecerem mais aprofundadamente o seu percurso. Este programa de comemorações culminou no sábado, 18, com uma sessão na Fundação Engenheiro António de Almeida, no Porto, à qual compareceram centenas de pessoas.

Na ocasião, Jerónimo de Sousa destacou a «valorosa e singular mulher» que foi Virgínia Moura e o seu «exaltante percurso de intrépida combatente pela liberdade, a paz, a melhoria das condições de vida do povo, dos direitos dos trabalhadores, da emancipação da mulher, da cultura, da libertação dos povos coloniais, por uma terra liberta da opressão e exploração». Para o dirigente comunista, «se mulher houve cujo nome ficará para sempre ligado à nossa bela revolução libertadora» ela foi, sem qualquer sombra de dúvida, Virgínia Moura.

Passando em revista alguns dos momentos decisivos da vida da homenageada – e tantos que foram! –, o Secretário-geral do Partido lembrou a «cidadã de infatigável combatividade, resistente antifascista, intelectual comprometida com o sofrimento e as aspirações libertadoras do seu povo, revolucionária comunista», que esteve sempre na «primeira linha em todas as batalhas pela democracia». O seu percurso, acrescentou, foi feito de «firmeza de convicções, integridade, coragem moral e física, sensibilidade humana».

Jerónimo de Sousa recordou, ainda, outra das notáveis características de Virgínia Moura: a de oradora que «arrebatava multidões». Em 1949, no célebre comício da Fonte da Moura, de apoio ao general Norton de Matos, «o povo começou a cantar o Hino Nacional, quando acabou o seu discurso, o que devia acontecer só no final», lembrou o dirigente comunista, acrescentando que noutra sessão a «assistência insurgiu-se ruidosamente quando o representante da PIDE a proibiu de continuar a falar».

Defender Abril

Pelo seu percurso de vida, pela coragem demonstrada mesmo nas situações mais difíceis e pela firmeza de convicções que sobressaiu da sua actividade política revolucionária, o exemplo de Virgínia Moura é, «para todos nós, uma fonte de inspiração», garantiu Jerónimo de Sousa no final da sua intervenção. Para o dirigente comunista, na situação em que o País se encontra tem ainda mais valor semelhante homenagem, que é extensível a «muitos milhares de homens, mulheres e jovens anónimos mas dignos que, inconformados com a violência, a injustiça e as desigualdades geradas pelo capitalismo, não voltaram a cara às dificuldades da luta e à dureza da repressão, contribuindo decisivamente para a alvorada libertadora de Abril».

Lembrando que é às actuais gerações que cabe defender, das «arremetidas dos seus inimigos», os valores e conquistas de Abril pelas quais Virgínia Moura tanto lutou, Jerónimo de Sousa reafirmou que a homenagem a esta destacada militante comunista impõe que se prossiga o combate a que ela dedicou a sua vida. Nas condições presentes, esclareceu, isso impõe intensificar a luta contra a política de direita e pela afirmação da alternativa patriótica e de esquerda, pela democracia avançada e por «esse sonho milenar de construção de uma sociedade «liberta da exploração do homem por outro homem».

A sessão evocativa contou com um momento cultural de rara beleza, que envolveu dezenas de artistas. Com guião de Guilhermino Monteiro, textos de Paulo Morgado e a participação de dois coros – Grupo Coral Canto Décimo e Coro Vox Populi –, a que se juntaram como músicos convidados António Gonçalves, Paulo Castro e José Manuel Pimenta, este foi um momento único e poderoso, onde se homenageou uma mulher que defendeu intransigentemente os seus ideais.



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