A democracia participativa é um eixo central da Constituição
Cultura e participação em destaque em Almada
Direitos constitucionais

O candidato comunista à Presidência da República participou, no dia 3, em duas iniciativas em Almada: um almoço com dirigentes e activistas associativos e uma sessão sobre cultura.

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Não foi certamente por acaso que a candidatura de Edgar Silva à Presidência da República escolheu a cidade de Almada para abordar as questões da participação e da cultura: desde há décadas que o município da margem esquerda do Tejo se destaca pelo vibrante movimento associativo que possui; com a Revolução de Abril e o apoio do poder local democrático, este movimento expandiu-se até fazer de Almada uma referência nas áreas do teatro, da música, das artes, do desporto. 
No almoço que encheu por completo o salão do Centro de Instrução e Recreio do Laranjeiro, Edgar Silva começou, na sua intervenção, por destacar esta característica marcante do concelho de Almada, a intensa participação democrática que a caracteriza. O candidato contou ainda que, à entrada da cidade, no caminho para o local da iniciativa, se deparou com um grande cartaz da Câmara Municipal evocativo do 25 de Abril no qual se lia, em garrafais letras azuis, a palavra «participação».
Se Almada é terra de associativismo, o almoço do CIRL, pelos que nele participaram, era disso «experiência viva», como sublinhou o candidato, referindo-se aos dirigentes e activistas de clubes, associações e colectividades, instituições onde a «democracia viva é exercida de forma clara». Para Edgar Silva, é fundamental construir este rumo noutros pontos do País, cumprindo esse projecto de democracia avançada que a Constituição da República Portuguesa consagra.

Cultura para todos

Ao final da tarde, depois de uma passagem pela Autoeuropa, o candidato participou numa sessão pública no Teatro-Estúdio António Assunção, onde até há poucos anos funcionava o teatro municipal. Aí, Edgar Silva começou por recordar a sua passagem pelo seminário de Almada e os dois anos que viveu precisamente naquela zona de cidade.
Desse período da sua vida o candidato guarda a memória de uma oferta cultural intensa e acessível, fruída com particular sofreguidão pelo jovem madeirense. Nesses anos, lembrou, estavam a dar os primeiros passos alguns projectos culturais de grande fôlego e visão que hoje são referências a nível nacional, e não só.
O candidato comunista chamou depois a atenção para os deveres do Estado em relação à cultura, consagrados no artigo 73.º da Constituição da República Portuguesa, nomeadamente no que respeita à sua universalidade e à ligação profunda entre educação, ciência e cultura. No artigo 78.º, acrescentou, dá-se particular ênfase às oportunidades de fruição e criação de cultura, o que contrasta com a realidade do País, marcada por uma crescente elitização da cultura e uma drástica redução dos apoios aos criadores.
Antes da intervenção de Edgar Silva teve lugar no átrio do Teatro Estúdio António Assunção um momento cultural que, nas palavras do próprio, foi de uma «grande carga estética, emotiva e poética». Sandra Costa e João Vieira interpretaram – só com voz e carron – temas de José Afonso, José Carlos Ary dos Santos e Amália Rodrigues, enquanto António Boieiro fez uma impressionante declamação do poema de Vinicius de Moraes «O Operário em Construção», que levou às lágrimas alguns dos presentes, para além do próprio intérprete. A artista plástica e pedagoga Catarina Pé-Curto destacou a importância da cultura recorrendo a palavras de uma almadense que, depois de reformada, foi estudar artes plásticas, o que mudou por completo a sua vida.

Não há resultados pré-definidos

Em ambas as iniciativas, Edgar Silva sublinhou a necessidade de impedir que PSD e CDS façam das eleições presidenciais uma «segunda volta» das legislativas de 4 de Outubro, que os apeou do poder. A 24 de Janeiro, acrescentou, há que confirmar a derrota dos que nos últimos quatro anos governaram o País através da derrota do seu candidato, Marcelo Rebelo de Sousa.
Repudiando o esforço que os principais órgãos de comunicação social estão a fazer para apresentar Marcelo Rebelo de Sousa como vencedor antecipado das eleições, Edgar Silva lembrou que só no fascismo os resultados eleitorais estavam definidos à partida. Em democracia, quem escolhe é o povo, sublinhou.
Acusando ainda as estações de televisão de agirem como «tira nódoas» relativamente ao currículo de Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato comunista lembrou o seu passado como deputado e presidente do PSD e a sua ligação a «todas as piores políticas de direita» levadas a cabo em Portugal.

Mobilizar e esclarecer

No dia 2, Edgar Silva começou a visita ao distrito de Portalegre na Biblioteca Municipal de Monforte, onde participou num encontro com trabalhadores do município. Seguiu para Portalegre, onde almoçou com apoiantes e prestou declarações aos órgãos de comunicação social regionais.
À tarde, o candidato comunista deslocou-se ao concelho de Avis, tendo visitado a Biblioteca Municipal José Saramago, recentemente inaugurada, e participado numa sessão pública com a população no salão da Junta de Freguesia de Avis.
Ao início da noite, num jantar com apoiantes e mandatários concelhios em Ponte de Sor, em que participaram mais de uma centena de pessoas, Edgar Silva declarou que este é um tempo de esperança mas também de mobilização e esclarecimento, na afirmação da candidatura de Abril. Sublinhou igualmente que é possível um outro rumo para o País, de progresso para os trabalhadores e o povo, sendo para tal necessário um Presidente da República que cumpra e faça cumprir a Constituição da República.




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