- Edição Nº2219  -  9-6-2016

Viva a luta dos trabalhadores franceses

Manuel Valls, primeiro-ministro francês, em resposta ao poderoso movimento de massas que tem tido expressão em greves e grandes manifestações por toda a França, afirmou que o hediondo projecto de Lei do Trabalho é mesmo para implementar, porque este projecto é bom para os patrões, para os sindicatos e para os trabalhadores.

Nesta afirmação que, em si mesma, contém toda a ladaínha ideológica da conciliação dos interesses de classes antagónicas, o também dirigente do PS francês (não se espante o leitor, nem faça essa cara de dúvida, é mesmo do PSF!), deixou claro o que está em causa.

Dizia ele que este projecto – que, na sua essência, liberaliza os despedimentos e desregula as relações de trabalho, colocando a contratação ao nível das empresas, onde a relação de forças é completamente desigual, a favor dos patrões, e onde, por exemplo seria admitido alargar o horário de trabalho – é bom porque dá mais formação aos sindicatos e permite aos jovens uma remuneração garantida de 480 euros.

Em primeiro lugar não explica por que é que é bom para os patrões. Ficaria um pouco mal dizer que eles vão ter que pagar menos para os trabalhadores trabalharem mais e no fim despedirem mais facilmente os que se lhes opuserem.

Mas veja-se o requinte de afirmar que querem comprar o apoio dos sindicatos (é disso que se trata), com a promessa de aumento de formação. Assim se vê melhor o valor da orientação que temos, e que alguns no nosso País insistem em contrariar, de que o Movimento Sindical deve ser, no essencial, financiado pelas quotizações dos trabalhadores, exactamente para garantir a sua independência política e sindical.

Já quanto aos jovens, lê-se e nem se acredita. Como é possível que se considere um avanço, num país em que o salário mínimo ultrapassa os 1400€, garantir aos jovens cerca de um terço desse valor?

Aqui está, em todo o seu esplendor, a resposta do capitalismo à sua crise, agora na pátria da Comuna de Paris, mas que é o exemplo do que vai por essa Europa fora – mais exploração, mais empobrecimento, mais concentração e acumulação da riqueza nos mesmos.

Os trabalhadores franceses são, pois, nesta batalha titânica, merecedores de toda a solidariedade dos trabalhadores de todo o mundo.

 


João Frazão