Mesmo com lucros de milhões,
a Endutex atacou
um direito
fixado nos usos
da empresa
Acções por todo o País na semana da CGTP-IN
Lutas com destinatários

Na «semana nacional de esclarecimento, reivindicação e luta», que antecede as comemorações do 46.º aniversário da CGTP-IN, as iniciativas públicas estão dirigidas a empresas e associações patronais e têm motivos bem concretos.

Desde segunda-feira e até amanhã, o foco da Intersindical Nacional e dos sindicatos aponta para casos e situações em que a posição dos patrões justifica e obtém como resposta a acção firme e colectiva dos trabalhadores. Para celebrar, a 1 de Outubro, o dia da fundação da Inter, a central anunciou que prepara iniciativas regionais.

Com a participação do Secretário-geral, Arménio Carlos, a primeira acção teve lugar durante a hora de almoço de segunda-feira, dia 26, frente à Endutex, em Vilarinho, no concelho de Santo Tirso.
O SITE Norte promoveu aqui uma concentração de dirigentes e delegados sindicais, numa expressão de solidariedade à luta dos trabalhadores pela devolução dos feriados de Carnaval e municipal, que a administração desta empresa de produtos têxteis técnicos, enquadrada no sector químico, resolver retirar este ano, depois de terem sido repostos os quatro feriados nacionais que o governo PSD/CDS tinha suspendido desde 2012. A decisão patronal foi contestada num abaixo-assinado, mas esta posição foi recebida com indiferença, reveladora de falta de consideração e mesmo falta de respeito pelos trabalhadores – como se afirma numa notícia publicada anteontem no sítio da Fiequimetal/CGTP-IN.
Uma resolução da assembleia de delegados sindicais do SITE Norte, distribuída durante o protesto, acusa a Endutex de desrespeitar um uso que constitui direito dos trabalhadores, numa atitude de prepotência e desprezo pela lei. Retirar os dois feriados ainda menos se justifica, perante os resultados líquidos dos últimos anos: mais de 4,6 milhões de euros, em 2013; quase cinco milhões, em 2014; e mais de 6,5 milhões no ano passado.
Quando uma delegação sindical tentou entregar a resolução à administração, esta recusou-se recebê-la, o que foi considerado como mais uma demonstração de prepotência.
Foi ainda denunciada a persistência de precariedade de emprego na Endutex, que serve para cometer assédio moral sobre os trabalhadores.

No mesmo dia, em Ponta Delgada, os sindicatos e a estrutura da CGTP-IN na Região Autónoma acompanharam os trabalhadores da Sinaga que, no final de um plenário, foram entregar um abaixo-assinado na vice-presidência do Governo regional, reclamando respostas e decisões. A fábrica de açúcar de beterraba, propriedade da Região há seis anos, apresenta um passivo de 22 milhões de euros, com activos de cerca de 20 milhões, e teve em Abril um plano de viabilização. Em Junho foi objecto de declarações públicas do secretário regional da Agricultura e Ambiente.
Na falta de uma decisão, os trabalhadores exigem saber qual o futuro que está a ser preparado para a empresa (remodelação da fábrica ou construção de uma nova) e que seja garantida a preservação dos postos de trabalho.
Como explicou aos jornalistas o coordenador regional da CGTP-IN, os receios quanto ao futuro são fundados no agravamento da situação laboral, com uma redução drástica do número de trabalhadores, sendo que aos actuais 66 não são actualizados salários há mais de uma década. Vítor Silva, citado pela agência Lusa, protestou contra o não cumprimento do acordo de empresa, em vigor, afirmando que ora é aplicada a legislação do sector privado, ora a do sector público, consoante o que seja mais vantajoso para a empresa.

 



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