• Manuel Rodrigues

Que reforma da segurança social?

Constatando agora o que não conseguiu enxergar em quatro anos de governo, o PSD apercebeu-se subitamente que «o País é hoje mais envelhecido do que há alguns anos».

Mostrando-se preocupado com a «crise» que o sistema público de Segurança Social atravessa apresentou na passada quinta-feira na AR um projecto de resolução para a «reforma da Segurança Social» cujo primeiro passo vai para a criação duma Comissão Eventual.

«Uma reforma que seja amplamente debatida e tanto quanto possível consensualizada». Tudo em nome de um suposto interesse nacional, como se o Estado não tivesse uma natureza de classe. Como se a «reforma» da Segurança Social, não estivesse profundamente ligada ao antagonismo que opõe o capital e o trabalho.

Uma natureza de classe que esteve bem vincada nos últimos quatro anos na deliberada fragilização das fontes de financiamento do regime previdencial dos trabalhadores. Caminho que agora querem aprofundar reduzindo as despesas sociais com as pensões.

Afirma estar a pensar numa reforma que não ponha em causa as pensões já atribuídas. Uma falsidade, já que nos últimos quatro anos procederam a cortes nos seus valores e congelamento da actualização anual, quebrando direitos adquiridos dos actuais beneficiários. E querem prosseguir neste caminho. Afiançar que querem defender as novas gerações é outra mistificação.

Perante preocupação tão inesperada, é caso para perguntar: será este o mesmo PSD que no governo assumiu o compromisso com a União Europeia de cortar 600 milhões de euros nas reformas, pensões e apoios sociais?

Mais: será este o mesmo PSD que no governo cortou salários, congelou pensões, fez subir o desemprego, elevou o nível de pobreza, empurrou milhares de (sobretudo) jovens para a emigração e nada fez para recuperar a enorme dívida do grande patronato à Segurança Social?...

Sobre casos desta natureza, há muito se diz que com papas e bolos se enganam os tolos. Mas não enganam os trabalhadores e o povo que, por estas e por outras, lhes deram luta sem tréguas até os derrotarem a 4 de Outubro.

 



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