Aconteu
Mais de 100 mil emigram por ano

Cerca de 110 mil portugueses emigraram por ano, entre 2013 e 2014, de acordo com um estudo do Observatório da Emigração, divulgado dia 22.
Os resultados baseiam-se em dados recolhidos em 15 países europeus, mais Angola, Brasil e Moçambique.
O número de portugueses que emigraram neste período só tem «paralelo com finais dos anos de 1960 e princípios dos anos de 1970», declarou à agência Lusa Rui Pena Pires, no lançamento do estudo.
O Reino Unido foi o principal destino, com mais de 30 mil portugueses que procuraram fixar-se neste país, seguindo-se a Suíça, França, Alemanha e Espanha.
A emigração irá continuar alta nos próximos anos, afirma o responsável do Observatório, organismo criado em 2009, em parceria entre o ISCTE e a Direção Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.


Banca é buraco sem fundo

Entre 2008 e 2014, o Estado português gastou 11 822 milhões de euros em apoios ao sector financeiro, de acordo com o parecer do Tribunal de Contas à Conta Geral do Estado de 2014.
No referido período, as despesas públicas com o setor financeiro atingiram cerca de 17 635 milhões de euros (10,2% do Produto Interno Bruto de 2014), tendo por sua vez gerado receitas no montante de 5813 milhões de euros.
Segundo o documento, entregue, dia 22, na Assembleia da República, o BES/Novo Banco lidera a lista das ajudas com um total de 4685 milhões de euros, seguindo-se a Caixa Geral de Depósitos com 3158 milhões de euros.
O BPN, que entretanto foi vendido ao BIC, surge na terceira posição, tendo entre 2008 e 2014 recebido apoios públicos no valor de 2784 milhões de euros.
O Tribunal refere ainda que acrescem a estes montantes garantias ao BES no valor de 3500 milhões de euros, que transitaram para o Novo Banco.


Sobretaxa não será devolvida

A manter-se até final do ano o crescimento da receita do IRS e do IVA registado até Novembro, não haverá em 2016 devolução da sobretaxa de IRS, como prometeu em período eleitoral o anterior governo PSD/CDS-PP.
Segundo dados da Administração Tributária, o IRS atingiu os 11 432 milhões de euros e o IVA 13 869 milhões de euros.
A receita dos dois impostos teve assim um aumento de apenas 3,3 por cento face ao mesmo período de 2014, abaixo dos 3,7 por cento previstos no Orçamento do Estado para 2015, limite a partir do qual o excedente seria devolvido aos contribuintes.


Faleceu João Silva

João Silva, fotógrafo da CGTP-IN durante 29 anos, faleceu dia 21, aos 99 anos de idade.
Numa nota em que manifesta «pesar e tristeza», a Intersindical lembra o «trabalhador e lutador extraordinário», cuja «vida e acção» fazem parte do «valioso património histórico e de militância da CGTP-IN».
Começou a trabalhar aos 12 anos como escriturário e aos 17 entrou para os estúdios de cinema Tóbis, onde foi operador de câmara. Trabalhou em dezenas de filmes, entre os quais, «Canção de Lisboa», «Aldeia da Roupa Branca», «Pai Tirano», ou «África», do italiano Ettore Scola.
Em 1934 foi preso e desterrado durante dois anos para Angra do Heroísmo, pela sua participação na greve geral de 18 de Janeiro.
Em 1950 vai para Angola onde se dedica ao documentário. Regressa a Portugal em 1979, ligando-se à CGTP-IN, onde trabalhou como fotógrafo até 2007.


Superior elimina metade dos cursos

Desde 2009 fecharam quase metade dos mais de cinco mil cursos de ensino superior existentes nas diversas instituições.
Segundo dados da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, divulgados dia 23, dos 5262 ciclos de estudos registados na Direção Geral de Ensino Superior 2442 já foram eliminados, a grande maioria por iniciativa das próprias instituições.
A falta de alunos é uma das principais razões, o que tem levado ao encerramento de algumas entidades privadas. A crise económica reflectiu-se em particular na área da Engenharia Civil, onde se observa uma drástica redução de cursos e de estudantes (de quase 15 mil em 2008/2009 para menos de dez mil em 2013/2014).


Agentes da CIA perdoados em Itália

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, reduziu, dia 23, as penas de prisão a dois agentes da CIA envolvidos no sequestro do imã egípcio Abu Omar, em 2003.
A vítima foi levada do Nordeste de Itália para uma base norte-americana na Alemanha, seguindo depois para o Cairo, onde foi submetido a tortura.
Em 2009, a justiça italiana deu como provados os factos e condenou o antigo chefe da CIA em Milão, Bob Seldon Lady, juntamente com outros 22 agentes.
Julgados à revelia, nenhum dos condenados cumpriu pena. No entanto, Seldon Lady e Betnie Medero beneficiaram de um perdão presidencial de dois anos, com a justificação de que o programa das «prisões secretas» foi entretanto suspenso.



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