- Edição Nº2233  -  15-9-2016

Na Festa, o pulsar do mundo…

A Festa do Avante! constituiu uma valiosa manifestação de solidariedade anti-imperialista. A luta dos trabalhadores e do povo português é parte integrante da luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo.

 

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A importante dimensão internacionalista que, uma vez mais, marcou a Festa deve-se, em primeiro lugar, ao significativo número de partidos comunistas e de outras forças revolucionárias e progressistas, oriundas de quatro continentes, com os quais o PCP se relaciona e que nela participam de forma fraterna e solidária, incluindo com stands no Espaço Internacional – proporcionando o conhecimento com as diferenciadas realidades e lutas dos seus povos –, mas também à participação dos visitantes da Festa nos múltiplos debates sobre questões internacionais, actos político-culturais e momentos de solidariedade e no grande comício que nela teve lugar.

A Festa foi uma demonstração viva de que, por todo o mundo, e mesmo nas condições mais difíceis, os trabalhadores e os povos resistem e lutam pelos seus direitos, pela libertação da opressão, incluindo da opressão nacional, pela conquista da liberdade, da democracia, em defesa da soberania e independência nacionais, pela justiça e progresso social, por transformações democráticas, anti-monopolistas e anti-imperialistas, pelo socialismo – resistências e lutas que confluindo na luta contra o imperialismo, se interligam num mesmo ideal e processo universal libertador.

A violenta ofensiva do imperialismo contra os povos – levada a cabo pelos Estados Unidos e seus aliados – alarga e diversifica as forças que objectivamente convergem na luta anti-imperialista.

A solidariedade internacionalista, e particularmente a solidariedade com os povos vítimas da ingerência e agressão imperialista, adquire na actualidade uma enorme importância.

Solidariedade que para verdadeiramente o ser não é abstracta ou descomprometida, mas efectivada em torno de objectivos concretos, como a defesa da soberania dos povos e da independência dos estados face às manobras de ingerência, às operações de desestabilização e às guerras de agressão que o imperialismo promove no Médio Oriente, em África, na América Latina ou na Ásia.

Solidariedade que não significa, exige ou é condicionada a uma total identificação com as forças que protagonizam a resistência e a luta, nem necessariamente com todas as opções e soluções por estas tomadas, mas que coloca no primeiro plano a defesa de princípios e objectivos – de direitos fundamentais dos povos – que são condição para o avanço da luta no sentido da emancipação social.

Alargar a frente anti-imperialista

A luta em defesa da soberania e independência nacionais, a luta pela paz, estão interligadas à luta pelo progresso social, realçando a relação entre a questão de classe e a questão nacional na luta dos trabalhadores e dos povos. O PCP, partido patriótico e internacionalista, é solidário com a luta dos trabalhadores e com todas as lutas e processos de afirmação soberana e de carácter anti-imperialista, que inscreve no processo mais geral de emancipação dos povos da exploração e da opressão.

Não colocando o movimento comunista e revolucionário internacional em contraposição com outras forças progressistas e patrióticas que defendem os interesses e direitos dos seus povos face ao imperialismo, o PCP considera que, sem abdicação de identidade ou diluição, o movimento comunista se deve aproximar e relacionar com outras forças anti-imperialistas, considerando que só assim será mais forte, unida e consequente a frente anti-imperialista. Aos comunistas está colocada a exigência de contribuírem para o alargamento da frente anti-imperialista, promovendo a sua unidade na acção e consolidando amplas alianças que alarguem a frente social e política que se opõe ao imperialismo.

O capitalismo está mergulhado numa profunda crise. Marcado pela sua natureza exploradora, opressora, agressiva e predadora, o capitalismo é responsável por brutais injustiças sociais e incapaz de corresponder às necessidades, aos interesses e às aspirações dos povos. O imperialismo, nomeadamente o norte-americano, utiliza colossais meios económicos, políticos e militares, promove bloqueios, sabotagens, conspirações, guerras declaradas e não declaradas, visando impor o seu domínio mundial – mas não é omnipotente.

Com plena consciência dos grandes desafios e exigências que a actual situação comporta, apesar de uma correlação de forças ainda desfavorável no plano mundial, a Festa do Avante! demonstrou que existem forças que resistem, que os trabalhadores e os povos lutam por todo o mundo, e que está ao alcance das forças revolucionárias, progressistas, patrióticas e da paz conter e colocar em recuo a ofensiva do imperialismo.

 


Pedro Guerreiro