PSD e CDS apostam numa «política de terra queimada»
Jerónimo de Sousa na Figueira da Foz e em Vila Real de Santo António
Tempo de exigentes combates

Na sexta-feira e no sábado, em duas duas grandes iniciativas realizadas na Figueira da Foz e em Vila Real de Santo António, Jerónimo de Sousa apelou à intensificação da luta e ao reforço do Partido a todos os níveis.

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No jantar realizado no pavilhão do Grupo Caras Direitas, na Figueira da Foz, como no comício promovido no auditório do Glória Futebol Clube, em Vila Real de Santo António, foi visível a satisfação reinante no colectivo partidário e nos que com ele mais intimamente trabalham quanto à derrota do governo PSD/CDS, consumada dias antes. Como Jerónimo de Sousa sublinhou no início dos seus discursos, esta é uma derrota «final e definitiva», depois de um «longo e dispensável período de manobras desestabilizadoras» com que PSD e CDS se quiseram perpetuar no poder, com o prestimoso auxílio do Presidente da República. Ao ainda Chefe de Estado, o dirigente comunista acusou-o de tudo ter feito para «transformar um acto de normalidade democrática numa crise política».

O Secretário-geral do PCP repudiou, em seguida, o «exacerbado ressabiamento e mau perder» de PSD e CDS, que alimentam uma «despudorada campanha mistificadora com claros propósitos de desestabilização geral» assentes em pressupostos falsos, como a suposta «ilegitimidade» de qualquer governo que não o seu ou a inexistente regra de que o partido mais votado tem «direito» a governar. A opção pela «política de terra queimada» tem subjacente a intenção de «rápido regresso ao poder, contando [PSD e CDS] para isso com a eleição do seu candidato às eleições presidenciais», acrescentou Jerónimo de Sousa.

Os partidos que governaram o País nos últimos anos, garantiu o dirigente comunista, «especializaram-se na governação da mentira» e assim continuam depois de terem sido apeados do poder pela corajosa e persistente luta do povo. Assim, e por mais que PSD e CDS o repitam, a desaceleração e estagnação da economia vem do tempo do seu governo, assim como o aumento do desemprego, da emigração e da pobreza. Afinal, os cofres não estavam «cheios», como se gabava o antigo primeiro-ministro.

Para Jerónimo de Sousa, queiram ou não, PSD e CDS só têm uma opção: reconhecer que perderam cerca de 700 mil votos e que em conjunto não valem mais do que 38,3 por cento dos votos expressos, e parar com a sua campanha de mentiras e difamação.

Passos limitados mas importantes

No dia 26, ou seja na véspera do jantar na Figueira da Foz, tomou posse o novo governo, «da iniciativa do PS e com um programa que é da sua responsabilidade», como fez questão de lembrar o Secretário-geral do PCP. Ainda assim, e graças a um trabalho sério e empenhado do Partido para encontrar respostas e soluções a graves problemas que afectam os trabalhadores e o povo, foi possível chegar a uma solução política que se possa constituir como o «sinal de mudança que os portugueses exigiram com a sua expressiva condenação do governo e da política anteriores».

O dirigente do PCP garantiu que a Posição Conjunta do PS e do PCP sobre Solução Política constitui a «base para a adopção de uma política que assegure uma solução duradoura na perspectiva da legislatura que agora começou» e sublinhou que a independência, identidade e Programa do Partido estão totalmente salvaguardados. Simplesmente foi identificado um «conjunto de matérias onde é possível assegurar uma acção convergente» e dar passos para resolver muitos dos problemas mais imediatos dos trabalhadores, do povo e do País.

Se a acção do Governo é fundamental para confirmar esta «nova fase na vida política nacional», Jerónimo de Sousa destacou a importância que a nova composição da Assembleia da República assume para «adoptar as decisões que correspondam a legítimas aspirações do povo português». Da parte do PCP, garantiu, os compromissos assumidos na campanha eleitoral são para cumprir.

O PCP, reafirmou o Secretário-geral, vai continuar a lutar pela alternativa patriótica e de esquerda como «grande solução para os problemas do País». A possibilidade de dar passos – «limitados mas nem por isso pouco importantes» – na resolução de algumas questões mais prementes, não só não dispensa como exige o prosseguimento do combate por essas alterações mais profundas.

Múltiplos combates

No imediato, realçou Jerónimo de Sousa, importa travar a batalha das eleições presidenciais. Como lembrou o Secretário-geral comunista, «a vida tem mostrado o que significaram estes anos de enfeudamento à política de direita de Cavaco Silva e o seu papel como Presidente da República», da mesma forma que revela «quão necessária e quão imperativa é a candidatura de Edgar Silva». Este é o momento para dinamizar um «forte movimento de apoio à candidatura de Edgar Silva» e de avançar no esclarecimento, na mobilização e na afirmação da natureza distinta desta candidatura, acrescentou.

Para Jerónimo de Sousa, o Partido precisa de agir «com iniciativa própria e proposta no plano das instituições», de actuar «no seio dos trabalhadores e do povo», cuja luta é hoje mais importante do que nunca, e ainda de intervir «visando o fortalecimento do PCP». É na «conjugação da acção em todas as frentes que este Partido, imprescindível aos trabalhadores, ao povo e ao País precisa de continuar a agir», concluiu. 




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