• Rui Mota

Espaço de luta<br>e intervenção

Entrámos já nos dias finais da 86.ª edição da Feira do Livro de Lisboa. Para os muitos visitantes que por lá têm passado estes dias são as últimas oportunidades de poder adquirir aquele livro que andaram espreitando a feira toda, o outro que esperaram o ano inteiro pelo certame para o adquirir e os muitos que se apresentaram pela primeira vez. Desde a abertura, no dia 26 de Maio, e seguramente assim será até ao encerramento no dia 13 de Junho, milhares de visitantes iniciam novas relações com os livros, com as capas a abrir o apetite e as páginas folheadas a convidarem para serões de leitura e bancos de jardim.

O pavilhão das Edições «Avante!», partilhado com a editora Página a Página, não é, nesse aspecto, uma excepção. Com um vasto, rico e diversificado catálogo, vários títulos apresentam-se aos leitores pela primeira vez no Parque Eduardo VII. Outros podem porventura ser mais veteranos, mas pela sua enorme actualidade são continuamente novos. Os clássicos de Marx, Engels e Lénine têm sido dos mais solicitados: O Capital, por vezes os sete tomos já publicados de uma só vez, outras o primeiro «para começar», e não poucas só o sétimo, «o que me falta»; o Manifesto do Partido Comunista; A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado; O Estado e a Revolução; O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo… são alguns exemplos dos livros que são procurados, adquiridos, lidos e discutidos. Um vigoroso sinal da vitalidade e actualidade dos seus ensinamentos. Talvez por isso não se estranha que uma das últimas novidades da Página a Página, o compêndio do professor italiano Domenico Moro, A Crise do Capitalismo e Marx – Resumo de O Capital com referência ao século XXI, tenha sido já alvo de várias reposições.

As questões económicas têm suscitado bastante curiosidade: além dos títulos referidos, outros, como Compreender a Economia, de Jacques Gouverneur, O Escândalo da Dívida e o Sistema Mundial Off-Shore, de Guilherme da Fonseca-Statter, O Euro, A «Europa» como Ela É e Os Trabalhadores e a Crise do Capitalismo, de António Avelãs Nunes, a que se junta o seu último livro sobre O Keynesianismo e a Contra-Revolução Monetarista, motivam várias discussões sobre a crise estrutural do capitalismo, a sua natureza e a agudização das suas contradições. Por isso, a banca das Edições «Avante!» é, na Feira do Livro como nos outros sítios, um espaço de luta e intervenção. Militantes do Partido, amigos, e sobretudo muita gente com genuína vontade de conhecer e compreender melhor por que lutam os comunistas, qual a sua visão do mundo e qual o seu programa, fazem uma pausa na sua visita à Feira para parar no pavilhão A14. São, no essencial, as questões que Álvaro Cunhal coloca a abrir o primeiro capítulo de O Partido com Paredes de Vidro. Aí, como na generalidade das suas obras, estão muitas dessas respostas.

Como se as razões políticas não fossem bastantes, amanhã, dia 10 de Junho, os primeiros quatro tomos das Obras Escolhidas, que abarcam todo o período da clandestinidade, serão livros do dia, o que significa que serão vendidos com 40 por cento de desconto, e no dia 13 de Junho será a vez da versão cartonada da Fotobiografia ser também livro do dia.

Ainda antes, porém, realiza-se hoje, 9 de Junho, pelas 18,00h, a apresentação do livro Hillary Clinton: Rainha do Caos, de Diana Johnstone. Com apresentação a cargo de André Levy, a sessão, que decorrerá na Praça Verde da Feira do Livro, será uma boa oportunidade para discutir os instrumentos de dominação do imperialismo, no contexto das eleições americanas que se realizam este ano.

Muitas razões, portanto, para ir até à Feira do Livro de Lisboa. Quem não foi deve passar por lá, quem já foi de certeza quererá voltar para aproveitar o sol e namorar os livrinhos nas estantes, para que as suas frases, conceitos, enredos e versos possam lançar novos mundos no mundo.




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