A luta que levou à criação do PCP em 1921 continua hoje
Comício do PCP no Porto
«É possível um País melhor»

O PCP encheu por completo a Alfândega do Porto, no sábado, 12, num comício evocativo do seu 95.º aniversário, cujas comemorações decorrem sob o lema «Sempre com os trabalhadores e o povo, pela democracia e o socialismo».

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No Porto, o comício de comemoração dos 95 anos do Partido Comunista Português começou com a evocação da história da luta de classes, cantada e contada ao som de melodias em textos que se fizeram hinos dos movimentos de libertação dos povos, com a poesia de Brecht, de Dias Lourenço ou de João Pedro Mésseder a encherem o salão da Alfândega com a convicção sempre renovada de ser esta a mais bela luta da Humanidade, que tem em Portugal, no PCP, um exemplo de resistência e combate por uma sociedade mais justa que todos os dias ganha sentido e se renova junto dos trabalhadores e daqueles que acreditam que é possível um Portugal melhor.

Depois desse momento cultural, da responsabilidade de Guilhermino Monteiro, que contou com perto de quatro dezenas de elementos de coros de professores de São Pedro da Cova e de Ovar, Pedro Martins, da JCP, deu rosto e voz a essa vitalidade do ideal e da luta das gerações mais novas, ao recordar as recentes manifestações dos estudantes e as que se avizinham, designadamente a que foi marcada para o dia 15, em Lisboa, pelas associações de estudantes do Porto, para exigir «mais e mais abrangente acção social escolar» e a que, a 31 de Março, está convocada pela Interjovem/CGTP-IN, para assinalar o Dia Nacional da Juventude em luta. «A juventude não vai ficar à espera que as suas reivindicações lhes caiam no regaço. Sabemos que foi e será com a luta que iremos garantir os nossos direitos e o nosso futuro», declarou.

Para lá das manifestações dos estudantes, há mais movimentos de trabalhadores a reclamar medidas justas com os quais o PCP se orgulha de estar. Desses falou Jaime Toga, da Comissão Política, que lembrou os traços distintivos da acção dos militantes do PCP relativamente àqueles que usam a região como bandeira populista. Disso tem sido exemplo a contestação à redução de rotas da TAP a partir do Porto: «Este cancelamento de voos é apenas mais uma das graves consequências da privatização da TAP. Contrariamente aos que procuram resumir isto a uma guerra Porto-Lisboa, a defesa do interesse da região é inseparável do interesse nacional, da TAP inteiramente pública, recapitalizada, ao serviço do desenvolvimento de todo o País e factor de afirmação e projecção da soberania nacional», defendeu. Jaime Toga lembrou ainda as «importantes adesões às greves verificadas nas últimas semanas na Petrogal, na cantina do Hospital de Gaia, no Hospital Santa Maria e nos bares dos comboios».

Janela de esperança

Celebrar tão expressivo aniversário é exaltar a entrega, a honestidade, a coerência e o rigor desse imenso colectivo que dá corpo ao Partido e leva à Assembleia da República as reivindicações daqueles a quem tentam tirar a voz. Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa lembrou os mais recentes passos dessa tarefa, assumida na Posição Conjunta com o PS, para a devolução de direitos e rendimentos aos trabalhadores e ao povo português.

Num momento em que o Orçamento do Estado se encontrava ainda em debate na especialidade (ver páginas 12 e 13), o Secretário-geral do Partido valorizou o que tinha já sido alcançado. Todos estes avanços são, contudo, escassos para a vontade comunista. «A situação do País exigia que se fosse mais longe», admitiu Jerónimo de Sousa, e é nesse sentido que o PCP continuará a trabalhar, na defesa abrangente dos direitos do povo e da soberania nacional, ameaçada pela UE e também aí combatida pelos eleitos comunistas, na defesa de questões concretas e de um ideal que nos precede: «A Democracia Avançada que o PCP apresenta ao povo português – com a sua natureza antimonopolista e anti-imperialista – é parte integrante da luta pelo socialismo, pelo qual gerações de comunistas lutaram e lutam», precisou Jerónimo de Sousa.

No sábado, no Porto, os militantes do PCP saudaram esse caminho e os sinais conquistados a cada dia de que «um Portugal melhor é possível», num caminho diferente do da «exploração e da pobreza« defendido pela direita e combatido nesta «janela de esperança» que se abriu na actual legislatura.




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