Indicadores sociais e económicos recuam na UE
Austeridade ameaça desenvolvimento
e democracia
Declínio insustentável

Sob pressão da crise económica e das políticas de austeridade os países da União Europeia retrocedem nos principais indicadores de desenvolvimento da sociedade.

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Um relatório da Fundação Bertelsmann alerta para o agravamento das tensões sociais e políticas nos países da União Europeia, ao mesmo tempo que constata o aprofundamento do fosso entre os estados do Norte e os do Sul.

O estudo, publicado dia 18, classifica os 41 estados-membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da União Europeia, à luz de um conjunto de 136 indicadores de sustentabilidade económica, social e ambiental, designado de «governança sustentável».

Os países nórdicos, com a Suécia à cabeça, continuam a apresentar os melhores resultados, no entanto, também já não são o que foram.

Considerados durante décadas como «modelos de igualdade e de oportunidades de participação», a crise do capitalismo não deixou incólumes países como a Dinamarca e a Suécia, onde nos dois últimos anos aumentaram bruscamente as desigualdades salariais.

O retrocesso social é particularmente sensível na Finlândia. Outrora invejado pelos ritmos de progresso económico e social, o país apresenta hoje uma taxa de desemprego que ronda os dez por cento, o que o remete para 30.º lugar (33.º no desemprego dos jovens).

Devastação social

Porém, a situação é deveras pior na Grécia, país que ocupa o último lugar em matéria de política económica, após anos de devastação causada pelas políticas de austeridade que atingiram com particular violência os estados do Sul.

«O desemprego de longa duração e a pobreza infantil atingem percentagens de dois dígitos nos países do Sul da Europa», refere o relatório que assinala o aprofundamento das diferenças entre o Norte e o Sul da UE.

Enquanto em Espanha a pobreza infantil registou um novo aumento, afectando já 23 por cento das crianças (percentagem semelhante à da Grécia), na Finlândia o mesmo indicador não vai além dos 3,6 por cento.

Num contexto de crise, os autores do relatório assinalam a agudização das contradições no seio da UE: «As divisões são cada vez mais marcadas; o fluxo de refugiados é o maior desde a II Guerra Mundial e o projecto de integração europeia corre o risco de não funcionar».

O estudo adverte ainda para o avanço dos partidos extremistas, no poder na Hungria e na Polónia, onde os valores democráticos e a liberdade de imprensa são postos em causa, não perdendo de vista a Frente Nacional em França «com grande popularidade junto do eleitorado», ou a AfD (Alternativa para a Alemanha) que tem explorado «a temática dos refugiados para a sua campanha de extrema-direita».

A UE enfrenta assim o «maior desafio da sua história e está muito longe de encontrar soluções comuns», conclui o relatório.  




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