Embargo russo gera crise no mercado agrícola
Preços esmagam produtores franceses
Conflito iminente

Após uma semana em que as cotações da carne de suíno estiveram suspensas, os produtores franceses esperam que a intervenção do governo ponha fim à crise no sector.

Para acalmar a vaga de protestos dos agricultores em Julho, o governo francês adoptou uma série de medidas de apoio, designadamente uma redução de impostos e a concessão de garantias aos bancos para reestruturar as dívidas de explorações à beira da insolvência.

Foi também através da mediação do governo que produtores, industriais da transformação de carne e a grande distribuição chegaram acordo para estabilizar o preço de compra.

O preço preconizado para a carne de porco deveria situar-se em 1,40 euros por quilo, valor que foi finalmente atingido, em 23 de Julho, no mercado de Plérin, na Bretanha, onde duas vezes por semana são fixadas as cotações do suíno para toda a França.

Porém, na semana passada, as duas maiores empresas transformadoras, Bigard e Cooperl, que representam cerca de 30 por cento das compras no mercado de Plérin, decidiram não participar nas licitações. Mais de 20 mil animais não encontraram comprador. O mercado foi suspenso e só reabriu na terça-feira, 18.

Os dois gigantes do sector, que exportam mais de um terço da sua produção, recusam-se a financiar a produção francesa de suínos, notando que a carne alemã é 28 cêntimos mais barata, enquanto a holandesa custa menos 38 cêntimos.

Na sua lógica, o preço mínimo definido em França não é sustentável, alegando que perdem entre oito e dez euros por cabeça.

Por seu lado, os produtores respondem que o valor de 1,40 euros por quilo corresponde exactamente ao preço de custo médio e ameaçam voltar às estradas com os seus tractores.

Segundo a federação europeia de agricultores e cooperativas Copa-Cogeca, desde que a Rússia declarou o embargo aos produtos europeus, como retaliação pelas sanções impostas pela União Europeia ao país, as explorações agrícolas europeias já tiveram 5,5 mil milhões de prejuízos.

O sector do leite e da carne foram particularmente atingidos.




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