O colectivo partidário foi capaz, ao longo dos anos, de tornar possível o que parecia impossível
A maravilhosa epopeia da Festa
E à quadragésima chegamos<br>ao Cabo

A 40.ª edição da Festa do Avante!, que tem lugar no próximo mês de Setembro, será inesquecível, por se realizar pela primeira vez num terreno maior e ainda mais ligado ao rio, resultante do seu alargamento à Quinta do Cabo. Em ano de redondo e significativo aniversário, recordamos as aventuras e desventuras da Festa – desde a antiga FIL ao Jamor, passando pela Ajuda e o Infantado, até à Quinta da Atalaia –, que, como Álvaro Cunhal afirmou em 1976 e a história confirmou, é a «maior, a mais extraordinária, a mais entusiástica, a mais fraternal e humana jamais realizada no nosso País».

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O percurso destes 40 anos de Festa do Avante! não foi fácil, como nada nunca o foi para o Partido Comunista Português. Mas os comunistas não vacilam perante a adversidade, antes reforçam a sua unidade e reúnem as energias necessárias para superar os obstáculos e prosseguir a sua luta com forças redobradas.

No caso da Festa, ela enfrentou desde o primeiro dia a oposição aberta ou encapotada dos que não suportaram nem suportam os seus efeitos na ampliação do prestígio e capacidade de atracção do PCP, no derrube de preconceitos anticomunistas e na consciencialização social e política das grandes massas que todos os anos a visitam. Desde ameaças de bomba à não concessão de espaços para a sua realização, passando pelas mil e uma imposições legais com que a procuram limitar, a Festa do Avante! tudo enfrentou e tudo superou. Fácil nunca foi, mas com o empenho e a dedicação do colectivo partidário e de milhares de amigos, a Festa soube ser melhor a cada ano e reinventar-se sem nunca perder a sua identidade.

Em 1977, Álvaro Cunhal recordava que depois do «êxito extraordinário» da primeira edição da Festa, o recinto da FIL fora recusado para a edição desse ano. Com isso, «julgaram condenar-nos a uma festa de proporções mais reduzidas», lembrava ainda o então secretário-geral do Partido. Mas enganaram-se: a Festa rumou ao Jamor, um «vastíssimo campo, então completamente abandonado e cheio de matagais», que muitos julgavam impróprio para acolher a Festa: sê-lo-ia, de facto, não fosse o trabalho, a dedicação, o espírito de organização, a iniciativa, a imaginação criadora e o espírito colectivo relevado pelo Partido e pelos seus militantes e simpatizantes, que foram capazes – então como hoje – de tornar possível o impossível.

Problemas com a autarquia da capital levaram a Festa para o Alto da Ajuda, em Lisboa, onde durante vários anos se espraiou, imponente, com uma soberba vista para a cidade e para o Tejo... até que uma vez mais foi despejada a pretexto de um projecto que durante muito tempo não saiu do papel. Da Ajuda a Festa passou para a Quinta do Infantado, em Loures, numa solução de recurso que só a militância comunista foi capaz de enfrentar. Foi aí que, em 1989, Álvaro Cunhal revelou a compra da Quinta da Atalaia, um terreno de 25 hectares «bonito, formoso, junto ao rio», onde, como se veio a confirmar, haveria condições para realizar «belíssimas festas, num ambiente aprazível», de onde «ninguém nos pode tirar». «É nosso! É nosso!», respondeu em uníssono a multidão...

Ao longo dos anos, a Atalaia melhorou e com ela as festas aí realizadas. Com a ampliação da Festa à Quinta do Cabo, alarga-se não só o terreno mas as condições para uma Festa do Avante! ainda melhor.




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