A produção
e o emprego devem impor-se
ao interesse
do capital
Exigidas medidas para Triumph e Frauenthal
Luta por emprego e futuro

Trabalhadores das confecções Triumph, em Loures, e da fábrica de molas para automóveis Frauenthal, na Azambuja, exigiram medidas do Governo para salvar estas importantes unidades produtivas, com centenas de postos de trabalho.

As concentrações na Praça Luís de Camões ocorreram em dias separados, mas ressalta como objectivo comum a exigência de uma resposta firme e eficaz do Ministério da Economia a problemas que foram gerados pelas movimentações do grande capital internacional e nada têm a ver com problemas das empresas, que são ambas lucrativas, com mão-de-obra qualificada e reconhecida e com posição forte nos mercados para onde é exportada a sua produção.

No dia 5, quinta-feira, duas centenas de trabalhadoras da Triunfo Internacional encontraram-se no Camões, cerca das 15 horas, de onde seguiram, em manifestação, até à Assembleia da República. No início do percurso, passaram pelo Ministério da Economia, onde deixaram um pedido urgente de reunião.

Para a filial portuguesa, que emprega 530 pessoas em Sacavém, a multinacional alemã Triumph desencadeou um processo de venda, admitindo desde Agosto que o encerramento da fábrica ocorrerá quando entender que a alienação não se concretiza. Manuela Prates, dirigente do Sindicato dos Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Curtumes do Sul, explicou aos jornalistas que a preocupação dos trabalhadores (mulheres, na sua maioria) foi agravada com decisões mais recentes: reduzir a produção aos níveis mínimos, a partir de Junho, e não actualizar os salários. «Queremos que os responsáveis políticos nos ajudem a encontrar uma solução», disse a dirigente.

O sindicato da Fesete/CGTP-IN tem acusado a multinacional, desde o início deste processo, de pretender desfazer-se da fábrica portuguesa para relocalizar a produção de roupa interior da sua marca em países como a Índia ou o Vietname

Neste protesto, que terminou com uma série de intervenções, junto à escadaria do Palácio de São Bento, participaram também João Torres, da Comissão Executiva da CGTP-IN, a presidente da Assembleia Municipal e um vereador da CM de Loures, a deputada do PCP Ana Mesquita e um representante do PEV.

No dia 6, sexta-feira, a meio da manhã, a Praça Luís de Camões recebeu uma centena de trabalhadores da Frauenthal Automotive, a antiga Impormol, fábrica de molas para veículos automóveis, instalada na Azambuja há meio século e cuja administração comunicou, há um mês, que o pessoal ficava dispensado de comparecer no trabalho. O SITE CSRA, sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN, contestou a decisão e mobilizou os trabalhadores contra o despedimento colectivo, em defesa da empresa e dos seus 179 postos de trabalho.

Uma reunião pedida ao ministro da Economia no final de Janeiro, por causa de um despedimento colectivo de 29 trabalhadores, em Setembro de 2015, realizou-se a 19 de Abril. Uma semana depois, a 26, foi decidido avançar para esta acção em Lisboa. Em vez da busca de uma alternativa para manter a produção e o emprego, os trabalhadores ficaram a saber que a empresa iria iniciar um processo de insolvência.

Fernando Pina, dirigente do SITE CSRA, explicou aos jornalistas, no dia 6, que a deslocação a Lisboa se destinou a «sensibilizar» o ministro da Economia para a importância da empresa, que exporta toda a produção. Mas alertou igualmente para os problemas sociais de um encerramento, «numa região que tem sofrido muito com a deslocalização de empresas».

Nas intervenções do Secretário-geral da CGTP-IN, do presidente da Câmara Municipal do Cartaxo e do vice-presidente da CM da Azambuja, foram recordados os encerramentos da Ford e da Opel e foi ainda lembrado que na Frauenthal foram feitos investimentos há poucos meses.

Arménio Carlos apontou este caso – precipitado depois de a estratégia de alienação de fábricas, por parte do grupo austríaco Frauenthal, ter colocado a unidade da Azambuja nas mãos do Heavy Metal Invest, um fundo sediado no Liechtenstein – como um exemplo das consequências da especulação financeira.

Numa moção aprovada durante a concentração, os trabalhadores declararam que «não aceitam outra solução que não seja a continuidade da empresa no nosso País», defendendo que o Ministério da Economia «deve utilizar todos os meios necessários» para garantir este objectivo.

 



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