Editorial

«É preciso conquistar voto a voto, décima a décima, mandato a mandato»

VOTAR E CONFIAR NA CDU

Estamos a pouco mais de quinze dias das eleições. No essencial, confirma-se a análise e perspectivas do PCP sobre a situação política marcada ainda pelo grande êxito e impacto da Festa do Avante! e pelo crescente clima de campanha eleitoral.

Regista-se a boa dinâmica do Partido e da CDU constatada nas grandes iniciativas realizadas com a participação do Secretário-geral do PCP logo a seguir à Festa, apesar do exigente trabalho que esta envolveu e, nalguns casos, do mau tempo. Foi assim nas diversas iniciativas em Peniche, nos concelhos do Oeste (Cadaval, Lourinhã, Mafra, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras); foi também assim no grande comício em Loures; assim foi também nas iniciativas em Montemor-o-Novo, Santiago do Cacém, Aljustrel, Cuba e na Moita; e em Lisboa, Sintra, Guimarães, Maia e Palmela. Um ambiente de grande simpatia, confiança e manifestação de apoio à CDU.

Confrontados com os resultados desastrosos da sua acção para os trabalhadores e para o povo com tão pesados sacrifícios e tantas vidas destroçadas, a coligação PSD/CDS teme o confronto directo com as populações de quem foge a sete pés trocando o debate de ideias e propostas pela distribuição de promessas e prebendas.

No mesmo plano, o PS, realizado a falso «duelo» eleitoral entre António Costa e Passos Coelho, o único transmitido pelos três canais generalistas de TV, gozando duma desmedida promoção nos órgãos da comunicação social dominante, desdobra-se em esforços para fugir ao confronto sobre as questões concretas que defende e que evidenciam a identificação, no essencial, com os objectivos programáticos do PSD/CDS: privatizações, congelamento das pensões por quatro anos, facilitação dos despedimentos, não renegociação da dívida, descapitalização da Segurança Social, ataque às funções sociais do Estado, entre outros. Intensifica a pressão tendo em vista a maioria absoluta, ao mesmo tempo que continua a culpabilizar o PCP pela derrota do PEC 4 como se este não fosse idêntico em quase tudo ao pacto de agressão que, conjuntamente com o PSD e CDS, negociou e subscreveu com a troika. E, mesmo na «oposição», disponibilizou sempre os seus votos para aprovar as medidas de que o Governo necessitou para salvar e prosseguir a política de direita.

E, entre o alvoroço provocado em torno do suposto «debate» eleitoral, a confusão entre alternativa e alternância, o empolamento da bipolarização, a mistificação do «empate técnico», o embuste das eleições para primeiro-ministro, tudo tem valido ao grande capital para tentar assegurar o triunfo eleitoral dos partidos do «arco da governação» da política de direita.

Mas, neste acto eleitoral, como afirmou o camarada Jerónimo de Sousa no comício da CDU em Loures, o que vai estar em causa é escolher entre dois caminhos: «permitir que se prossiga o rumo de afundamento que conduziu o País à actual situação de retrocesso e empobrecimento geral ou agarrar a oportunidade de, agora, com o seu apoio e o seu voto na CDU, abrir caminho a uma ruptura com a política de direita e concretizar uma política patriótica e de esquerda, com a força do povo, com a CDU e, finalmente, assegurar um Portugal desenvolvido, solidário, de justiça e de progresso».

De facto, é a CDU quem defende a reposição dos salários e das reformas cortadas, os direitos laborais e sociais, o emprego com direitos, a renegociação da dívida, um forte aparelho produtivo e a produção nacional, o controlo público das empresas e sectores estratégicos, uma política de defesa do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, da Segurança Social e do direito à cultura; uma política que desagrave a carga fiscal sobre os rendimentos dos trabalhadores e das micro, pequenas e médias empresas e tribute fortemente os rendimentos e o património do grande capital, os lucros e a especulação financeira; uma política em defesa do regime democrático e de combate à corrupção, que defenda e coloque o interesse de Portugal e do povo à frente da submissão ao euro, à UE e ao grande capital monopolista e afirme o direito do País a um desenvolvimento soberano.

Para derrotar a política de direita o voto que conta é o voto na CDU, que é um voto em gente séria, em quem respeita a palavra dada e assume os seus compromissos e está na política e nos cargos públicos para servir o povo e não para se servir a si próprio. O voto que conta para derrotar o Governo e a sua política mas também para penalizar os partidos – PS, PSD e CDS – que assinaram o pacto com a troika estrangeira. O voto que decide uma alternativa com soluções para defender os direitos e rendimentos dos trabalhadores e do povo. O voto numa força que esteve na linha da frente do combate ao Governo e continua na linha da frente para combater injustiças e afirmar direitos. O voto que decide a eleição de deputados comprometidos com as aspirações do povo e a construção de uma política alternativa.

Perante o tratamento desigual por parte da comunicação social dominante e campanhas orquestradas para denegrir a imagem do PCP (como o recente ataque à Festa do Avante!) e da CDU torna-se ainda mais importante desenvolver uma campanha de massas e insistir na mobilização de todos os activistas para o reforço das acções de contacto e de ligação aos trabalhadores e ao povo, valorizando o voto na CDU.

Há razões de peso para confiar no avanço eleitoral da CDU. Mas até às eleições, combatendo desistências e desânimos, é preciso conquistar voto a voto, décima a décima, mandato a mandato.

 


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