Famílias reais financiaram Estado Islâmico
Relatório britânico implica monarquias do Golfo
Os apoios ocultos ao terrorismo

Um relatório parlamentar britânico, divulgado dia 12, indica que o grupo terrorista «Estado Islâmico» (EI) recebeu apoio financeiro de países do Golfo Pérsico.

O documento do Comité Especial dos Negócios Estrangeiros refere informações prestadas pelo Ministério da Defesa britânico, segundo as quais o dinheiro foi enviado por famílias da realeza através de sistemas alternativos de transferência de fundos (Alternative Value Transfer Systems).

Como prova, o Ministério revelou aos deputados que, em Setembro de 2014, o próprio Departamento do Tesouro dos Estados Unidos teve conhecimento de uma transferência de dois milhões de dólares para um cabecilha do EI, «com origem no Golfo».

O relatório assinala o «papel importante» desempenhado pela Turquia, Arábia Saudita, Koweit e Qatar na coligação contra o EI, no entanto responsáveis do Ministério dos Negócios Estrangeiros declararam que «certos governos da região não foram capazes de impedir que cidadãos fizessem donativos ao EI».

Interrogado pelos deputados, o ministro encarregado do Médio Oriente, Tobias Ellwood, considerou «muito provável» que membros de famílias reais de países do Golfo tenham financiado o EI.

Por seu turno, Dan Chugg, chefe do grupo de trabalho sobre o «Estado Islâmico» no Ministério dos Negócios Estrangeiros, salientou que «é muito difícil em certos países saber exactamente o que é e o que não é financiado pelo governo, uma vez que se trata de famílias reais, de príncipes ricos». «A nossa estratégia não era procurar de quem era a culpa, mas de pôr fim ao financiamento do EI», afirmou Chugg.

Ao mesmo tempo que apela à Arábia Saudita a fiscalizar a aplicação da lei, aprovada em 2015, que proíbe os seus residentes de prestar apoio financeiro ao EI, o Comité recomenda igualmente ao governo britânico que coloque «questões difíceis aos seus amigos», no que respeita à forma como tais donativos chegaram às mãos dos terroristas baseados na Síria e no Iraque.

Apesar de os estados do Golfo terem sempre negado alegados apoios ao terrorismo, documentos oficiais norte-americanos, anteriormente divulgados pelo site WikiLeaks, contêm indicações claras sobre o envolvimento da Arábia Saudita no financiamento dos igrupos fundamentalistas islâmicos e terroristas..

Numa mensagem enviada em 2009 por Hillary Clinton, na altura secretária de Estado dos EUA, lê-se o seguinte:

«Os donativos com origem na Arábia Saudita constituem a fonte mais importante de financiamento dos grupos terroristas sunitas em todo o mundo». «Continua a ser difícil persuadir as autoridades sauditas de que a luta contra o financiamento do terrorismo deve ser vista como uma prioridade estratégica».

Entretanto, o próprio governo britânico foi alvo de intensas críticas nos últimos meses por ter aumentado a venda de armas à Arábia Saudita, durante a campanha militar que este país levou a cabo no Iémen, ignorando os apelos internacionais a um embargo de armas a Riad. 



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