O Metro está
há cinco anos
proibido de contratar pessoal operacional
Exigida no Metro concretização das promessas
Palavra aos passageiros

O abandono da declaração de caducidade do Acordo de Empresa e a admissão urgente de pessoal são dois passos que a tutela e a administração têm que dar, sublinha o sindicato da Fectrans/CGTP-IN no Metropolitano de Lisboa.

O STRUP (Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal) destacou aquelas duas exigências no comunicado que emitiu no dia seguinte a um plenário geral, realizado na quarta-feira da semana passada, dia 6, para informar os trabalhadores sobre as negociações do Acordo de Empresa e discutir «de forma aberta» este processo.
No dia 5, a administração comum da Transportes de Lisboa tinha apresentado a sua proposta de AE, que as organizações subscritoras iriam analisar esta terça-feira, com vista a preparar uma contraproposta para dia 19.
Para explicar que a má prestação do serviço público se deve à falta de efectivos, no plenário foi decidido distribuir um documento à população, no qual se apela a que os passageiros formalizem o apoio à contratação de mais trabalhadores.
«Não peçam mais desculpa, contratem os trabalhadores em falta» é a mensagem que deve ser escrita no livro de reclamações, quando a administração do Metro espalhar mensagens de desculpas por atrasos ou interrupções na circulação.
No folheto, assinado «os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa» e que está escrito em estilo de carta a cada utente, começa-se por admitir que «você sabe bem o quanto, nos últimos cinco anos, a qualidade e a fiabilidade» decaíram e «só pode estar farto de ver nos placards de informação a frase “pedimos desculpa disto”, “pedimos desculpa daquilo”».
Explica-se depois que a empresa está há cinco anos proibida de contratar trabalhadores operacionais, motivo por que nos quadros faltam hoje quase 50 maquinistas, outros tantos trabalhadores das estações e mais umas dezenas na manutenção de infra-estruturas e material circulante.
Os cortes foram impostos «porque queriam privatizar a empresa e, quanto pior ela funcionasse no público, mais fácil seria oferecê-la ao grande capital». E, se «esta política foi, no essencial, imposta pelo anterior governo», o actual «tarda em corrigir o problema». Perante a falta, este «proibiu as férias de maquinistas nos primeiros meses deste ano», o que vai criar problemas mais tarde, porque as férias serão concentradas num período mais curto; e também «tem feito pressão para haver cada vez mais estações sem trabalhadores».

Luta para valer

Na informação sobre o plenário, o STRUP recorda que os trabalhadores do Metro, «por força da sua luta, conseguiram que o Governo pusesse termo ao processo de subconcessão da empresa, repusesse o direito ao transporte dos familiares e reformados, assumisse o pagamento dos complementos de reforma aos nossos reformados e pensionistas, bem como a reposição deste direito a todos os trabalhadores de acordo com o AE vigente, repusesse os quatro feriados que a anterior maioria governamental tinha roubado». Na empresa, «estamos hoje perante um CA diferente dos dois últimos, principalmente ao nível do diálogo, o que já possibilitou a resolução e integração dos trabalhadores cujos contratos a termo incerto enfermavam de ilegalidade», estando «em fase de resolução a questão dos trabalhadores que ilegalmente foram colocados nos “disponíveis”».
No plenário foi ainda decidido marcar uma «entrega de um ofício ao Governo no dia da inauguração da estação da Reboleira», para «evidenciar os principais problemas existentes, solicitando o cumprimento dos compromissos assumidos».
Um novo plenário será convocado após a reunião com a administração, no dia 19.

 



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