Editorial

«Há muitas razões para confiar na CDU. Mas a nossa acção continua a ser imprescindível»

CDU É DE CONFIANÇA

A pouco mais de uma semana do limite do prazo para a apresentação das listas de candidatos às eleições legislativas, sobe de tom a pré-campanha eleitoral com o Governo a tentar tirar proveito da máquina de propaganda que montou. Assim está a acontecer com os números do desemprego, que segundo dados do INE estaria a baixar, o que levou o Governo a tamanha gritaria à volta do mote «continuamos no bom caminho» que até o SG da UGT se viu na necessidade de dar uma ajudinha.

«Os números do desemprego – como refere o PCP – reflectem cada vez menos a realidade do mercado de trabalho. É isso que se expressa na evidente contradição entre os 210 mil empregos destruídos nos últimos quatro anos e a existência de apenas 40 mil desempregados a menos. São números que escondem a realidade e o que PSD e CDS sublinham como um elemento histórico tem como base 500 mil portugueses que foram obrigados a emigrar, 250 mil inactivos que desejariam trabalhar e que não contam para a estatística e os 240 mil que estão em situação de subemprego».

Máquina de propaganda que omitiu igualmente a gravidade do problema dos incêndios florestais com cerca de 29 mil hectares ardidos até 31 de Julho (mais 21 206 hectares do que em igual período de 2014 «o que corresponde ao terceiro pior ano desde 2005». Propaganda que é desmentida pela realidade nua e crua e em que até o próprio FMI, na sua avaliação à situação nacional, se viu na necessidade de pôr água na fervura. As declarações do FMI mostram também que a troika não se foi embora e continua a monitorizar a realidade portuguesa. Fica assim à vista mais uma vez a falsa ideia da «saída limpa» agitada pelo Governo na véspera das eleições para o PE e demonstrado que PS, PSD e CDS continuam comprometidos com os mesmos constrangimentos da submissão externa com que é preciso romper.

Paralelamente, o PS continua amarrado à mesma política de direita. Mesmo na «oposição», nesta Legislatura, votou a favor a maior parte das propostas do Governo, inclusive o diploma de revisão do regime do Sistema de Informação da República Portuguesa (SIRP) que permite o acesso das «secretas» a meta dados dos cidadãos e que o Presidente da República enviou ao Tribunal Constitucional. Agita o medo da direita como se não soubesse – e sabe – que o PSD/CDS está condenado a uma pesada derrota eleitoral graças à acção daqueles – o PCP e a CDU – que acusa de só terem andado no protesto. Andaram, de facto, no protesto e na luta contra a política de direita, onde o PS não se viu. Mas construíram, também com o contributo de muitos democratas e patriotas, uma real alternativa com soluções para o País.

Diversas foram as tomadas de posição do PCP, esta semana, sobre as mais diversos matérias: aumento das taxas aeroportuárias pela ANA (o quinto aumento desde que foi privatizada) que torna urgente a necessidade da sua renacionalização; a denúncia da política florestal responsável pela calamidade dos fogos florestais e a necessidade de uma política adequada de prevenção; os 70 anos do lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki e a necessidade do reforço da luta pela paz; as desastrosas consequências do fim das quotas leiteiras na produção nacional e na ruína dos produtores de leite e a necessidade de uma outra política agrícola.

Muitas têm sido as iniciativas de rua da CDU por todo o País. Iniciativas que, regra geral, são bem acolhidas e se revestem de combativas acções de contacto com as populações para ouvir e esclarecer sobre a importância do apoio à CDU.

Iniciativas que vão prosseguir estes dias, com a participação do Secretário-geral do PCP. Hoje, em Guimarães; sábado, em Silves; na próxima terça-feira em Matosinhos e Vila Nova de Gaia e no sábado, em Vila Real de Santo António.

A menos de um mês da sua realização, a Festa do Avante! continua a constituir uma prioridade no trabalho das organizações do Partido, este ano acrescida pela importância que a Festa vai ter no quadro da batalha eleitoral, de que, na prática, será a grande iniciativa de abertura da campanha.

Importa manter como grande prioridade a sua promoção, divulgação e venda da EP. Uma grande mobilização para a Festa fará dela uma Festa ainda maior e potenciará a confiança no reforço da CDU e da luta pela alternativa.

Importa também prosseguir o trabalho de reforço do Partido dando atenção à acção de contacto junto de militantes emigrados que se encontrem em período de férias nos seus locais de origem, mas também à distribuição de tarefas aos novos militantes e à campanha nacional de fundos.

Também a luta dos trabalhadores e das populações continua em numerosas acções de reclamação, de protesto e de luta, em torno de problemas e reclamações concretas, nas empresas, locais de trabalho e nas ruas.

Foi a enorme torrente de lutas travadas ao longo destes quatro anos que derrotou, no plano social, este Governo e o vai derrotar agora no plano eleitoral. Importa, porém, não deixar entrar pela janela das falsas soluções aquilo que será deitado fora pela porta. É necessária e possível a alternativa política patriótica e de esquerda. Do esforço de cada activista da CDU e de cada democrata e patriota dependerá, em grande parte, ganhar para o apoio e o voto no PCP/PEV todos aqueles que esmagados pela política de direita (da responsabilidade do PS, PSD e CDS) connosco estiveram na luta e no protesto. Há muitas razões para confiar na CDU. Mas a nossa acção continua a ser imprescindível.

 


 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: