A valorização dos trabalhadores passa por salários dignos
Lutas e negociações em curso
Por direitos e salários dignos

Em diversas empresas, os trabalhadores e as organizações que os representam mantêm-se firmes na luta por salários justos, denunciando uma política que deixa «migalhas» para os trabalhadores e atribui dividendos «chorudos» aos accionistas.

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O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN) considera que a proposta dos CTT em matéria salarial é «uma afronta aos trabalhadores». Num comunicado relativo à terceira ronda de negociações da matéria salarial, que teve lugar no dia 3, o sindicato afirma que a administração dos CTT «recusa reconhecer aos trabalhadores o direito a aumentos salariais justos e que reponham uma parte do poder de compra perdido».

Para o SNTCT é inaceitável que os CTT queiram proceder a um aumento anual na massa salarial de cerca de 2,2 milhões de euros, ao mesmo tempo que pretendem aplicar nove milhões de euros em prémios, «para além dos chorudos dividendos que vão pagar aos accionistas». Esta estratégia visa «desprezar os aumentos nos salários base e diuturnidades» e dividir os trabalhadores, levando-os a crer que, «se se portarem bem», «se não fizerem ondas», irão receber «uma esmola», afirma o sindicato, que não aceita este patamar negocial e diz que vai mobilizar os trabalhadores para a luta.

No dia 11, realizou-se uma nova sessão negocial e, face à proposta de aumento salarial apresentada pela administração, o sindicato decidiu convocar uma greve geral para dia 28 nos CTT e nas empresas do Grupo CTT, considerando que a resposta aos «aumentos de miséria» deve ser dada pelos trabalhadores e insistindo na ideia de que o dinheiro deve ser empregue em aumentos na tabela salarial e não em prémios.

Num comunicado posterior à apresentação dos resultados operacionais do exercício de 2015 do Grupo EDP e anterior a mais uma sessão de negociação, a comissão negociadora sindical liderada pela Fiequimetal (CNS/Fiequimetal) defende que os resultados referidos – que sofreram uma ligeira quebra, mas se mantêm ao nível dos de anos anteriores – têm de se reflectir nos salários, «pondo fim a uma política de distribuição da riqueza produzida que é generosa para os accionistas» e deixa apenas umas «migalhas para os salários dos trabalhadores».

A CNS/Fiequimetal sublinha o facto de, nos últimos cinco anos, os resultados líquidos do Grupo EDP terem estado sempre acima dos mil milhões de euros/ano. Contudo, 62 por cento destes resultados são atribuídos aos accionistas, sob a forma de dividendos, pela empresa, que «tem negado aos trabalhadores aumentos salariais dignos, limitando-se a meras actualizações, timidamente, à volta do valor da inflação e sem que tenha em apreço a produtividade, excepcionalmente elevada, por empenho e mérito dos trabalhadores», denuncia o texto.

A CNS/Fiequimetal, que acusa a EDP de estar a desinvestir nos trabalhadores, tratando-os como se fossem uma «despesa a evitar», exige que a empresa deixe de bloquear as negociações de revisão das tabelas salariais para 2016 e que os aumentos salariais permitam repor algum do poder de compra perdido ao longo dos anos.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN) agendou para dia 28 uma greve na PT Portugal em protesto contra a perda de poder de compra nos últimos anos e o congelamento de salários e matérias de expressão pecuniária. A fundamentar esta acção de luta, o sindicato refere outros direitos que não estão a ser respeitados, como o processo de recolocação (mobilidade funcional), o não pagamento do trabalho suplementar nos moldes em que era feito anteriormente, a imposição do cartão de refeição e do novo regime de ajudas de custo e a não atribuição de diuturnidades a alguns trabalhadores.

Para exigir aumentos salariais, a defesa do contrato colectivo de trabalho (CCT) e os direitos nele consagrados, os trabalhadores do sector da indústria de abate de aves vão concentrar-se hoje, às 14h00, junto à sede da associação patronal do sector, Ancave, informa numa nota a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (Fesaht/CGTP-IN).

A federação sindical afirma que o patronato se tem recusado sistematicamente a actualizar os salários dos trabalhadores deste sector e que nem sequer aceitou a proposta de aumento de salários do Ministério do Trabalho, em sede de mediação, apresentada no final de Fevereiro.

«Não satisfeitos, tiveram o desplante de denunciar o CCT, com intenção de o eliminar», e, assim, os direitos dos trabalhadores que nele estão consagrados, refere a Fesaht, que acusa a associação patronal, em conjunto com algumas empresas do sector, de querer incentivar a precariedade.

Reivindicando a aplicação da contratação colectiva do sector e o aumento dos salários, os trabalhadores da CoviBus – empresa rodoviária de passageiros da Covilhã pertencente ao grupo Avanza – marcaram uma greve para os dias 16, 17 e 18. Confrontada com «a firmeza e a mobilização demonstradas», no dia 15 a administração cedeu, procedendo a um aumento de 30 euros na tabela salarial e assumindo o compromisso de aplicar a contratação colectiva. «Valeu a pena lutar», lê-se numa nota da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN).

 



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