Editorial

«Agir, propor e lutar para servir os trabalhadores, o povo e o País»  

IR MAIS LONGE<br>PELA LUTA

Pelo seu profundo significado e actualidade, esta semana ficou marcada pela realização anteontem em Lisboa da sessão sobre «A libertação da submissão ao euro, condição para o desenvolvimento e soberania nacional». Como sublinhou o camarada Jerónimo de Sousa, esta iniciativa fecha um ciclo de três debates promovidos pelo PCP. «Em Março, sobre o controlo público da banca, em Abril sobre a renegociação da dívida e agora, este, sobre a libertação da submissão ao euro. Três questões de fundo, que estão no centro da necessária ruptura com a política de direita e da política alternativa patriótica e de esquerda que o PCP propõe. Três opções que se relacionam entre si: uma banca privada, crescentemente detida pelo capital estrangeiro, sorvedouro de recursos públicos, fonte de processos danosos e fraudulentos, incapaz de responder às necessidades de crédito do País; uma dívida pública insustentável, garrote financeiro do País, fonte de especulação e chantagem e factor de empobrecimento nacional; e uma moeda única, contrária aos interesses nacionais e que amarra o País à submissão e dependência externa». Foi uma iniciativa de grande importância pelo debate que promoveu. Esta acção insere-se na luta do PCP pelo alargamento da convergência de democratas e patriotas em torno da ideia de que a libertação do euro é uma necessidade e uma possibilidade que se impõe como condição para devolver ao País e ao povo aquilo que lhe pertence, promover o desenvolvimento, aproveitar as potencialidades e recuperar a soberania.

Foi inaugurado o túnel do Marão importante investimento público nas acessibilidades das populações, em particular as que vivem no Nordeste transmontano. Investimento público que é necessário alargar como condição de desenvolvimento do País mas cuja expansão impõe a ruptura com os constrangimentos que o limitam, condicionam ou impedem.

A obra volta a colocar na ordem do dia a necessidade de eliminação das portagens nas auto-estradas do interior e do Algarve como propôs o PCP através de projectos de lei votados na passada sexta-feira e inviabilizados pelos votos do PSD, CDS e PS. E trouxe mais uma vez à luz do dia o lamentável exercício de hipocrisia política por parte do PSD/Passos Coelho ao tentar negar o que fez no passado. No mesmo sentido, o CDS vai apresentando propostas na ansiosa tentativa de apagar as pesadas responsabilidades dos últimos quatro anos na exploração e empobrecimento de milhões de portugueses.

Assistimos também à discussão sobre os contratos de associação celebrados com diversas instituições do ensino particular e cooperativo, com grande projecção na comunicação social e instrumentalização política dos alunos, pais, professores e outros profissionais por parte do PSD e do CDS. Sobre o assunto, o PCP mantém uma atitude de defesa da Escola Pública como meio para garantir o direito à educação que a Constituição consagra. O PCP entende que é preciso ter em conta o carácter complementar do ensino privado em relação ao ensino público e defende, ao mesmo tempo, que professores e funcionários do ensino privado tenham direitos equiparados aos da Escola Pública. Nesse sentido, continuará a defender o direito de todas as crianças e jovens à igualdade no acesso e sucesso escolar, com a universalização da educação, sem discriminações em função das condições económicas e sociais, com integral respeito pelos direitos de docentes e não docentes e a defesa do investimento numa escola pública, gratuita, de qualidade, inclusiva e para todos.

Prossegue uma intensa actividade do Partido como aconteceu esta semana no 15.º Encontro Regional de Quadros do Alentejo do PCP em Avis e na sessão sobre a libertação da submissão ao euro que contaram com a participação do Secretário-geral do Partido. Esteve igualmente presente nas dezenas de reuniões preparatórias do XX Congresso e em outras iniciativas, nomeadamente parlamentares, pela eliminação de portagens nas auto-estradas do interior e do Algarve e nos votos de rejeição dos objectivos e conteúdo do Tratado Transatlântico (TTIP) e de protesto contra a atitude do BCE de recusar à Assembleia da República o acesso a informações fundamentais para a realização do Inquérito Parlamentar à resolução e venda do BANIF. Destaca-se também as jornadas parlamentares dos deputados do PCP no Parlamento Europeu nos distritos de Aveiro, Coimbra, Leiria e Viseu.

Avança a campanha de reforço do Partido com a responsabilização de quadros e elevação da militância, reforço organizativo nas empresas e locais de trabalho, recrutamento e integração de quadros, difusão do Avante! e campanha nacional de fundos. Avança a divulgação da Festa do Avante! e a venda da EP.

A semana de luta decidida pela CGTP-IN, de 16 a 20 de Maio, tem várias acções já planificadas com expressão de rua, mas para garantir o seu êxito é preciso intervir, esclarecer e mobilizar, dando centralidade aos salários e direitos, à concretização das 35 horas na Administração Pública, à recusa dos constrangimentos e ingerências da União Europeia, à renegociação da dívida e controlo público da Banca. E enquanto prossegue a preparação desta jornada, realizam-se lutas em diversas empresas, entre outras, na EMEF, Triumph, Portway, SpdH, Frauenthal.

É preciso dar mais força ao PCP como condição para resolver os problemas nacionais e intensificar a luta de massas para ir mais longe na defesa, reposição e conquista de direitos e transformar as necessidades em possibilidades no que diz respeito à concretização de uma alternativa política patriótica e de esquerda.

 


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