Reino Unido desvia verbas sociais para a guerra
Manifestações contra bombardeamentos na Síria
Não à espiral da guerra!

Milhares de pessoas manifestaram-se, dia 28, em Londres e Madrid contra a participação do Reino Unido e de Espanha em acções militares na Síria.

Na capital de Espanha, cerca de cinco mil pessoas, segundo os organizadores, desfilaram pelo centro da cidade, com cartazes a dizer «Não à Guerra», condenando os planos de acções militares na Síria, visando o autoproclamado Estado Islâmico.

A manifestação foi organizada no quadro da iniciativa «Não em Nosso Nome», lançada essencialmente por figuras da cultura, cujo manifesto recolheu 34 mil apoios na Internet, designadamente dos presidentes das câmaras de Barcelona e Madrid.

O texto critica as restrições das liberdades democráticas e condena a «política externa belicista iniciada pelo eixo Bush-Blair-Aznar», em referência à invasão do Iraque em 2003.

«Se a resposta à barbárie passa pela suspensão de direitos, pela restrição das liberdades e por ficarmos em casa, a vitória do terrorismo será total. Se à dor pelas vítimas inocentes se responde provocando mais dor e outras também inocentes, a espiral será imparável», argumenta o manifesto.

Na manifestação fizeram-se representar várias organizações e partidos políticos, nomeadamente, o PCE, Esquerda Unida e Podemos. A ausência do PSOE não passou despercebida, assim como não escapou à crítica a posição ambígua deste partido sobre uma intervenção na Síria.

Na ocasião, a advogada e escritora, Purificación González de la Blanca, fundadora da organização «Olhos para a Paz», declarou ao jornal digital Público que o objectivo da França «não é combater o Estado Islâmico», o qual tem apoiado e financiado desde 2012. «O objectivo da França é invadir a Síria» e desmembrar o país: «Tudo se encaminha para lhe roubar 75 por cento do seu território, criar um Estado curdo e permitir que a França fique com um protectorado».

Para o mesmo dia estavam anunciadas concentrações similares em mais de duas dezenas de cidades nas diferentes regiões de Espanha.

Guerra divide trabalhistas

No Reino Unido, cerca de seis mil pessoas concentraram-se nas imediações da residência oficial do primeiro-ministro, em Londres, manifestando-se contra a participação do país em bombardeamentos na Síria.

O protesto foi organizado pela coligação «Stop the War» (Parem a Guerra), depois de o primeiro-ministro, David Cameron, ter solicitado o apoio do parlamento para desencadear acções militares.

Há dois anos, o parlamento pronunciou-se contra bombardeamento na Síria, limitando os ataques aéreos ao território do Iraque. Agora, porém, sob o pretexto da segurança interna, o assunto divide os próprios trabalhistas.

O novo líder do Labour, Jeremy Corbyn, opõe-se firmemente aos ataques contra o Estado Islâmico, mas a sua posição não é seguida por uma parte dos deputados trabalhistas.

Corbyn reuniu, dia 26, o chamado «governo sombra», núcleo de dirigentes do partido que replica as pastas ministeriais. No final, face à impossibilidade de se obter uma posição comum, o líder dirigiu uma carta aos deputados trabalhistas em que insiste: «Não creio que a proposta actual do primeiro-ministro sobre o bombardeamento na Síria proteja a nossa segurança e por isso não posso apoiá-la».

Na votação prevista para esta semana, Cameron deverá obter um amplo apoio aos seus planos bélicos, para os quais, aliás, já foram desviados recursos consideráveis.

No início da semana passada, o governo britânico anunciou um reforço do orçamento militar em 12 mil milhões de libras (cerca de 17 mil milhões de euros) nos próximos dez anos.

Estas verbas, como explicou, dia 23, o ministro das Finanças, George Osborne, serão libertadas à custa dos orçamentos da polícia, dos apoios sociais e subvenções a empresas.

 



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