• Henrique Custódio

Será a UE

No final da semana o Expresso publicou, em sequência de curta duração, a «notícia» de que a União Europeia decidira cortar os fundos europeus a Portugal por «incumprimento do défice» e outra desmentindo a primeira, vinda da UE e declarando taxativamente que não havia nenhuma decisão sobre sanções.

Esmiuçada a coisa, o mesmo Expresso (e, de carreirinha, outros que tais, como o Público) explicava que «o equívoco» se gerara a partir de uma lista que um vice-presidente da UE enviara, apenas elencando as 16 áreas abrangidas pelos fundos europeus, para «informação» a quem de direito e nunca com o objectivo de indicar qualquer sanção.

É claro que o Expresso não confirmou a primeira notícia antes de a publicar, nem teve rebuços em a desmentir logo de seguida, desmentindo-se despreocupadamente a si próprio.

Esta trapalhada é apenas o episódio mais recente da campanha prosseguida por Expresso, Público e o resto da tropa impante de «objectividade jornalística», que tanto procuram buracos que embaracem o Governo do PS de António Costa, que já não se envergonham de pegar na pá e cavá-los eles mesmo, com descaramento de primeira-página.

Entretanto, o «eurogrupo» que manda na União Europeia e demais instâncias suzeranas prosseguem afanosamente na faina de pressionar Portugal e o Governo do PS/Costa, rosnando com desfaçatez sanções e desmentidos delas, enquanto empurram uns para os outros «a decisão», sem ninguém a assumi-la ou, sequer, a querê-la explicitamente, deixando correr o tempo e «a pressão», que Passos Coelho e o seu PSD abocanham vorazmente, sempre esperançados e desejosos que as «exigências» da UE derrubem ou façam cair o Governo.

Passos Coelho teve o desplante de afirmar, referindo-se aos bancos portugueses e pretendendo denegrir a política do actual Governo nessa matéria, que «o que se passou foi que durante quatro anos nós andámos a melhorar a situação financeira do País», sem se importar que esta mentira colossal tenha o tamanho da falência do BES e da pre-falência do BANIF, para não irmos mais longe.

Entretanto, a União Europeia assiste titubeante ao golpe de Estado que o presidente da Turquia, Erdogan, está a levar a cabo a pretexto de outra (e estranha) tentativa de golpe de Estado abortada em poucas horas, nada dizendo sobre a suspensão da Convenção Europeia dos Direitos Humanos ordenada por Erdogan, da instalação do estado de emergência na Turquia e na distituição e/ou prisão de muitos milhares de militares, juízes, procuradores, professores, polícias e funcionários públicos, enquanto paira sobre a Turquia a ameaça de reinstauração da pena de morte.

A política do eurogrupo apenas conhece os lucros astronómicos que os «resgates» proporcionam ao seu sector financeiro. Se não forem travados, será a UE a cair «em resgate»...




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