Um ano de «Infraestruturas de Portugal»
Sem motivo para festejar

O PCP assinalou, no dia 1, a passagem de um ano sobre a criação formal da «Infraestruturas de Portugal – IP», resultante da fusão da REFER com a Estradas de Portugal, reafirmando a necessidade de «interromper este caminho, travar enquanto é tempo esta desastrosa opção e reverter a fusão». Estes são, para o Partido, os objectivos que defendem os interesses nacionais e os direitos dos trabalhadores.

Não iludindo dificuldades, o Partido sublinha que a situação exige opções «corajosas», desde logo a reversão da fusão, mas também o «saneamento dos encargos financeiros das empresas nelas depositados pelos sucessivos governos (dívida no caso da REFER, compromissos com as PPP no caso da EP)». A reconstrução de um quadro de pessoal capacitado para assegurar um conjunto de operações entretanto externalizadas e a valorização dos activos das duas empresas, ao invés da sua alienação, fazem parte do conjunto de propostas do PCP, onde também se conta a reunificação do caminho-de-ferro, revertendo as «imposições da União Europeia que só servem os interesses das grandes multinacionais europeias».

Num comunicado do seu Gabinete de Imprensa, que reproduz o essencial de um documento distribuído no mesmo dia aos trabalhadores, o PCP recorda ainda que se opôs à criação da IP pelo anterior governo e que a opção do actual executivo de «manter essa fusão e a administração nomeada pelo anterior governo» traduz a vontade de «não travar um processo que se revela desastroso para os interesses nacionais». Aliás, recorda, a actual administração da IP revelou em Bruxelas um conjunto de medidas que pretendia implementar para preparar a privatização da empresa. Se a derrota do governo PSD/CDS serviu para «travar este criminoso caminho de privatização que teria entregue o conjunto das infra-estruturas nacionais à exploração de um qualquer grupo monopolista numa gigantesca PPP», ela não foi, porém, suficiente para alcançar a «necessária inversão do caminho que estava em curso».

O PCP chama ainda a atenção para a «maquilhagem dos resultados financeiros da IP», que visam apenas esconder os objectivos de fundo que lhe estiveram na origem: «pagar a gigantesca dívida das Estradas de Portugal provocada pelas PPP que os sucessivos governos lhe impuseram, desviando para aí todos os recursos enquanto a Rede Viária Nacional se degrada de uma forma acelerada.»




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